Ornatos Violeta: o monstro faz 20 anos e quer celebrar com os amigos

A banda portuense está de volta aos palcos para a celebração dos 20 anos do álbum "O Monstro Precisa de Amigos". Manel Cruz falou-nos sobre o reencontro feliz com o público, das emoções do passado, do presente e do futuro.

10 de julho de 2019 às 13:58Ornatos Violeta: o monstro faz 20 anos e quer celebrar com os amigos

 

Os Ornatos Violeta vão subir ao palco do NOS Alive no dia 11, pelas 20h45. O reencontro com o público está marcado para o Palco NOS logo no primeiro dia do festival

O motivo é a celebração da edição do segundo disco da banda portuense, "O Monstro Precisa de Amigos". O álbum (produzido por Mário Barreiros) é um dos tesouros do espólio da música portuguesa e merece, claro, ter todos os amigos à volta para a festa. Amigos de várias gerações, amigos de vários pontos do país, amigos que guardam os Ornatos no lugar (de entrada restrita) que se reserva a bandas de culto com uma longevidade que se estica além da existência.

Muitos desses amigos viveram a juventude no final da década de noventa, quando o grupo de sotaque cerrado nortenho andava a percorrer o país já com uma legião assinalável de seguidores ávidos por encontrar uma voz aguerrida, destemida e provocadora que gritasse por todos. As letras de "Cão" (disco de estreia) e de "O Monstro Precisa de Amigos" eram perfeitas para compor compilações artesanais de poesia ou até improvisar um manual de sobrevivência que hoje já será folheado com a tranquilidade da nostalgia. 
 
Manel Cruz continua a ser uma das vozes (ou mesmo um dos gritos) dessa geração que foi sobrevivendo às encruzilhadas de dilemas internos revestidos em flanela. O Manel está bem guardado nessa condição, apesar de ser muito mais que isso, se refletirmos sobre a criatividade, arrojo e sensibilidade que tem dado à música, ao longo dos anos, nos vários projetos que assina.

A voz dos Ornatos ouve-se para lá do tempo. Chega a outras idades. Aos irmãos mais novos, aos filhos, aos amigos dos filhos. O que se vai sentir amanhã é muito isto, uma manta de retalhos geracional aos pés de uma banda sem idade.  

Para fazer o "aquecimento" do que vai acontecer, no Passeio Marítimo de Algés, estivemos à conversa com Manel Cruz que gentilmente falou do passado do coletivo do Porto, do custo que a separação da banda teve para todos, do vazio consequente que se instalou e do bom que ficou cristalizado no tempo.

Em relação ao futuro da banda, além dos concertos de celebração do segundo disco, Manel Cruz diz que a ligação que uniu os cinco músicos na altura "é irrepetível", não vendo, por enquanto, grande espaço ou razões para voltar à criação com o selo Ornatos Violeta. "Nós vamos continuar sempre a fazer coisas juntos, um com este, um com aquele", refere, sendo esta a única promessa que o músico deixa aos fãs da banda que, além de Manel Cruz, junta Peixe (guitarra), Nuno Prata (baixo), Kinörm (bateria) e Elísio Donas (teclados).

O fim dos Ornatos em 2002 custou a todos. Aos que os seguiam e aos músicos. Manel Cruz lembra o vazio que ficou depois do final anunciado, ainda que a decisão tenha sido tomada para o bem da amizade que mantinham. Como nos disse, a decisão do fim "demorou tempo a apaziguar". O processo "foi complicado para todos". Os Ornatos eram já a vida que conheciam. 

A primeira reunião dos Ornatos Violeta aconteceu em 2012 com concertos épicos no festival Paredes de Coura, nos Coliseus do Porto e Lisboa e nos Açores.

Manel Cruz aproveitou a conversa que teve connosco para reviver as emoções do primeiro concerto de reunião, em Paredes de Coura. "Na noite, não dormi, de todo. Estive a noite toda a virar, a virar, não sei se dormi se não dormi, aquelas cenas muito estranhas (…), quando íamos para o concerto era quase um sonho, uma cena muito estranha, aquela coisa das expectativas e, ao mesmo tempo, teres a expectativa de não teres expectativa". Pelo que nos contou, a noite foi de nervos para todos os músicos, mas no momento em que se atiraram a 'Tanque', a primeira faixa do disco, sentiram o conforto de estarem bem suportados pelo público que ainda tinha as letras das treze faixas na ponta da língua. Tão bem suportados que os nervos seguiram envergonhados para longe dali

Quem lá esteve viu os Ornatos Violeta "vivos" outra vez. A dose repete-se amanhã no NOS Alive, em Algés. No dia 20, a banda dos cinco bons rapazes vai tocar mais perto de casa, no MEO Marés Vivas, em Vila Nova de Gaia.

 


 

 

 



 
 

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