Novos radares em Lisboa continuam desligados mas já fazem efeito

Verifica-se uma mudança do comportamento dos condutores na estrada para o cumprimento dos limites de velocidade.

Novos radares em Lisboa continuam desligados mas já fazem efeitoPIXABAY
Redação / Agência Lusa

Os novos radares de controlo de trânsito instalados nas principais vias rodoviárias de Lisboa mantêm-se desligados desde o início do ano, mas têm provocado já "um efeito dissuasor" no comportamento dos condutores para o cumprimento dos limites de velocidade.

"É evidente que só você e eu é que sabemos que eles não estão a funcionar ainda, a maior parte das pessoas em Lisboa não sabe", afirmou o presidente do Automóvel Club de Portugal (ACP), Carlos Barbosa, em declarações à agência Lusa, referindo que só com a instalação das caixas dos radares existe "um efeito dissuasor", com os condutores a abrandarem quando veem os equipamentos.

O ACP está de acordo com a instalação dos novos radares fixos na cidade de Lisboa, tal como a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M) que considera que o investimento nos equipamentos peca por tardio.

ACP e ACA-M afastam ainda a ideia de "caça à multa", mas discordam sobre a forma de implementação do sistema de fiscalização rodoviária.

"A Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados vê com bons olhos estes radares e esperemos que eles funcionem e que o tempo de chegada da multa aos prevaricadores seja o mais curto possível, porque há muitos estudos que apontam que, quanto mais curta a punição ao ato, melhor e mais eficaz é o sistema", declarou Mário Alves, representante da ACA-M.

Ainda segundo Mário Alves, apesar de o excesso de velocidade ser "um flagelo nas cidades portuguesas", o número de multas por milhão de habitantes noutros países da Europa é "cerca de 10 vezes mais" do que em Portugal.

Para o presidente da ACP, os novos radares fixos, da responsabilidade da Polícia Municipal de Lisboa, têm como missões a acalmia e a estabilização do tráfego, para permitir uma velocidade constante nas vias rápidas ou vias de distribuição de tráfego, no sentido de facilitar o escoamento do trânsito e evitar engarrafamentos.

Um dos novos radares está instalado na Segunda Circular, com sinalização vertical a avisar os condutores junto à saída para Benfica, onde também foi alterado o limite de velocidade de 80 quilómetros por hora (km/h) para 50 km/h.

O dirigente da ACP disse ainda que os primeiros 21 radares em Lisboa foram "ridiculamente" instalados, inclusive a seguir a semáforos, como na avenida das Descobertas, esperando que alguns dos equipamentos que foram agora substituídos possam ou ser anulados ou deslocalizados para outras zonas.

Deslocando-se pela cidade de bicicleta, Mário Alves, da ACA-M, escolheu falar sobre os radares na avenida das Descobertas, onde o novo equipamento voltou a ser instalado junto aos semáforos, quase escondido entre as árvores e ainda sem sinalização, próximo do Externato de São José.

Segundo Mário Alves, esta via é "um bom exemplo" da necessidade de "começar a trabalhar muito mais as medidas físicas de acalmia de tráfego".

Mário Alves considerou ainda que, onde há peões e ciclistas que se misturam com o tráfego rodoviário, o limite de velocidade deverá ser 30 km/h, medida que está a ser adotada por outras cidades da Europa, ainda que possa haver exceções como a Segunda Circular e outras avenidas de distribuição do trânsito.

As novas localizações onde foram instalados radares são as avenidas Santos e Castro (dois equipamentos), Lusíada (dois), General Norton de Matos (um), Padre Cruz (dois), Marechal Gomes da Costa (um), da Índia (um), Infante Dom Henrique (dois), Dr. Alfredo Bensaúde (dois), Almirante Gago Coutinho (um), de Ceuta (um), Calouste Gulbenkian (um), Marechal Craveiro Lopes (um), Combatentes (dois) e Segunda Circular (um).

Já os 21 radares a substituir localizam-se nas avenidas da Índia e Brasília (dois), Infante Dom Henrique (dois), de Ceuta (dois), Gen. Correia Barreto (dois), Estados Unidos da América (dois), Marechal Gomes da Costa (um), Almirante Gago Coutinho (um), Eusébio da Silva Ferreira (um), 05 de Outubro (um), da Igreja (um), Cidade do Porto (um), João XXI (um), Afonso Costa (um), Eng. Duarte Pacheco (um), das Descobertas (um) e na Segunda Circular (um).