Turismo de Lisboa precisa de apoio para retomar atividade

Diretor geral considera que a recuperação turística na cidade está dependente desses novos incentivos.

Agência Lusa
18 maio 2021, 09:36

 O diretor geral do Turismo de Lisboa considerou hoje que a recuperação turística na cidade está dependente da existência de um programa de apoio à retoma das empresas, que sobreviveram à pandemia com "muitas dificuldades".

Vítor Costa, também presidente do Turismo da Região de Lisboa, realçou que as empresas relacionadas com o turismo estão a sobreviver “com muitas dificuldades" à pandemia, utilizando as suas reservas de anos anteriores, mas que “já foram completamente consumidas”, e porque existiram “apoios públicos que foram extremamente importantes”.

“Existiram alguns [programas] para esta fase da pandemia e também será necessário que existam para a fase da retoma, para as empresas conseguirem retomar as suas atividades e manter os postos de trabalho”, acrescentou, sublinhando que em Lisboa “a retoma depois da pandemia será um pouco mais lenta” do que noutras zonas turísticas do país, mas é preciso “confiar que ela vai acontecer”.

“Se não fossem os apoios ao emprego ou ao ‘lay off’, as moratórias, tinha tudo desaparecido”, acrescentou.

Vítor Costa destacou que o turismo tem “um ecossistema empresarial de muitas empresas, muito variadas”, desde as que asseguram os serviços essenciais do turismo às que asseguram a boa experiência dos turistas.

“Se chegássemos ao fim deste processo de pandemia e não tivéssemos o tecido empresarial no seu essencial – e muitos projetos vão ficar pelo caminho, com certeza -, tínhamos de começar do zero em termos de turismo e isso era uma questão estrutural muito relevante e dificilmente conseguiríamos”, realçou.

Com o fim da emergência pandémica, as empresas têm agora um novo problema: “é preciso voltar a abrir a porta e tirar as teias de aranha e isso tudo tem custos e implica uma nova responsabilização das empresas”, afirmou.

“É preciso começar a pagar tudo, ainda por cima acrescido daquilo que foram as responsabilidades que foram sendo adiadas durante este período, as dívidas projetadas para o futuro, moratórias, novas dívidas contraídas nos apoios que foram dados, etc. E, portanto, tem de haver da parte pública um programa forte para permitir apoiar as empresas e o emprego durante um período mais alargado até voltarem os clientes”, defendeu.

“Todos estamos à espera de um plano de recuperação para o turismo e, portanto, se ele não existir, o turismo não terá condições de resistir”, concluiu.

Vítor Costa considerou não ter grandes expectativas para o turismo na capital no próximo verão, considerando que a recuperação do setor na cidade vai ser lenta e apenas deve surgir a partir de 2022, para atingir os números que registava antes da pandemia, em termos globais, em 2023 ou 2024.

No entanto, espera que o próximo verão turístico em Lisboa deve melhorar em relação aos primeiros meses do ano, embora não seja esperado “um verão excecional”.

Além da manutenção das empresas, Vítor Costa sublinhou ainda que a retoma do turismo de Lisboa depende de outros fatores, como de um trabalho de dinamização da procura de mercados e da resolução de “algumas questões aeroportuárias imediatas”, como a “incapacidade no aeroporto durante a pandemia” de gerir situações como uma recente, em que a chegada de voos ao mesmo tempo e as novas exigências sanitárias provocaram aglomeração de pessoas e demora prolongada.