David Byrne abre hoje festival Porto/Post/Doc

Filme-concerto do ex-Talking Heads, "American Utopia", é exibido mais logo, às 19h00, no Teatro Rivoli, no Porto.

DR - "American Utopia" (cortesia Porto/Post/Doc)
Gonçalo Palma
20 novembro 2020, 11:06

Começa mais logo mais uma edição do festival de cinema Porto/Post/Doc, na cidade do Porto. O evento tem em paralelo um novo formato digital e decorre fisicamente em vários espaços da Invita, como os dois auditórios do Teatro Rivoli, o Passos Manuel ou, mais afastado do centro, o Planetário. 
 
Para o diretor do festival Dario Oliveira, um dos grandes trunfos da programação deste ano é o filme-concerto de David Byrne, "American Utopia", realizado pelo cineasta Spike Lee, e onde se podem ouvir algumas músicas dos Talking Heads, como Burning Down the House ou Once in a Lifetime. “American Utopia” é um espetáculo musical muito dançado, ao estilo de David Byrne, que é exibido na estreia hoje do Porto/Post/Doc, às 19h00, no Grande Auditório do Teatro Rivoli, e repete no dia 27, no Pequeno Auditório do mesmo teatro, caso não se renove o Estado de Emergência. 
 
"É uma maravilha ter este filme para a abertura deste festival. É um atestado do que se está a passar no mundo, que é um concerto, e mais do que um concerto, é uma apresentação que aborda temas que são muito urgentes, como a violência, a segregação, o racismo. É muito mais que a gravação de um concerto. