Era o que Faltava

Temporada 3

2021-11-25

Margarida Marinho (com Exclusivo Online)

“A partir do momento em que percebemos que temos o lado luz e o lado sombra, vamos aceitando melhor a luz e sombra dos outros”

 

Tem 58 anos, mas com alma de menina. Jovem e leve, percebeu que o tempo é o maior luxo que pode existir. É atriz e, durante muitos anos, entrou pela casa dos portugueses em telenovelas como “Meu Amor”. Há seis anos que não faz novelas. Agora dedica-se a projetos de curta-duração, que exigem uma longa reflexão e empenho. Faz séries, filmes e escreve e é na escrita que se encontra. A propósito do filme “O Som Que Desce na Terra” Margarida Marinho esteve no Era O Que Faltava da Rádio Comercial! Uma conversa imperdível que se prolongou para um especial exclusivo online.

Margarida Marinho fez a última novela em 2015, as “Poderosas”. Diz que o ritmo exigido por este tipo de ficção, no que toca aos horários, trabalho e contacto com os colegas, é “altamente aditivo”. A atriz explica que estar no meio de qualquer produção artística é estar em permanente vertigem e que largar esse vício intrínseco não é fácil: “não é fácil dizer não ou já chega. Quando nós paramos e desaceleramos somos obrigados a confrontar-nos connosco, com aquilo que somos, com aquilo que queremos ser, com o que a andámos a fazer, como ocupamos o tempo e como o queremos ocupar”.

Há quem lhe tenha dado o nome de ‘Ditadura da Imagem’ ou quem fale em ‘Ditadura da Idade’. A televisão vive da aparência e dos rostos bonitos e quem está por dentro da máquina dos sonhos sabe como é: “‘Os heróis querem-se novos e as mulheres, ao contrário dos homens, envelhecem mal’. Embora acredite que a situação se possa reverter, a atriz que interpreta Madalena, no novo filme de Sérgio Graciano, garante que nas telenovelas “não há grandes papéis para mulheres com mais de 50 anos”.

A decisão de não fazer novelas não foi simples. As mudanças financeiras foram significativas, mas as mudanças pessoais mais consideráveis. Agora, Margarida Marinho é feliz porque tem tempo para ter tempo: “agora reparo em mim”. Embora goste e precise de estar sozinha, a verdade é que atentar no que os outros fazem e dizem também é uma arte que, segundo a atriz, facilmente se perde com a rapidez com que se vive: “Reparar é perder tempo: é olhar para as pessoas, olhar para o rosto, olhar para o que estão a dizer, ouvi-las. E isso é um exercício muito ao contrário à velocidade que vivemos nos dias de hoje”.

A autora do livro infantojuvenil, “Tattoo - De noite, um Cavalo Branco” explica que tudo o que ela, ou qualquer outro escritor, verte num livro é parte de si. É inevitável. Margarida Marinho acredita que ela, as pessoas e as personagens a que dá vida (seja num livro ou em ficção) não são planas. Trata-se de compreender a condição humana pois, “a partir do momento em que percebemos que temos o lado luz e o lado sombra, vamos aceitando melhor a luz e sombra dos outros”.