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Orcas interagem com bote junto ao Porto de Sines

Um grupo de orcas foi filmado a interagir com um bote de uma embarcação e os tripulantes falam em "comportamento preocupante".

Facebook/Miguel Lacerda
Redação

Um grupo de orcas foi filmado, no passado domingo, a interagir com um bote que ia a reboque de uma embarcação. 

O momento aconteceu à saída do Porto de Sines, quando a embarcação rumava em direção a Sesimbra e não só assustou como também intrigou os tripulantes. É que, normalmente, o alvo das orcas é o leme e desta vez foi também o pequeno bote. 

"Mais preocupante este comportamento, quando o leme já não é só o foco das orcas", lê-se na legenda do vídeo partilhado na rede social Facebook.

 

 

Nos comentários, o autor do vídeo, Miguel Lacerda, presidente da Cascaisea, admite em resposta a outros comentários que "desta vez no La Poste abusámos, daí o comportamento agressivo".

O autor relata também alguns episódios com orcas e outras espécies de cetáceos: "noutros locais, já tentei parar o barco e saltar para dentro de água (para as fotografar), sempre que o fiz (havia crias por perto) estas afastaram-se, nunca vi da parte destes animais qualquer interesse em atacar. Quando nos colocamos dentro de água (em apneia, como tenho feito) as orcas percebem perfeitamente que ali estamos, somos vulneráveis, no entanto nunca consegui uma grande aproximação (há locais onde elas permitem a interação e a aproximação, como no Ártico).

Tenho uma má experiência com um grupo de baleias-piloto, quando navegava no mediterrâneo no iate maxi “La Poste” em 1992. Mergulhámos e seguimo-las durante algum tempo, fomos demasiado invasivos e havia crias por perto. Uma das baleias-piloto (um animal grande porte) aproximou-se do barco e deu uma pancada com a cauda com muita força na amura de estibordo, mexeu com o barco (um 80 pés...) Entendi a mensagem, saímos da água de imediato… e nunca mais fui invasivo com cetáceos, opto por parar a embarcação, mergulhar junto desta e esperar que a curiosidade dos cetáceos permita uma aproximação."

Miguel Lacerda chama ainda a atenção para a importância de respeitar o espaço destes animais: "Tive também uma outra experiência com um grupo de cachalotes, mergulhei e nadei para junto de uma cria recém-nascida (com cerca de 4 metros), quando estava encostado à cria (a fotografar) levei um “chega para lá” com o dorso de um cachalote adulto… Hoje há muitos telemóveis no mar, há uma enorme vontade em registar imagens e partilhar, isto leva a muitos comportamentos inadequados, negligentes e invasivos."