Nova canção de Syro já se ouve

A música chama-se 'Casa'. Entrevistámos o artista a esse propósito.

DR - capa do single 'Casa' (cortesia da Sony Music)
Redação
14 janeiro 2021, 09:13


Foi publicada esta manhã a nova canção de Syro, de título 'Casa', e o respetivo vídeo. 

 

Syro destacou-se no ano passado através de temas como 'Acordar' ou 'Perto de Mim'. Os seus vídeos alcançaram também números elevados de visualizações, sobretudo 'Perto de Mim', a fazer uma tangente aos 7 milhões de views no YouTube.

Entrevistámos o Diogo, o músico que personifica esta personagem de Syro, onde nos conta muita coisa sobre o novo tema 'Casa', sobre o que pretende fazer em breve e sobre quem é ele mesmo.

Pode descrever o espírito do teu tema, 'Casa'? Essa casa é no Barreiro?
Este tema Casa é como um recuar no tempo, para o passado, numa altura da minha vida em que me via dividido entre várias casas e na verdade nenhuma onde pudesse ficar realmente, como um porto seguro. Nessa altura, andava em digressão como baterista e estava dividido entre a casa do meu pai, da minha mãe, da minha ex-namorada e de muitos quartos de hotel. Dormia num sítio diferente todas as noites, dependendo do que estivesse a fazer. Também poderia ser em estúdio, porque estava muito no estúdio na altura, a gravar um disco de um projeto antigo. O que acontecia é que eu tomava um duche numa dessas casas e descia até ao meu carro, onde tinha a maioria da minha roupa no porta-bagagens. Eu trocava de roupa no carro e seguia a minha vida. Foi um bocado nesse sentido que escrevi o tema 'Casa'. Como diz o refrão, e muito bem: "dei voltas à casa sem saber morada onde ficar". É esse o espírito que me levou a pensar nisso e a materializá-lo numa canção.   

Por estranho que pareça, agora que acontece o confinamento, este tema vem na altura certa?
Não sei se este tema vem na altura certa. À semelhança dos meus colegas de profissão, há tanto arte que temos para exprimir que a temos que pôr cá para fora. Em tempos estranhos e cinzentos como estes que temos vivido, é muito importante continuarmos a fazer o que melhor sabemos, que no meu caso é a música. O título 'Casa' não foi de todo propositado e preparado para este novo confinamento, que é uma repetição do que já se viveu no passado. Se calhar, por coincidência, encaixa nos tempos que estamos a viver.

Fale-me do vídeo de 'Casa'. Acha que vai ter também sete milhões de visualizações?
Foi um vídeo que me meu muito gozo e que tem a peculiaridade de ter sido rodado num só take, do início ao fim da canção, sem qualquer corte, com várias personagens a entrar e a sair num carro, visto que a ação está centrada à volta deste carro que vou a conduzir. Para um bom espectador do vídeo, pode simbolizar a vida de um sujeito normal, não obrigatoriamente a minha. Estão sempre a entrar personagens que simbolizam eventos específicos ao longo desta vida. Foi um vídeo giríssimo de se fazer, estou muito contente com o resultado final. Estou ansioso por saber da reação das pessoas em relação a este videoclipe.   
Não sei se vai atingir a meta dos sete milhões de visualizações, é à volta disso que o 'Perto de Mim' tem no YouTube. Seja como for, nunca fiz música com qualquer tipo de pretensões, de chegar a mais ou menos gente. Obviamente que quero muito que o meu trabalho chegue às pessoas e fico muito feliz com estes números. Será que vou chegar aos sete milhões de visualizações? Já fico muito contente se chegar às pessoas com esta canção, que me diz muito. É uma história muito pessoal, espero que as pessoas se revejam no que tenho para dizer.

A 'Casa' vai fazer parte do seu álbum de estreia? 
O 'Casa', à semelhança dos singles que tenho posto cá fora, vai fazer parte do meu disco de estreia. E muitas outras coisas diferentes vão fazer parte deste álbum. Acredito que os artistas não se fazem só de singles. Quero muito mostrar outras facetas do Syro, não só em concertos, mas neste disco que estou a preparar.     

Esse álbum de estreia sai quando?
Não sei precisar quando é que o disco vai sair. Era suposto ter saído no final de 2020, mas com esta pandemia e estes tempos incertos que estamos a viver, vi-me forçado a adiar. Quero muito metê-lo cá fora, estou muito ansioso por mostrar às pessoas muito mais música. É um dia de cada vez. Não faz sentido lançar uma obra longa que depois não possa promovê-la devidamente em concertos e em showcases. Acho que vou esperar um bocadinho até esta situação normalizar e os concertos voltarem sem qualquer tipo de incerteza, para poder dar o melhor de mim.   

É um baterista que foi para a frente do palco, como cantor. O Phil Collins, que fez o mesmo, é um modelo de inspiração para si?
Sem dúvida. O Phil Collins sempre foi, é e sempre será uma grande inspiração para mim, como músico, como baterista e como cantor. Sempre bebi muito do trabalho dele. Tornei-me baterista por causa dele. Lembro-me do meu pai me levar com 12 anos a ver uma banda, que eram os Musical Box, a banda de tributo aos Genesis, onde o Phil Collins era baterista. Assim que os vi, com o suposto Phil Collins a tocar, quis começar a estudar bateria. Foi o que me levou a querer estudar música 12 ou 13 anos. Mais tarde, quando achei que estava na altura de mostrar que também canto, decidi criar este projeto, Syro.

Tendo em conta a tendência do Festival da Canção em apostar em novos talentos, sente que é uma questão de tempo participares neste evento?
Na verdade, pouca gente sabe que o 'Perto de Mim' foi escrito com o intuito de me candidatar ao Festival da Canção, antes de o lançar. Mas depois, na altura, não fez sentido, porque não foi a tempo e já não havia espaço para eu me candidatar. Teria sido giro na minha carreira e poderia catapultar-me para uma série de pessoas. Neste momento, não tenho intenção de me candidatar ao Festival da Canção, nem faz sentido na minha carreira. Por agora, não digo que não, é um festival por que tenho o maior respeito