NO AR:

Encontrado exemplar inédito de carapau com cor laranja ao largo de Sines

Investigadores do Instituto Politécnico de Leiria falam numa anomalia genética.

DR
Agência Lusa

Investigadores do Instituto Politécnico de Leiria anunciaram hoje a descoberta inédita, ao largo de Sines, de um carapau com cor laranja, uma anomalia genética conhecida em outros peixes, mas registada pela primeira vez nas mais de cem espécies de carapau.

“Trata-se de uma anomalia genética semelhante ao albinismo, que se designa por ‘xantismo’ e que se caracteriza pela ausência ou inibição de células responsáveis pela pigmentação escura (melanóforos), dando lugar a outras, responsáveis por pigmentação amarela (xantóforos)”, explicou o biólogo Nuno Vasco Rodrigues à agência Lusa.

O fenómeno já tinha sido registado em algumas espécies de peixe, apresentando parte ou todo o dorso numa coloração alaranjada, mas foi agora registado, pela primeira vez em todo o mundo, num exemplar de ‘Trachurus mediterraneus’, uma das mais de cem espécies de carapau existentes.

Neste caso, o dorso do carapau é todo alaranjado, sendo por isso um caso de xantismo total.

Nuno Vasco Rodrigues explicou que “por os carapaus serem peixes oceânicos pelágicos (vivem em água aberta e não junto ao fundo) e serem presa habitual de outros peixes, apresentam uma zona dorsal escura, para se confundirem com o fundo do mar e não serem detetados pelos predadores e presas quando vistos de cima, e a zona ventral clara, sendo difícil a deteção quando observados por baixo (confundindo-se com a luz vinda da superfície)”.

Peixes xânticos são conhecidos em ambientes controlados, como é o caso da aquacultura, onde não há predadores e a probabilidade de sobrevivência é maior, e o biólogo apontou que "essa condição pode ser mais frequente do que se pensa, mas os exemplares de cor laranja são muito cedo predados e não sobrevivem”.

O carapau laranja surgiu em capturas efetuadas em 2018 por pescadores de Sines e foi dado a conhecer aos investigadores.

O estudo dos biólogos Nuno Vasco Rodrigues, Frederico Almada, do Instituto Politécnico de Leiria, e Simão Santos, do Oceanário de Lisboa, foi submetido à revista científica ‘Cahiers de Biologie Marine’ e já foi aceite, aguardando-se a sua publicação em novembro.