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Era o que Faltava

Temporada 3

2021-11-26

Isabel Jonet (com Exclusivo Online)

“Pedir ajuda quando se precisa não tem que nos envergonhar”

É uma mulher pragmática, mas com a emoção no olhar.  Tem 61 anos de idade, 28 dos quais dedicados aos outros. É voluntária e Presidente doa Fundação Portuguesa do Banco Alimentar Contra a Fome e fundadora da ENTRAAJUDA. O impulso de ajudar quem a rodeia vem de criança e é às gerações seguintes que deixa o repto de continuarem a ser solidários. Isabel Jonet esteve no Era O Que Faltava com João Paulo Sousa e Ana Martins para uma conversa que se prolongou para um incrível exclusivo online.

Há dois anos que os voluntários do Banco Alimentar não estão nos supermercados nacionais, mas este ano recupera-se a tradição. Durante a pandemia, os pedidos de ajuda multiplicaram-se e muitas das famílias portuguesas viram-se em situações de extrema complexidade. Foi nesse contexto que Isabel Jonet criou mais uma plataforma onde dar a mão ao outro era o mote. A presidente do Banco Alimentar diz que pedir ajuda é um ato de coragem: “Pedir ajuda quando se precisa não tem que nos envergonhar. Pelo contrário. A humildade de pedir ajuda quando vemos os nossos filhos em casa, sem terem nada na mesa, engrandece-nos porque faz com que, de alguma forma, nos desinstale daquilo que pensamos que é adquirido”.

Economista de formação, a visão pragmática do mundo ajuda-a a compreender que o desperdício, seja ele qual for, não traz nenhum benefício: “Enveredámos por uma sociedade de hiperconsumo, que desvaloriza estes bens, mas desvaloriza também todo o trabalho associado à produção dos mesmos, o que faz com que haja um gasto estupido de recursos”. Assim sendo, o Banco Alimentar dedica-se à promoção da economia circular já que o que sobra é distribuído por quem precisa.

Isabel Jonet tem o sonho de puder fechar o Banco Alimentar pois significaria que não existiam pessoas em situações de pobreza, em Portugal. Diz, porém, que para já é fundamental, mas garante que tem fé: “tenho muita fé nas pessoas e naquilo que através das pessoas, com amor, se pode fazer aos outros”. A mulher que adora fazer tapetes de arraiolos e bordados acredita que a diferença global se faz através de atitudes locais: “se todos sairmos de nós e nos preocuparmo-nos com os outros, os que estão à nossa volta podem correr riscos ou ter uma vida melhor, estamos a agir local, mas a pensar global”.

Isabel Jonet que cumpre, este ano, a sua 60ª campanha como voluntária do Banco Alimentar diz que a desumanização das pessoas a preocupa e que o desperdício do amor é uma das mais dramáticas perdas que vivemos.