Noite Branca de Braga: a animação não pára; a música não cansa

Foram dois dias de intensa celebração da juventude, da música, da gastronomina, do convívio e de tudo o que é bom.

Daniela Azevedo
04 setembro 2016, 05:45
A quinta edição da Noite Branca de Braga superou as expectativas da organização ao receber mais de 300 mil visitantes ao longo das 48 horas de música, arte e cultura. Os dados são da Câmara Municipal, entidade organizadora do evento, enviados à imprensa.

O presidente da autarquia bracarense, Ricardo Rio, realçou que um dos traços distintivos da Noite Branca de Braga foi «a harmonia que se conseguiu na cidade num ambiente com milhares de pessoas. Sentiu-se que Braga é uma cidade feliz». Rio mostrou-se satisfeito com a grande adesão dos bracarenses ao evento, que não se ficou pelo mero trajar de branco e assistir aos concertos, mas também se notou na elevada afluência das famílias às muitas iniciativas do programa cultural do evento.

A graça da fadista Carminho trouxe ainda maior brilho à primeira noite do evento. 'Pedras da Minha Rua' e 'Saia Rodada' estiveram entre as primeiras opções de um alinhamento rico em temas que o público não só mostrou gostar, como mostrou saber cantar e acompanhar com carinho. Seguiu-se 'Saudades do Brasil', talvez porque é para lá que a fadista se estará a dirigir por estes dias. «Estou a finalizar as gravações do meu novo disco no Brasil. É um disco todo dedicado ao Tom Jobim, que vai sair antes do Natal, e vai ter três participações muito especiais: Marisa Monte, Chico Buarque e Maria Bethânia», disse a fadista à Rádio Comercial.

'Porquê' abriu caminho para 'Chuva no Mar', 'Bia da Mouraria' e 'Senhora da Nazaré'. O concerto não teve momentos mortos, sempre com cada vez mais gente a chegar e a juntar-se à festa. O espectáculo fica marcado por um momento em que a fadista deixa o microfone de lado para se entregar de forma crua e despida de artefactos ao seu público. Ali, num silêncio absoluto, mesmo quem estava bastante afastado do palco conseguiu sentir toda a força desta voz bem portuguesa, naquele que a própria descreveu à Rádio Comercial como um momento muito especial: «É uma sensação arrepiante. É um gigante que pára e sustém o ar para nos ouvir e isso é muito emocionante, é uma energia que não sei explicar. E depois porque foi assim que aprendi a cantar o fado». Houve, ainda, um dueto com Miguel Araújo, o senhor que se seguiu.

'Gostavas de Mim', neste caso com os instrumentos de sopro a valorizarem o espectáculo e uma inusitada versão de 'Dancing Queen', dos Abba, fizeram as delícias dos presentes que também estavam ansiosos por ouvir a 'Balada Astral', 'Rancho Fundo', 'Pica do Sete' e 'Maridos das Outras'. Depois de ter feito um passatempo para escolher uma voz feminina que pudesse fazer as vezes de Luana Martau que, com César Mourão, tem deixado toda a gente derretida à canção 'Será Amor', composta por Miguel Araújo, eis que também em Braga, à semelhança do que já acontecera na Fatacil, uma jovem teve direito ao seu merecido momento de fama ao lado do ídolo.

Debaixo de um manto branco, com toda a gente trajada de acordo com o dresscode pedido, os HMB encheram de energia e boa disposição quem quis começar cedo a segunda noite do evento que marca o ano em que a cidade é capital Ibero Americana da Juventude. «Foi incrível tocar para um mar de gente toda vestida de branco, parece que as pessoas assimilaram melhor a mensagem. Esperamos voltar», revelaram à Rádio Comercial, no final do espectáculo.

Depois de já terem actuado no Theatro Circo, precisamente aqui em Braga, o grupo de hip hop leve e fresco gostou de repetir a passagem pela cidade, embora, desta vez, num contexto diferente e, também eles, a fazerem a apologia do branco quase integral. Os fãs, mais jovens e menos jovens, ouviram e dançaram ao som de grandes sucessos da banda, quer do disco homónimo, editado em 2012, quer de "Sente", de 2014. Singles como 'Feeling', 'Naptel Xulima' ou 'Não Me Deixes Partir - NMDP' ouviram-se na noite de sábado, num concerto que teve transmissão integral em directo pela Rádio Comercial e que fechou com 'Feeling Plus', tema que, na versão mais reduzida, já tinha feito parte do alinhamento. «Estejam atentos. Os HMB estão a trabalhar forte e em Outubro vai sair uma coisa especial e em grande!», acrescentaram à Rádio Comercial.

A dupla Sérgio Godinho e Jorge Palma aqueceu os ânimos a seguir, com a Praça do Município completamente a abarrotar, naquele que talvez tenha sido o pico de gente na Noite Branca 2016. 'Dá-me Lume' e 'Minha Senhora da Solidão' costumam ser dos primeiros temas a serem tocados e também os que geram algum silêncio, de respeito, entre o público.

'Só' também se ouviu ou não estivesse Jorge Palma a preprar os concertos de Novembro e Dezembro (em Lisboa e no Porto) de revisita a um dos discos mais importantes da história da música nacional. É este o espectáculo especial com que Jorge Palma vai assinalar a edição do álbum com o mesmo nome, que este ano completa 25 anos sobre o seu lançamento. Especiais e intimistas, os dois continuaram a agarrar atenções, olhares e ouvidos atentos no desfilar de 'Elixir da Eterna Juventude', 'Frágl' e 'Na Terra dos Sonhos'. Mais à frente, 'Acesso Bloqueado' e 'Deixa-me Rir' divertiram e aliviaram o nó na garganta. Já no encore ouviram-se 'Bairro do Amor', 'Encosta-te a Mim' e 'Brilhozinho nos Olhos'.

A celebrarem 40 anos de amizade, Palma e Godinho parecem continuar a divertir-se em palco. O espectáculo "Juntos" estreou já no ano passado no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, mas o disco e DVD foi gravado em Braga, no Theatro Circo. E a parceria continuou no Avante, ainda neste fim-de-semana. «Tem sido uma experiência deliciosa tocar com esta banda magnífica, superou as nossas expectativas, apesar de normalmente não as termos», comentou Jorge Palma à Rádio Comercial, no final do concerto.

A noite fechou com os Gift.

A diversão ainda se instalou no centro histórico da cidade, aproveitando a segunda parte da festa da Noite Branca 2016 e tirando partido da animação em cada uma das suas ruas decoradas. Os comerciantes também responderam bem à chamada e "pintaram" os seus espaços comerciais. No domingo, um concerto de sinos marcou, efectivamente, o encerramento dos festejos.

Foto: João Correia