Ouça a Rádio Comercial, faça o download da App.

Primeira-Ministra da Estónia diz para não substimar a Rússia

Kaja Kallas está também confiante na adesão da Ucrânia à UE.

Primeira-Ministra da Estónia diz para não substimar a Rússia
Redação

Kaja Kallas, primeira-ministra da Estónia, disse numa entrevista na passada quarta-feira (22) que a Europa deve garantir que aqueles que cometem crimes de guerra e tentativas de genocídio sejam processados. Kallas destacou que o presidente russo Vladimir Putin escapou da punição por anexar a Península da Crimeia, em 2014, e por apoiar uma insurgência na região de Donbas, no leste da Ucrânia, que matou mais de 14.000 pessoas antes da guerra deste ano começar.

A governante salientou ainda que ouviu dizer que "não há mais ameaça porque eles esgotaram a sua capacidade", logo iria ser muito difícil conseguir conquistar Kiev e, por isso, também estão a concentrar-se no leste. 

Kallas adiantou que "eles ainda têm muitas tropas que podem vir (para lutar) – eles não estão a contar as vidas que estão a perder. Eles não estão a contar a artilharia que estão a perder lá. Portanto, não acho que devemos subestimá-los a longo prazo para continuar assim". A primeira-ministra estoniana elogiou a unidade que a Europa mostrou ao punir a Rússia pela invasão que começou em 24 de fevereiro, embora tenha dito que estava claro desde o início que seria cada vez mais difícil com o tempo permanecermos juntos.

Na entrevista, que teve lugar na Stenbock House (um prédio do governo onde ela tem o seu escritório e realiza reuniões de gabinete), a chefe de governo disse que "primeiro, fizemos as sanções que foram relativamente fáceis. Agora passamos para sanções que são muito mais difíceis. Mas até agora, conseguimos a unidade, mesmo tendo opiniões diferentes". Acrescentou que  “isso é normal para a democracia. Debatemos, discutimos e depois chegamos à solução. Até agora, foi uma surpresa negativa para Putin que ainda estejamos unidos”. 

Noutra matéria, mostra-se esperançosa relativamente à candidatura da Ucrânia à União Europeia (UE) apesar das divisões iniciais sobre isso. 

No início deste mês, Kallas, que lidera o Partido Reformista desde 2018 e se tornou a primeira primeira-ministra da Estónia em janeiro de 2021, iniciou conversas de aliença com outros dois partidos e espera-se que eles cheguem a um acordo no início de julho.

Caso contrário, Kallas enfrentará a perspectiva sombria de governar um fraco governo de minoria de partido único até as próximas eleições gerais marcadas para março.

A decisão sobre a candidatura da Ucrânia na UE vai ser conhecida esta quinta-feira.