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Portugueses compram mais de mil toneladas de embalagens desnecessárias

O sobre-embalamento inclui inúmeros produtos como latas de conserva, legumes ou pasta de dentes. 

Pixabay
Tânia Paiva

Para combater o enorme desperdício diário e apelar às marcas para que coloquem no mercado soluções mais sustentáveis, a DECO - Associação de Defesa do Consumidor - lançou a ação #ExigoForaDaCaixa devido à quantidade de embalagens que consumimos de forma desnecessária e que têm um grande impacto no Planeta. 

A organização revela em comunicado que foi às compras e adquiriu um cabaz de produtos das principais categorias que são geralmente compradas. Se todas as famílias fizessem a aquisição deste conjunto de produtos, pelo menos uma vez, seriam 1050 toneladas de embalagens desnecessárias, na prática é lixo que equivale ao peso de 175 elefantes.

A lista de produtos com sobre-embalamento é extensa, desde latas de conserva, legumes ou outro tipo de frescos, pasta de dentes, bolachas, etc. A maioria das embalagens, 86%, são de papel ou cartão e vão diretamente para o lixo antes de o produto ser sequer consumido. 

Para além da preocupação ambiental, ou seja, a necessidade cada vez mais urgente de poupar matérias-primas e recursos naturais, a DECO considera que a redução destas embalagens traria benefícios para os consumidores, ou seja, poderia representar uma “diminuição de custos dos produtos desde a origem até à venda, através da otimização do transporte e do armazenamento de stock – ganhos que se poderão refletir numa descida de preço para o consumidor final”, defende a associação.

Elsa Agante, responsável da área de Sustentabilidade da DECO PROTESTE, afirma que “existem muitos produtos em que as segundas embalagens são completamente desnecessárias porque na verdade não são essenciais ao nível da preservação ou proteção dos produtos e exigem o consumo de mais recursos naturais e de energia na produção, transporte e distribuição, acabando por serem descartados, muitas vezes, mal chegamos a casa”.

A ação foi lançada para convidar os portugueses a juntarem-se à iniciativa “ExigoForaDaCaixa, mas sobretudo para apelar soluções e uma mudança das práticas atuais às marcas.“É possível reduzir os impactos ambientais associados aos produtos que compramos, se trabalharmos junto das  marcas para que estas abandonem esta prática e com o governo para que o regule. Será também importante relembrar as marcas que as embalagens excessivamente grandes, que apenas servem para questões de marketing, devem ser abandonadas porque aumentam o impacto ambiental dos produtos”, defende Elsa Agante. 

A ação exijoforadacaixa.pt possibilita a partilha de exemplos de sobre-embalamento por parte dos consumidores que podem através do carregamento de fotografias dos produtos em causa no site da iniciativa.  

A DECO elaborou ainda uma lista de 10 soluções destinadas às marcas para acabar com este desperdício e com uma prática que em nada contribui para o objetivo comum de tornar o Planeta mais sustentável: 

1. Trabalhar com as marcas para que otimizem a forma como incluem informação obrigatória no seu produto. Por exemplo, colocar essa informação na embalagem primária ou em rótulos desdobráveis colados a ela.  

2. Sempre que possível, eliminar o embalamento de frutas frescas e vegetais frescos, contribuindo para a redução dos resíduos e do desperdício. 

3. Otimizar os produtos em embalagens grupadas  ou multipack (como iogurtes ou bebidas), criando ligações mínimas entre cada embalagem individual de modo a reduzir a quantidade de plástico ou cartão. 

4. Eliminar a utilização de embalagens secundárias em produtos em que não há qualquer valor acrescentado. 

5. Banir progressivamente as embalagens que recorram ao uso de diferentes tipos de materiais (por exemplo, embalagens que misturam plástico e papel, como as pen drives e fones). Os produtores deverão optar por embalagens feitas de apenas um material, para facilitar a sua reciclagem. 

6. Uniformizar o tipo de embalagens colocadas no mercado, cumprindo as normas de ecodesign definidas para cada tipo de produto, de modo a assegurar que não são usados materiais com impacto negativo na triagem e reciclagem. 

7. Adaptar a capacidade de embalagem à quantidade / volume de produto embalado, exceto nas situações em que de forma comprovada seja necessária uma embalagem extra para efeitos de conservação. 

8. Possibilitar a venda a granel de produtos sem necessidades especiais de conservação (por exemplo produtos de limpeza e alimentos como café em grão e leguminosas secas). 

9. Promover a reutilização de embalagens secundárias e terciárias ao nível de transporte e armazenamento, sempre que for possível. 

10. Definir limites mínimos para incorporar material reciclado na produção de embalagens, exceto quando a conservação do produto não o permita.