Um ano confinados: 20 profissionais desafiados a ver o lado positivo

A 18 de março de 2020 o país entrou, pela primeira vez, em confinamento devido à pandemia. Um ano depois reunimos testemunhos de vários profissionais que nos mostram que nem tudo foi negativo ao longo destes 12 meses.

Redação
18 março 2021, 05:55

No dia 18 de março de 2020 foi decretado o 1º estado de emergência em Portugal por causa da pandemia. O país ficou em casa. Ao longo destes 12 meses o país foi fechando e abrindo, mas quase sempre numa tónica de mais resguardados e em casa do que "na rua". O trabalho readaptou-se, uns negócios sobreviveram, outros reajustaram-se e outros deixaram de fazer sentido (será que regressam?). Dentro de toda esta montanha-russa há vidas e profissões.

Será que é possível retirar alguma coisa de positivo deste ano de pandemia e confinamento?

Desafiámos uma série de profissionais de diversas áreas, uns bem conhecidos e outros mais anónimos, para fazerem um exercício, à partida, difícil: olhar para "o copo meio cheio".

O valor da família, a aprendizagem, a readaptação e as novas rotinas são alguma questões apontadas nos 20 testemunhos que reunimos. Mas há muito mais:

Gustavo Carona, é médico intensivista no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos. É um dos muitos rostos a representar os profissionais de saúde que estão na linha da frente de combate a esta pandemia. Apesar de admitir que este último ano foi mau e triste, este médico consegue destacar como positivo a união que sentiu entre profissionais de saúde, as diversas ações de soliedariedade que foi testemunhando e reconhece, como um dos pontos mais positivos, os avanços que se alcançaram na ciência. 

Filipe Albuquerque, o piloto português que conquistou os títulos de Campeão Europeu e Mundial de Resistência em 2020, vê como positiva a adaptação que teve que fazer entre a vida pessoal e profissional, assume que nunca tinha passado tanto tempo com as filhas e "que isso foi muito bom". Uma adaptação que conseguiu fazer naquele que foi o melhor ano da carreira desportiva do português. 

 

César Mourão, humorista e ator, não esquece o impacto brutal que esta pandemia teve para quem trabalha no setor da cultura. Ainda assim, confessa que ganhou tempo para coisas que antes nunca tinha conseguido fazer. Uma delas, a dedicação à música, um hobby que adora e que agora pretende manter.

 

Ana Cristina, tem 54 anos e é educadora de infância. Neste testemunho, destaca a aprendizagem que teve que fazer, rapidamente, para conseguir chegar às crianças através das ferramentas online. Confessa que foi um desafio, mas garante que sai deste confinamento com o desafio superado.

 

Paulo Galindro, é ilustrador e autor de diversos livros ilustrados, feitos em parceria com alguns dos mais importantes escritores nacionais e estrangeiros. Confessa que a pergunta "o que há a retirar de positivo deste ano de confinamento" é difícil, que à partida parece não ter uma resposta quando nos é colocada, mas que essa resposta acaba por aparecer, porque nem tudo foi mau. Diz-nos que o mais positivo foi o tempo que ganhou…para tudo! Uma delas foi, finalmente, ter tempo para começar a aprender a tocar um instrumento, depois de anos e anos a adiar essa vontade.

Henrique Silva é dirigente desportivo, atualmente é coordenador da formação do Clube Desportivo Cova da Piedade, em Almada, onde centenas de crianças estavam habituadas a jogar à bola em equipa. Henrique Silva diz que a criatividade e o envolvimento emocional que foi necessário criar com as famílias dos jogadores é o mais positivo que consegue retirar deste ano de confinamento.

 

O Intendente Nuno Carocha, porta-voz da Polícia de Segurança Pública, destaca dois aspetos positivos de um ano que admite ter sido muito difícil para todos. A solidariedade que a PSP presenciou entre vizinhos para atenuar a distância a que estavam obrigados a manter das suas famílias e amigos. Nuno Carocha diz que houve também uma valorização do afeto, algo que antes era dado como garantido e que agora passa a assumir um papel determinante entre as pessoas.

 

Valter Hugo Mãe, é escritor e um dos mais destacados autores portugueses da atualidade. Retira como positivo a vontade que se ganhou de se regressar ao mundo com vontade de fazer melhor, procurando não repetir os mesmos erros. "Eu tenho a sensação que essa poderá ser a grande oportunidade que nos é dada. Essa vontade, não só de regressarmos ao encontro, mas de regressarmos a um encontro melhor, fazendo uma certa revisão e buscando um Mundo que procura não repetir os mesmos erros". 

