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Comissão Europeia anuncia mil milhões de euros para combater desflorestação

Anuncio de Ursula von der Leyen na 26.ª cimeira do clima das Nações Unidas.

Comissão Europeia anuncia mil milhões de euros para combater desflorestaçãoPIXABAY
Agência Lusa

A Comissão Europeia vai apoiar com mil milhões de euros o programa de combate à desflorestação lançado na 26.ª cimeira do clima das Nações Unidas, anunciou hoje a sua presidente, Ursula von der Leyen.

O esforço financeiro europeu, a aplicar a cinco anos, inclui-se no financiamento público e privado de 22,4 mil milhões de dólares (19,3 mil milhões de euros) a anunciar hoje na COP26 e que é considerado essencial para alcançar o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius acima dos valores médios da era pré-industrial.

Falando numa sessão especial sobre desflorestação em Glasgow, onde se realiza a 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, Von Der Leyen comprometeu-se a "reduzir a pegada de consumo europeia nos territórios e florestas", indicando que os "eleitores e consumidores europeus estão a deixar cada vez mais claro que já não querem comprar produtos que provocam desflorestação ou degradação de florestas".

"É por isso que em breve iremos propor regulamentação para travar a desflorestação provocada por interesses da União Europeia", acrescentou, reforçando que "serviços e produtos colocados no mercado [europeu] não devem conduzir à desflorestação".

"As florestas são os pulmões verdes da Terra. Precisamos de as proteger e recuperar", afirmou a presidente da Comissão, salientando que a União Europeia quer dar "um sinal claro do seu compromisso com as mudanças globais para proteger o planeta, em linha com o Pacto Ecológico Europeu".

Da contribuição europeia, 250 milhões de euros irão para a bacia do Congo e serão aplicados em oito países: Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, República do Congo, Guiné Equatorial, Gabão, Burundi e Ruanda.

Servirão para "proteger a segunda maior região de floresta tropical e melhorar as condições de vida para as suas populações", segundo um comunicado divulgado pela Comissão.

Von der Leyen sublinhou que os ecossistemas a proteger são "essenciais para a estabilidade do clima mas também continuam a garantir formas de ganhar a vida para centenas de milhões de pessoas pelo mundo".

"Proteger as florestas é também proteger esse património", referiu.

A comissária europeia responsável pelas parcerias internacionais, Jutta Urpilainen, indicou que a Comissão irá fazer parcerias com "governos, sociedade civil, povos indígenas e setor privado", orientada pelos objetivos de desenvolvimento sustentável definidos pelas Nações Unidas.

Mais de 100 líderes mundiais chegaram a um novo acordo para parar e reverter a desflorestação e degradação do solo, a que se juntará a União Europeia.

Embora acordos semelhantes tenham sido alcançados antes, desta vez estão entre os signatários os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, e da China, Xi Jinping, líderes das duas maiores economias do mundo.

A declaração também foi subscrita pelos líderes dos países com as maiores áreas de floresta do mundo, a República Democrática do Congo, Papua Nova Guiné e Brasil, cujo presidente, Jair Bolsonaro, recusou até agora comprometer-se com a proteção da floresta amazónica.

Portugal, Angola e Guiné-Bissau estão também entre os mais de 100 signatários, representativos de mais de 86% das florestas mundiais, entre as quais a floresta boreal do Canadá, a floresta amazónica ou ainda a floresta tropical da bacia do Congo.

Numa das sessões de hoje da 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), os dirigentes de mais de 30 instituições financeiras irão também comprometer-se a não investir mais em atividades ligadas à desflorestação.

Atualmente, quase um quarto (23%) das emissões mundiais de gases com efeito de estufa provém de atividades como a agricultura e a indústria madeireira.

Este novo compromisso faz eco da “Declaração de Nova Iorque sobre as florestas”, de 2014, quando muitos países se comprometeram a reduzir para metade a desflorestação em 2020 e a pôr-lhe fim em 2030.