Hoje é o Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada

A Comissão Europeia revelou esta semana que 18 800 pessoas perderam a vida em acidentes rodoviários no ano passado.

Hoje é o Dia Mundial em Memória das Vítimas da EstradaLusa
Claudia Capela

Foi em 2005 que a Assembleia Geral das Nações Unidas reconheceu a importância de decretar o "Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada", assinalado todos os anos no terceiro domingo de novembro. O objetivo, lembrar quem perdeu a vida ou a saúde em acidentes nas estradas, assim como as suas famílias e os profissionais que diariamente lidam com a realidade da sinistralidade rodoviária.

Uma forma de promover também ações de sensibilização e de prevenir a ocorrência de acidentes e vítimas. Os números continuam a demonstrar uma realidade trágica.

A Comissão Europeia revelou esta semana, em antecipação ao "Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada", que 18 800 pessoas perderam a vida em acidentes rodoviários no ano passado. Ainda assim, as estatísticas finais sobre segurança rodoviária relativas a 2020, indicam uma diminuição anual sem precedentes de 17% em comparação com 2019, mas em grande medida justificada pelo impacto na mobilidade que teve a pandemia de COVID-19.

Apesar da diminuição considerável, os números mostram que não foi cumprido o objetivo da União Europeia (UE), fixado para a última década, de reduzir em 50% o número de mortes. A Comissão Europeia realça agora a importância de todas as partes envolvidas redobrarem os seus esforços para que a UE atinja o objetivo “Visão Zero” – zero vítimas mortais e feridos graves nas estradas até 2050.

No relatório divulgado esta semana, com os dados referentes à sinistralidade rodoviária em 2020, é apresentada uma repartição das mortes na UE em função dos utentes da estrada e dos veículos envolvidos nos acidentes, que mostra que a grande maioria das mortes ocorre em colisões que envolvem automóveis e camiões.

Entre as novas políticas europeias, sublinha-se a evolução no sentido de serem criadas medidas de segurança que vão ao encontro da necessidade em aumentar a proteção dos utentes vulneráveis da estrada, como os peões e os ciclistas.

Em Portugal, hoje é dia de lembrar as 390 pessoas que morreram nas nossas estradas.

De acordo com o relatório de Sinistralidade e Fiscalização Rodoviária da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) do ano 2020, “registaram-se 26.501 acidentes com vítimas no Continente, dos quais resultaram 390 vítimas mortais ocorridas no local do acidente ou durante o transporte até à unidade de saúde, 1.829 feridos graves e 30.706 feridos leves".

Em comparação com 2019, "observou-se uma melhoria" nos principais indicadores de sinistralidade: menos 84 vítimas mortais (-17,7%), menos 472 feridos graves (-20,5%) e menos 12.496 feridos leves (-28,9%), com uma diminuição de 25,8% de acidentes, ou seja, menos 9.203.

Em Portugal, a sinistralidade rodoviária foi fortemente condicionada no ano passado, tal como em toda a Europa e no Mundo, “pelas medidas restritivas da mobilidade” (para conter a pandemia) que tiveram “consequências na redução de 14,4% no consumo de combustível rodoviário em 2020 face a 2019”, refere o relatório da ANSR.

O relatório revela que “a colisão foi a natureza de acidente mais frequente”, mas foi na sequência de despistes (45,9%), em estradas nacionais (34,6%), que se registou o maior número de vítimas mortais. 69,7 do total das vítimas mortais eram condutores de veículos ligeiros, intervenientes em 71,6% dos acidentes.

 

Entre as inúmeras iniciativas que assinalam o "Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada", destaque para o simulacro de um acidente com vítimas que terá hoje lugar na Póvoa de Lanhoso e que vai condicionar a Estrada Nacional 103 durante a tarde. Uma iniciativa da Câmara Municipal da vila, do distrito de Braga.

E em Évora, o seminário “Vítimas da estrada: Lembrar/Apoiar/Agir" que decorreu na sexta-feira, foi uma das iniciativas que antecipou a data, promovidas pela GARE – Associação para a Promoção de uma Cultura de Segurança Rodoviária e pela Estrada Viva – Liga de Associações de Cidadania Rodoviária Mobilidade Segura.