 

Isabel Ferreira, secretária de Estado da Valorização do Interior. É também uma investigadora premiada, que destaca a velocidade da ciência, em tempos de pandemia. Considera que foi importante a forma como a atenção ficou centrada na ciência e na investigação. Nunca antes a ciência falou tão proximamente para as pessoas, e nunca antes as pessoas se sentiram tão próximas dela.

 

Luís Barbosa tem 16 anos, é estudante. Foi o melhor aluno do 9º. Ano, em Aljezur, no último ano letivo (está agora no 10º ano) e confessa que ganhou tempo para arranjar novas rotinas. O confinamento permitiu-lhe tirar um curso de programação, online, que o fez mudar as ideias que tinha para o futuro profissional. Confessa que o confinamento não lhe custou "assim tanto", porque sempre gostou de passar mais tempo em casa do que na rua.

 

Rui Oliveira, fotojornalista, venceu um prémio internacional em plena pandemia, o POY Latam – Pictures of the Year International - o concurso internacional de fotojornalismo mais antigo do mundo. Venceu este prémio com um trabalho feito no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, no início da pandemia. Rui Oliveira diz que esta distinção é uma das notas mais positivas para estes últimos 12 meses de confinamento, mas acrescenta que o tempo que teve para se dedicar à fotografia, a novas técnicas e à família, acabaram por se tornar o “copo meio cheio” de um ano de confinamento.

 

Luís Pardelha é promotor de eventos e dirigente da Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos. Assume que “encontrar algo de positivo nestes 12 meses de confinamento é algo quase impossível”. Mas conseguiu fazê-lo: a onda de solidariedade para com a cultura e a capacidade que o setor vai ter de olhar para a frente, de uma forma mais planeada, do que alguma vez foi feito antes desta pandemia, são as principais lições positivas a retirar.

 

Sónia Moreira é professora e vencedora do “Global Teacher Prize 2020”. Foi considerada a melhor professora de Portugal em 2020, em plena pandemia. Só por isso, foi um ponto positivo que destaca nestes 12 meses de confinamento. Além disso, encara como positivo o facto de poder ver amigos que não via há bastante tempo, à distância, e ter conseguido estar mais tempo com a família.

 

Pedro Abrunhosa, músico, considera que a cultura saiu reforçada. O artista diz que uma das coisas mais positivas foi a música ter encontrado novas formas de comunicação e novos públicos.

 

Nelson Pereira é coordenador do Serviço de Urgência para a resposta Covid-19, do Hospital de São João, no Porto. Este médico destaca como positivo a união que ficou ainda mais reforçada na equipa com quem trabalha e a consciência da importância do Serviço Nacional de Saúde. 

 

José Avillez, é Chef de cozinha e empresário. É o único português na lista dos 100 melhores Chefs do Mundo e conquistou duas estrelas Michelin, através do Chef do Belcanto, em Lisboa. Considera que com tantas dificuldades, a equipa ficou mais unida. Mais importante, conseguiu ver os filhos crescer.

 

Um Padre novo de idade, 27 anos, para tantas paróquias das gentes mais velhas. O Padre Rui Araújo, das paróquias de Arco de Baúlhe, Vila Nune e Faia, em Cabeceiras de Basto
destaca como positivo o facto da igreja se ter reinventado através das redes sociais para chegar aos fiéis.

 

Carlo Monteiro é consultor imobiliário e admite que a pandemia agitou este setor. Faturou mais de um milhão de euros a vender casas em 2020. Ainda assim, diz que o mais positivo destes 12 meses foi a aprendizagem e admite que tinha quase tudo como garantido, e aprendeu com isso.

 

Jorge Duarte, profissional de Exercício Físico, um dos representantes da Technogym. Tem uma profissão onde a proximidade física é sempre muito importante, destaca como positivo o tempo que ganhou com a família, a superação e a imaginação para chegar aos alunos através de aplicações online.

 

Alexandra Guerreiro, gestora operacional de autoestrada (BRISA). Tendo em conta que se trata de um serviço de primeira necessidade, nunca confinou com a equipa e colegas de trabalho. Sublinha de positivo a rápida adaptação aos novos métodos de trabalho, em segurança, para que nada deixasse de funcionar.