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Festas de Lisboa regressam à cidade depois de dois anos de paragem forçada

As Marchas Populares também estão de volta, com as primeiras exibições no Altice Arena, nos dias 03, 04 e 05 de junho, a partir das 21:00.

Festas de Lisboa regressam à cidade depois de dois anos de paragem forçadaLUSA
Nuno Castilho de Matos

As Festas de Lisboa regressam às ruas no final do mês, depois de dois anos de paragem forçada devido à pandemia de covid-19, com as marchas a descer a Avenida da Liberdade na noite do padroeiro da cidade.

“Ainda não estamos totalmente livres do vírus, mas já é possível voltar à rua, voltar aos encontros presenciais que o digital nunca substitui na totalidade. Voltamos a um mês em que os bairros e casas regionais como esta [Casa do Concelho de Tomar] se abrem àquilo que a cidade tem de melhor: as suas pessoas”, disse a presidente da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), Joana Gomes Cardoso.

A responsável falava na apresentação das Festas de Lisboa 2022, que vão decorrer, um pouco por toda a cidade, entre 28 de maio e 30 de junho, com marchas populares, concertos, cinema, teatro, exposições e arraiais.

Joana Gomes Cardoso referiu a “ironia de estar a preparar festas quando não muito longe há civis inocentes que estão a ser alvo de extrema violência, a ter de sair de casa” devido à guerra na Ucrânia, salientando que o sentido que encontrou, depois de dois anos de pandemia e agora uma guerra, é que todos valorizem o facto de se poder já festejar.

“Continuarmos a ser ultrapassados pela realidade, depois da pandemia, temos agora uma guerra na Europa […]. Pela primeira vez, por muita vontade que tivéssemos de festejar, houve este peso” durante a organização das festas, no entanto, permitiu-se chamar a estas festas “uma celebração consciente daquilo que está a acontecer solidarizando-nos com as outras pessoas”, salientou.

Joana Gomes Cardoso sublinhou ainda importância das festas, não apenas na dimensão económica, mas também emocional: “o custo emocional de não ter havido por exemplo marchas populares nos últimos dois anos foi, provavelmente, muito superior ao económico, que houve também e que a câmara apoiou”.

Segundo a responsável, a escolha do local da apresentação das festas prendeu-se com o facto de “reforçar a ideia de que as festas de Lisboa são para todos e todas, não são apenas no centro histórico da cidade, só para lisboetas”.

Este ano, as casas regionais da cidade também se juntam ao programa das festas, com ranchos folclóricos, tunas, bombos e fado na Quinta das Conchas, num encontro de dois dias, em 25 e 26 de junho.

Ainda em maio, no último domingo do mês, dia 29, irá decorrer o espetáculo “O que nos une", com o músico e compositor cabo-verdiano Tito Paris a reunir em palco, nos jardins da Torre de Belém, vozes como as de Cremilda Medina, Joana Amendoeira, Paulo Gonzo e Djodje, num concerto que celebra também os 40 anos de carreira.

As Marchas Populares também estão de volta, com as primeiras exibições no Altice Arena, nos dias 03, 04 e 05 de junho, a partir das 21:00.

Depois, na noite de Santo António, de 12 para 13 de junho, as marchas voltam a descer a Avenida da Liberdade, a partir das 21:45, num desfile que será encabeçado pela Marcha Popular de Vale do Açor, convidada desta edição, e com a participação, pela primeira vez, da Marcha Infantil das Escolas de Lisboa.

O fado volta também ao Castelo de São Jorge, palco privilegiado de encontros musicais improváveis, com Ricardo Ribeiro a junta-se ao pianista de jazz João Paulo Esteves da Silva (dia 17) e Teresinha Landeiro a interpretar duetos inéditos com os artistas Agir e Mimi Froes (dia 18).

No feriado do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a cidade vai também ser ‘invadida’ por órgãos do corpo humano – como uma mão e um pé, uma boca, um nariz, uma orelha e um olho – que irão circular, entre 09 e 11 de junho, pelos jardins e praças de Lisboa, numa performance protagonizada pela companhia Snuff Puppets, comunidade de artistas de Melbourne.

Fazem parte ainda do programa das festas, a Festa da Diversidade (18 e 19 de junho), o Arraial Lisboa Pride (25 de junho), CineConchas (fins de semana de julho), Bairro em Festa (20 a 26 de junho), entre outras iniciativas.

O encerramento será na Praça do Comércio com o concerto “Cheira a Lisboa”, numa homenagem aos 100 anos do Parque Mayer, o berço das Marchas Populares.

Em palco estarão a Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a direção do maestro Cesário Costa, acompanhada por Anabela, FF, Katia Guerreiro, Luís Trigacheiro, Lura e Marco Rodrigues, que vão recriar 22 clássicos da música popular com a ‘roupagem’ dos arranjadores Filipe Raposo, Pedro Moreira e Lino Guerreiro.

Este ano voltam também os Casamentos de Santo António, em 12 de junho, com 16 casais a ‘dar o nó’ em cerimónias religiosas e civis e a celebração dos Casais de Ouro que se juntaram em 1972.