Histórico: Produção humana já pesa mais do que formas de vida na Terra

Pela primeira vez na história, aquilo que foi fabricado pelo Homem pesa mais do que as formas de vida na Terra, indica um estudo publicado na revista Nature.

Agência Lusa
09 dezembro 2020, 19:27

O peso dos produtos fabricados pelo Homem excedeu este ano e pela primeira vez na história o peso das formas de vida na Terra, segundo um estudo hoje publicado.

Os autores do estudo publicado na revista Nature calcularam que o peso dos edifícios, infraestruturas de transporte, e de outros produtos manufaturados duplicou, aproximadamente, a cada 20 anos e este ano atingiu 1,1 mil milhões de toneladas.

Por sua vez, o peso da biomassa viva caiu para metade desde a invenção da agricultura no Neolítico, cerca de dez séculos antes da era atual, como efeito do crescimento da produção humana.  

Atualmente, a biomassa viva pesará cerca de mil milhões, tornando o ano de 2020 no momento de equilíbrio entre as duas massas, a natural e artificial.

De acordo com os investigadores, o peso dos produtos fabricados pelo Homem aumentou exponencialmente: no início do século XX, representava apenas 3% da biomassa, tendo disparado, sobretudo, após a Segunda Guerra Mundial.

Novos materiais como o cimento também contribuíram para tornar os edifícios mais pesados, e a humanidade passaria então a produzir o equivalente ao peso da população mundial a cada semana.

"O nosso estudo dá uma fotografia do estado do planeta em 2020. Esperamos que estes números chocantes nos levem a assumir a nossa responsabilidade como espécie", afirmou Ron Milo, investigador do departamento de ciências ambientais da Instituto Weizmann de Ciência, em Israel, citado pela agência France-Presse (AFP).

De acordo com os autores, que se baseiam em dados industriais e ambientais, a produção humana continua a avançar, pesando atualmente cerca de 30 mil milhões de toneladas por ano, e poderá, a este ritmo, totalizar três biliões de toneladas em 2040.

Ao mesmo tempo, espera-se que a biomassa continue a diminuir, devido sobretudo à desflorestação e à transferência de terras para a agricultura intensiva.

"Não podemos continuar a negar o nosso papel central na evolução do mundo natural. E isso vem com uma responsabilidade", disse à AFP o principal autor do estudo, Emily Elhacham.