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Diogo Piçarra teve finalmente a sua noite de sonho

Depois de vários adiamentos, o cantor atuou esta noite na Altice Arena.

Diogo Piçarra teve finalmente a sua noite de sonho
Redação

Diogo Piçarra viveu neste sábado como cantor a noite por que tanto ansiava, o concerto em nome próprio na lisboeta Altice Arena,depois do apagão da covid-19 que obrigou a repetidos e desesperançosos adiamentos.

Aquela que é a maior sala de espetáculos do país estava com a melhor decoração que um artista podia desejar: a moldura humana. Diogo Piçarra retribuiu a enchente com uma entrega total, vários brindes (isto é, momentos especiais) e um aparato cénico com a monumentalidade que privilegia as maiores estrelas pop internacionais.   

Após um pequeno filme centrado na figura de Diogo Piçarra e com um público maioritariamente feminino nas filas da frente, o cantor farense surgiu em palco às 22h13, como se fosse a visão de um super-herói, a cantar sobre um cubo gigante, enquanto irrompiam chamas em palco. Com camisola de alças branca e com todas as tatuagens dos braços bem visíveis, Piçarra abriu o concerto, como se esperava, com 'South Side Boy'.

Logo a seguir, ao som de 'Coração',percebe-se que aquele corrupio de 12 bailarinos não vai largar Piçarra enquanto este estiver no palco principal. Mas em 'Noites', Piçarra canta só à frente de um ecrã gigante onde roda todo o tipo de imagens. Essa tela sobe depois de 'Breve', passando-se a ver o trio que o acompanha
 
Piçarra agradece ao público por estes dez anos de carreira, pouco tempo antes de receber a visita do primeiro convidado, Carolina Deslandes, com quem protagoniza um dueto emotivo e abraçado. Carolina Deslandes quis discursar um pouco, exaltando o orgulho na música portuguesa e não se livrando de gritos da multidão a aclamá-la com o seu nome. 

O público que lotava a Altice Arena não precisava de cábula para cantar todas as letras de cor. Em 'Trevo', Piçarra é dispensado de cantar, passeando pelo palco  com a guitarra acústica, enquanto sorria a ouvir a multidão. No tema 'História', o público cantarolante volta a ser o eco de Piçarra

Diogo Piçarra apresenta depois 'Escuro' como um dos seus temas preferidos do alinhamento da atuação, inspirado na depressão colectiva da covid-19. As luzes apagam-se e a dúzia de bailarinos enverga máscaras típicas da covid.
 
Como se fosse um golpe de ilusionismo, Diogo Piçarra surge no meio da arena, ao lado do espanhol António José, para interpretar ao piano 'A Dónde Vas', E é nesse segundo palco que canta Diogo Piçarra, com o cenário da Altice Arena, pintado de noite estrelada, de telemóveis no ar, no cenário perfeito para o baladeiro ao piano, como voltou a ocorrer no tema 'Paraíso'. Como era uma noite especial, Piçarra aproveitou para recuperar uma pérola antiga que não cantava há mais de dez anos, desde o programa Ídolos: 'Skinny Love' (de Bon Iver). Em 'Volta', o cubo elevador coloca Piçarra a maior altura enquanto puxa pela voz no refrão e um fogo de artifício quase que cai sobre a sua cabeça.
 
O cantor aproveita o reaparecimento no palco principal, para mudar de roupa, para casaco e calças de couro antes de se atirar aos encores, onde se destaca 'Wall of Love', já com a descontração de uma celebração para o final que se avizinhava. Com o arrebatamento, não faltou a selfie do artista com o pavilhão cheio atrás, nem os cânticos futebolísticos - "e salta Altice, e salta Altice, olé", rejubilava o South Side Boy, Diogo Piçarra.
 
No segundo encore, ouve-se 'Tu é Eu', com uma maré de papéis empunhados pela multidão - "you did it" - que Diogo Piçarra finaliza com "I did it". Em 'Futuro', o cantor olha para a bancada à sua direita e dedica o tema às suas "duas rainhas" enquanto roda no grande ecrã um álbum de fotografias da sua mulher e da sua filha. Em 'Monarquia', Piçarra não chamou as suas rainhas,mas um Bispo, o último dos convidados a subir a palco. Quando cantavam os dois, "tudo o que é bom acaba depressa", a frase ganha um significado especial naquele momento, naquele final de concerto. 
 
'Dialeto' foi o tema de fecho, a mobilizar mais labaredas, fogo-de-artifício  e chuvas de fitas e papelinhos, e a provocar um cheiro a explosivos de Carnaval
 
I Did It, mostra outra vez Diogo Piçarra numa folha A4. Na grande tela, a sua imagem de há dez anos, a cantar 'Se Fosse Um Dia o Teu Olhar', de Pedro Abrunhosa, foi o momento final de um concerto que o músico de Faro jamais esquecerá.