Era o que Faltava

Temporada 3

2021-11-24

Vasco Sacramento (com Exclusivo Online)

“Eu sou absolutamente obcecado com o pânico da irrelevância, é uma das coisas que me mais faz andar para a frente”

Foi depois de ter ido ao primeiro concerto e de se ter fascinado com “as florestas com pernas” que decidiu que quando crescesse queria organizar concertos. Hoje em dia, Vasco Sacramento agencia artistas como o Pedro Abrunhosa e a Carolina Deslandes na “Sons em Trânsito”, uma empresa de agenciamento, produção de espetáculos e gestão de carreiras artísticas.

À conversa com João Paulo Sousa e Ana Martins, Vasco Sacramento falou sobre a importância que é “gerir egos”, quando se tem artistas agenciados: “tens de ouvir, compreender, perceber e enquadrar. Ou seja, não podes entrar a matar, não podes destruir o ego porque o artista precisa do ego, claro que sim.  A relação que um artista tem com o público é completamente desigual porque estão milhares de pessoas a avaliar o trabalho que está a ser feito e têm o poder discricionário de decidir se aquilo é bom ou mau, se continuam a ver ou se vão embora, se batem palmas ou se assobiam e se para a semana voltam ou não”.

Ao falar sobre os eventos que organiza, como o Festival F, em Faro, Vasco Sacramento revelou o quão emocionado fica com “o lado da partilha da experiência. É uma coisa que me comove muito, na música como também, por exemplo, no futebol. O gatilho é muito idêntico, são coisas que juntam as pessoas, que apaixonam as pessoas. A relação que as pessoas têm com a música é uma coisa que me apaixona porque nós ligamos a música a momentos da nossa vida”.

Depois de inúmeros festivais, concertos, eventos e vários artistas para agenciar, Vasco Sacramento não deixa de ter medo de deixar de ser reconhecido pelo trabalho que faz e a credibilidade que tem: “eu sou absolutamente obcecado com o pânico da irrelevância, é uma das coisas que me mais faz andar para a frente, eu sentir que o meu tempo, o tempo que eu tenho, que espero que seja longo, não vai ser desperdiçado, não vai ser irrelevante. Sinto que tenho a obrigação de me cumprir, aliás, todos nós temos a obrigação de nos cumprir. Se temos determinados talentos, temos a obrigação de vingar nas nossas áreas, é para isso que nós cá estamos”.