1.º dia de NOS Alive: é isto um festival de verão

Noite bem quente de verão a que arrancou com o NOS Alive deste ano. E fechou com música electrónica.

Daniela Azevedo
08 julho 2016, 07:15
Os festivaleiros habituais já sentiam a falta  de uma noite assim: quente, cheia de gente completamente descontraída e num ambiente invulgarmente dançável num festival que tantas vezes aposta no rock alternativo e sonoridades mais indie.

Perto da meia noite, pouco pano cobre os corpos que dançam descompassadamente mas evocando a liberdade de espírito e atitude que, essa sim, caracteriza este festival. Os Soulwax, de David e Stephen Dewaele, trazem música electrónica vinda da Bélgica, numa playlist contínua, sem pausas, nem espaço para se perceber muito bem que o ritmo já mudou.

O espírito livre da dança e da partilha de um estado de espírito peculiar, está bem patente na letra de ‘E-Talking’, de 2004, do álbum “Any Minute Now”, um dos temas que mais furor fez entre o público: «There's no tension in your dance. As you try and hold my hand. It's not you it's the e-talking». A música tem tanto que se lhe diga que o próprio vídeo no YouTube foi restrito durante algum tempo.

O estilo é semelhante, a noite continua a pedir mais, embora alguns festivaleiros tenham decidido dar a noite por terminada depois da actuação dos Pixies. No palco NOS à 01h00 começa a mesa de mistura com os Chemical Brothers. Os ecrãs, ao invés de mostrarem o que se passa em palco, mostram imagens trabalhadas digitalmente, coloridas e cheias de movimento, com bonecos robotizados que se mexem enquanto os produtores ingleses Tom Rowlands e Ed Simons ditam as regras do “big beat” que os popularizou ao mesmo tempo dos Prodigy e de Fatboy Slim, por exemplo.

‘Do It Again’, de 2007, álbum “We Are The Night” ainda apanha muito público capaz de aplaudir e a reconhecer o tema. É curioso verificar que há muita gente de uma geração menos jovem a desfrutar dos sons que fecham o palco NOS. Afinal, os Chemical Brothers começaram a “fazer coisas” nos anos 90, na altura recorrendo a um sistema Hitachi, um computador, um sampler e um teclado. Londres gostou. O resto da Europa também. Foi carregar no botão e tocar até haver público. O calor foi companheiro de toda a viagem de regresso mais penosa graças ao fecho do túnel do comboio que começa a caracterizar o fim de qualquer festa no passeio marítimo de Algés.

Fotos: Joana Baptista