Rato farejador de minas reforma-se

Após cinco anos a farejar minas terrestres e engenhos por explodir no Camboja, o rato Magawa vai reformar-se.

PDSA via AP,
Redação
07 junho 2021, 12:49

O rato gigante africano foi o roedor mais treinado, supervisionado e bem-sucedido da história da organização sem fins lucrativos belga, APOPO, para encontrar minas terrestres e alertar os treinadores para que os explosivos que encontrasse pudessem ser removidos em segurança. 

Em 2020, Magawa chegou a ganhar um prémio do governo britânico por bravura animal - uma honra que, até agora, era exclusivamente reservada a cães, avança a agência notíciosa Associated Press. 

"Embora ainda esteja de boa saúde, atingiu a idade da reforma e está claramente a começar a abrandar. Chegou a hora", disse Lily Shallom, porta-voz da APOPO.

De acordo com APOPO, Magawa foi responsável pela ‘limpeza’ de mais de 141 mil metros quadrados de terra, o equivalente a cerca de 20 campos de futebol, farejando 71 minas terrestres e 38 artigos de artilharia por explodir.

Enquanto muitos roedores costumam ser treinados para detetar determinados cheiros e trabalhar em tarefas repetitivas em troca de recompensas alimentares, a APOPO determinou que os ratos gigantes africanos se adequavam melhor à detenção de explosivos. Não só pelo seu olfato apurado, mas principalmente pelo seu tamanho lhes permite caminhar através dos campos de minas sem desencadear os explosivos - e fazê-lo muito mais rapidamente do que os humanos.

Magawa faz parte de uma espécie de ratos criados para este fim. Nasceu na Tanzânia em 2014 e, em 2016, mudou-se para a cidade de Siem Reap, no Camboja, para iniciar a sua carreira de farejador de explosivos.

Durante a reforma Magawa irá ficar na mesma jaula e terá a mesma rotina diária, mas não irá regressar aos campos minados.

“Ele será alimentado com a mesma comida, terá o mesmo tempo para brincar todos os dias e fará exercícios regulares e controlos de saúde. Ele come principalmente fruta e vegetais frescos, com suplementos de com pequenos peixes secos ao sol. Durante 20-30 minutos por dia é libertado para uma jaula maior com uma caixa de areia e uma roda para correr”, afirmou Lily Shallom.