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Imagens mostram bebé a ser salvo pelas autoridades em Ceuta

Guardia Civil salvou várias crianças que estavam entre os milhares de migrantes que chegaram, nos últimos dias, a Ceuta.

TWITTER DA GUARDIA CIVIL
Redação

As imagens que chegam da praia do Tarajal, em Ceuta, com o desespero de milhares de migrantes vindos de Marrocos que tentam alcançar terra firme, estão a correr mundo.

A imprensa espanhola tem descrito várias situações limite vividas nos últimos dias. Os migrantes marroquinos e de outros países da África subsariana procuram no enclave espanhol uma saída "para a sua situação económica ruinosa agudizada pela pandemia", descreve o El País.

Entre as imagens que têm sido partilhadas por fotógrafos profissionais, por locais e por instituições há uma que tem chamado mais a atenção: a imagem de um bebé que foi salvo por um agente da polícia espanhola. Informações da Guardia Civil, citada pela imprensa espanhola, dão conta de que o bebé de dois meses encontra-se bem.

Juan Francisco é o nome do agente do Grupo Especial de Atividades Submarinas da Guardia Civil que segura com as duas mãos um bebé de meses que estava numa bóia, evitando que ele se afogue.

 

 


Esta é uma entre dezenas de menores que têm chegado pelo mar até Ceuta com as suas famílias, tal como explica no twiter a Guardia Civil.

 

 

As imagens dos fotojornalistas que estão no terreno mostram as situações complicadas vividas no terreno. Entre elas, há também um abraço emocionante entre um migrante marroquino e uma voluntária da Cruz Vermelha em Ceuta. Esta imagem é da agência internacional Associated Press:

 

 

E o vídeo que mostram a exaustão física e psicológica do jovem:

 

 

 

Entretanto, a polícia marroquina encerrou esta quarta-feira a passagem de fronteira de Tarajal, interrompendo o êxodo migratório que nos últimos dois dias permitiu que 8.000 migrantes ilegais entrassem em Ceuta, noticia a agência de notícias EFE.

 

 

 

Na terça-feira, centenas de pessoas concentraram-se em frente à passagem de Tarajal, aproveitando qualquer distração policial ou qualquer oportunidade para cruzar a fronteira.

Hoje, as pessoas estão a fazer o caminho inverso, para o sul, depois de se convencerem de que os acessos estão mesmo encerrados.

Como a EFE pôde verificar, o último pontão que separa Ceuta de Castillejos (por onde entraram milhares de pessoas nos últimos dias) está vazio, enquanto os migrantes que entraram em Ceuta estão a ser devolvidos a Marrocos.

Forças antimotim marroquinas não permitiram que ninguém se aproximasse do pontão, apesar das tentativas ocasionais de grupos de pessoas de avançar.

Segundo depoimentos recolhidos de candidatos à migração que pernoitaram no local, as autoridades marroquinas não lhes permitiram subir a colina para tentar entrar na parte mais próxima do bairro El Príncipe.

Até ao momento, o Marrocos aceitou o retorno de 4.800 pessoas, cerca da metade das pessoas que entraram entre domingo e terça-feira em Ceuta.

Cerca de 1.500 menores não acompanhados encontram-se provisoriamente acolhidos em Ceuta.

Ceuta e Melilla, as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África, são regularmente palco de tentativas de entrada de migrantes, mas a maré humana que ocorreu desde segunda-feira não tem precedentes.

A origem desta última crise entre Espanha e Marrocos está relacionada com a permanência em Madrid do secretário-geral da Frente Polisário, Brahim Ghali, por motivos de saúde.

A Frente Polisário, considerada como um grupo terrorista por Rabat, reivindica o direito à autodeterminação no Saara Ocidental, território que foi colónia espanhola e posteriormente ocupado pelo Marrocos.

O governo espanhol convocou o embaixador de Marrocos em Madrid para exprimir "insatisfação" sobre a abertura das fronteiras que provocou a entrada em Ceuta de milhares de pessoas. 

Entretanto, Marrocos chamou a embaixadora em Madrid para "consultas" em Rabat.