Um prémio para valorizar os professores

Já estão abertas as candidaturas ao Global Teacher Prize Portugal, prémio que distingue projetos educativos com impacto.

Um prémio para valorizar os professores
Redação

"Bons professores há em todas as salas de aula", garante Jorge Teixeira, professor de Fisico-Química e vencedor da primeira edição nacional do Global Teacher Prize (GTP). O prémio, que chegou no ano passado a Portugal, tem como objetivo valorizar o trabalho dos professores e distinguir projetos educativos com impacto nas escolas e nas comunidades. É o caso do projeto de Jorge Teixeira que lhe valeu, em 2018, o prémio de 30 mil euros.

Afonso Mendonça Reis, fundador da iniciativa Mentes Empreendedoras (promotor do GTP em Portugal) e presidente do júri da edição portuguesa do prémio, explica que a distinção tem "a ambição de um Nobel" mas que, ao mesmo tempo, é muito mais do que um prémio. O GTP foi criado em 2015 pela Fundação Varkey. Com um prémio de um milhão de dólares, o concurso tem como objetivo distinguir professores que desenvolvem um trabalho excecional e contribuir para a valorização da profissão. Na sua primeira edição, o GTP recebeu mais de cinco mil candidaturas, de 127 países.

Foi esse "processo de valorização da educação" que motivou Afonso Mendonça Reis a trazer o prémio para Portugal. Foi desafiado pela organização do prémio internacional a criar uma versão nacional e viu nisso "uma oportunidade excelente para trazer a educação pela positiva para a ordem do dia". A fraca adesão dos professores de países latinos (Portugal, Espanha, países da América Latina…) ao prémio internacional foi também um fator importante na decisão.

Para o GTP Portugal contribuem muitas entidades. Desde logo o parceiro principal, a Fundação Galp, mas também a Federação Portuguesa de Futebol, a Rádio Comercial, a TVI e o Diário de Notícias. A Delta é o patrocinador da iniciativa. Além disso, há a colaboração de entidades locais, como as câmaras municipais. Esta é uma participação importante porque, como explica Afonso Mendonça Reis, "a educação vive muito do seu contexto local".

A edição de 2019 foi lançada esta quinta-feira no Liceu Camões, em Lisboa. Todos os professores podem candidatar os seus projetos. Os alunos e colegas podem também propor docentes que admirem. As candidaturas estão abertas entre 17 de janeiro e 3 de março no site do Global Teacher Prize Award Portugal.

Projetos que fazem a diferença

Foi da Escola Secundária Dr. Júlio Martins, em Chaves, que saiu o projeto vencedor da primeira edição do GTP Portugal. Professor de Fisico-Química há 26 anos, Jorge Teixeira contou com o incentivo da família para submeter o seu projeto a concurso, no ano passado. No Clube de Ciências Experimentais, que funciona em paralelo com a sala de aula, os seus alunos desenvolvem produtos que vão ser aplicados na escola e na comunidade. Já ganharam vários prémios a nível nacional e o impacto na comunidade tem sido grande. Quanto aos alunos, Jorge Teixeira diz que dominam melhor os conteúdos e que, por isso, as notas subiram substancialmente, quer na avaliação ao longo do ano letivo, quer nos exames nacionais.

A reação dos alunos "foi fantástica, porque também foi algo que os valorizou a eles", conta o professor. Jorge Teixeira já tem planos para a parte do prémio destinada ao projeto (85% dos 30 mil euros totais): está a criar um centro de recursos de atividades laboratoriais móveis.

O vencedor de 2018 desafia outros professores a apresentar os seus projetos a concurso. Jorge Teixeira está tão confiante no sucesso das próximas edições que garante que "a segunda edição vai trazer um professor ainda melhor do que a primeira, e a terceira melhor que a segunda".

Ao desafio acederam também as professoras Maria Francisca Macedo, Dulce Gonçalves, Cristina Simões, Maria João Passos e Rosa Maria Oliveira. Foram todas finalistas no ano passado e, apesar de não terem vencido, viram os seus projetos divulgados.

Professora do 1º ciclo em Lisboa, Maria Francisca Macedo aventurou-se numa fusão entre ciência de literatura que resultou numa coleção de livros. A ideia ultrapassou as paredes da escola e hoje o "Clube dos Cientistas" já usado como ferramenta de trabalho por professores de outros estabelecimentos de ensino. A professora primária quer quer os seus alunos "pensem fora da caixa" e desenvolvam assim a sua criatividade.

Completamente diferente é o projeto da professora do ensino especial Dulce Gonçalves. O "Mentes Sorridentes" quer usar o mindfulness para prevenir problemas ao nível da saúde mental. A professora explica que não é fácil porque esta é uma área que suscita dúvidas e, por vezes, descrença. Mas, explica, "faz parte da nossa realidade […] às vezes temos de dar respostas sem que estejamos preparados para isso".

A educação especial trouxe ainda outra finalista à edição de 2018. Cristina Simões ensina em Tondela, no distrito de Viseu, e quer dar melhor qualidade vida aos alunos com necessidades educativas especiais. Construiu uma escala que mede a qualidade de vida de adultos com deficiência mental e adaptou-as aos alunos. Nesta escala, medem-se oito domínios: desenvolvimento pessoal, autodeterminação, relações interpessoais, inclusão social, bem-estar emocional, bem-estar físico, bem-estar material e direitos. Para melhorar estes indicadores, na sala de aula, Cristina Simões trabalha a independência, a participação social e o bem-estar. O projeto, explica, "pretende sacudir mentalidades" e ajudar os alunos a "serem pessoas ativas na sociedade, onde muitas vezes lhes é vedado o direito de ser diferente". A resposta tem sido boa e a professora tem dado formação sobre o tema pelo país.

Na matemática, esse "tendão de Aquiles" dos alunos, a professora Maria João Passos viu na tecnologia uma forma de incentivar os alunos a gostar dos números. No agrupamento de escolas de Freixo, Maria João criou uma aplicação para os alunos exercitarem a disciplina. Nesta plataforma, os pais podem acompanhar a evolução dos filhos. Os resultados não são rápidos mas tem alunos de sucesso. Os alunos incentivaram-na a candidatar-se, assim como os colegas e pais.

As línguas não ficaram de parte. Rosa Maria Oliveira ensina Português e Francês em Ovar. As oficinas de escrita criativa que criou na sua escola valeram-lhe um lugar entre os finalistas do GTP Portugal 2018. Aqui, os alunos criam cenários para desenvolver técnicas de concentração. O objetivo é produzir um livro.