Era o que Faltava

Temporada 1

2020-06-23

Catarina Wallenstein

Há cabeças brilhantes. Há vozes que embalam até o maior dos torpores. E há atrizes cujas expressões numa cena nos ficam gravadas de forma incandescente no cérebro. Depois, existem pessoas – poucas – como Catarina Wallenstein.

É difícil definir a Catarina numas frases rápidas e assertivas que acompanhem o seu regresso a casa. Já morou em Paris, que está hoje repartida entre Lisboa e o Rio de Janeiro, canta como uma deusa, e gosta de usar óleo de côco em tudo. Desassossegada, talentosa, já foi capa do Cahiers du Cinema, a revista mais importante de cinema em França com “Singularidades de uma Rapariga Loira”, sim, de Manoel de Oliveira. Seguiram-se filmes, muitos. Teatro, também. Reviravoltas terrestres sempre com uma enorme Poesia. Já nos conta o que mais gosta num realizador, agora que também é uma. “Tragam-me a Cabeça de Carmen M.” marca a sua estreia ao lado de Filipe Bragança, cineasta brasileiro. Em breve aparecerá de rompante nos cinemas com “Um Animal Amarelo” do mesmo extraordinário Filipe Brangaça , “O Ano da Morte de Ricardo Reis” de João Botelho, e o “O Implicado”, ficção de Sérgio Graciano, sobre a vida de Salgueiro Maia, um dos capitães de Abril.

Liberdade será a palavra que mais define Catarina Wallenstein? É possível. O que me parece é que são precisos volumes e volumes para ler bem este bicho.