Agir na Fatacil. Got it?

Agir trouxe mais de 20 300 fãs à Fatacil, no Algarve, numa noite preenchida de batidas fortes.

Daniela Azevedo
23 agosto 2016, 04:05
Não se sabe ao certo qual é o segredo por detrás do tremendo sucesso que Agir alcançou em pouco mais de um ano desde que estourou no panorama musical mas a fórmula atraiu mais de 20 300 visitantes à Fatacil o que, em noite de uma segunda-feira, se traduz, segundo a organização, num "recorde absoluto".

Influências do mundo invadem-lhe a atitude de palco com muito ritmo e uma batida que, embora não seja novidade, para o público português corresponderá, certamente, a uma manifestação de individualidade nacional neste pop/hip-hop interpretado em modo freestyle por um miúdo que sonhou ser músico mas preferiu fugir a alguns padrões que o próprio meio artístico em que cresceu facilmente lhe cravava no ADN musical.

Os "convidados" de Agir são muitos, embora nem todos ali estejam fisicamente mas, mesmo assim, são aplaudidos a pedido do cantor como se o acompanhassem para todo o lado. 'Ela É Boa' é um desses temas que divide com Kamala e aqui na Fatacil surgiu como o primeiro momento de grande interação com o público. É impressionante a quantidade de crianças com idades entre os 5 e os 12 anos que o veneram e sabem de cor cada frase, de cada canção. Ainda se ouvem, em grande euforia, 'Não Dá', 'Leva-me A Sério', 'Deixa-te de Merdas' e 'Daqui Não Levas Nada'. E porquê tantos duetos, perguntámos. Eis a resposta: «Nada faz sentido se não for partilhado e a música não é diferente até porque estilos diferentes acrescentam valor àquilo que faço. É sempre bom ir para o estúdio com montes de amigos, dá-me um gozo especial».

A tribo jovem urbana identifica-se com ele, com as "cenas" dele e com os momentos de vida que descreve nas suas canções. Presença habitual nos leitores de música desta geração, Agir mostra que tanto se dá bem com os fãs de um lifestyle mais urbano, como também tem dimensão suficiente para ambientes festivaleiros (já abriu o palco principal do NOS Alive, por exemplo) e poder de encaixe para continuar a surpreender o público algarvio que aqui esteve em peso. Continuando nos duetos "virtuais", o concerto também incluiu 'Mountains', o célebre dueto com Carolina Deslandes, que foi mãe há pouco tempo, e 'Maroto' com o parceiro louro dos MGDRV (este aqui presente de carne e osso).

A apoteose chegou com 'Make Up', 'Como Ela É Bela', 'Parte-me o Pescoço' e fechou com 'Tempo É Dinheiro', não sem antes Agir mandar saudações para todos os bombeiros portugueses que, ano após ano, tristemente são mais lembrados pela altura dos fogos. Sobre o sucesso repentino, Agir não dá muita importância: «Ainda bem que as pessoas gostaram do disco, é uma responsabilidade acrescida para fazer mais ainda mas não ponho mais peso do que já tenho, é só continuar a fazer o que estou a fazer», afirmou, em entrevista à Rádio Comercial.

Com os concertos dos Coliseus de Lisboa e do Porto já em mente, e um álbum novo a sair ainda este ano, Agir disse à Rádio Comercial o que é que os fãs podem esperar: «Vão ser concertos um bocadinho maiores e vai ser tudo feito por mim, vai ter um gostinho especial porque é uma produção própria, com as coisas mais feitas à minha maneira».

A Fatacil decorre em Lagoa, no Algarve, até domingo, dia 28, e a Rádio Comercial está cá todos os dias. Nesta terça-feira, às 22h30, é a vez do concerto de Miguel Araújo.

Foto: João Matos