Porto/Post/Doc: em busca de "uma ideia de cinema"

Festival de cinema documental começa neste sábado. Entrevista ao programador Sérgio Gomes.

Porto/Post/Doc: em busca de "uma ideia de cinema"Lindsay Melbourne/filme Ljubomir Stanisic - Coração na Boca
Gonçalo Palma

A 8ª edição do festival de cinema Porto/Post/Doc começa neste sábado, 20 de novembro, e decorre em seis espaços da Invicta ao longo de 11 dias: os habituais Teatro Municipal Do Porto - Rivoli e Cinema Passos Manuel (centrais em toda a programação), e também o icónico Coliseu, o Planetário, a Casa Comum (da Universidade do Porto) e a remodelada Sala Estúdio Perpétuo. "Oferecemos uma programação repleta de cinema e de atividades fora do cinema, como conversas, ou a nossa programação habitual dedicada à música, intitulada Transmission", lembra o programador do festival, Sérgio Gomes.

O festival abrange outras atividades, que aprofundam ou que transportam a cinefilia para outros lados, como sessões de dee-jaying ou masterclasses. "O Porto/Post/Doc parte do cinema documental mas é muito mais do que isso. É também um cinema do real, que tentamos cruzar com a ficção, o cinema em tempo real, a animação e o cinema experimental. Aquilo que nos parece fundamental é que os nossos espectadores que venham assistir às nossas sessões abram uma porta para uma discussão de ideias que sejam importantes para eles", resume Sérgio Gomes.

 

Entre as numerosas secções de programação, como a Competição Internacional ou Competição Cinema Falado, há outra muito especial, que Sérgio Gomes começara por falar, o Transmission, focado nos documentários sobre música. O documentário mais sonante sobre artistas de música em exibição no Porto/Post/Doc talvez seja o "Moby Doc", sobre Moby. "É óbvio que estas âncoras de nomes grandes que as pessoas reconheçam são sem dúvida uma mais-valia. Ao mesmo tempo, tentamos cruzar outros artistas que não são tão conhecidos mas que têm histórias fortes. Este ano temos um filme sobre a Karen Dalton ["Karen Dalton: In My Own Time"], uma artista da folk americana, que é muito apreciada por artistas como Nick Cave, mas que teve uma vida tortuosa e que de certa maneira foi esquecida". A secção Transmission tem um ecletismo musical, que o permite desdobrar-se entre o hip hop das ruas Nova Iorque ["All The Streets Are Silent"] ao punk dos Idles ["Don't Go Gentle - A Film about Idles"], do flamenco ["Nueve Sevillas"] à música clássica ["The Conductor"]. 

 

 

Na área das Sessões Especiais, destaca-se o documentário de Mónica Franco, "Ljubomir Stanisic - Coração na Boca", sobre o chef da ex-Jugoslávia há muito integrado em Portugal, Ljubomir Stanisic. O filme é exibido no Grande Auditório do Rivoli, às 19h00 de dia 21. "O Ljubomir tem uma história bastante forte e impactante. De certa forma, é isso que nos importa. Certamente que será um sucesso". 

 

Pedimos ainda duas sugestões a Sérgio Gomes, para esta edição do Porto/Post/Doc. "Na quinta-feira, dia 25, temos uma sessão que é bastante especial. Não é apenas um filme mas seis curtas-metragens de um cineasta paquistanês radicado na Holanda, o Basir Mahmood, que iremos exibir em contínuo no Passos Manuel, das quatro da tarde até às quatro da manhã. A ideia é o público entrar na sala, vivenciar um pouco o que o Basir tem para contar não só no Paquistão, como na Europa. O Basir é um artista plástico e um realizador que já ganhou múltiplos prémios internacionais, incluindo o Prémio Paulo Cunha e Silva [atribuído anualmente pela Câmara Municipal do Porto a jovens artistas]".

 

Segunda sugestão: "este ano temos o Foco no cineasta norte-americano Theo Anthony. Destacaria o seu último filme, "All Light, Everywhere", que irá passar no Pequeno Auditório do Rivoli, e que fala sobre o peculiar que são as câmaras de videovigilância e o controlo de toda uma população". 


   
Para informações sobre bilhetes e passes, pode ir ao site oficial do Porto/Post/Doc.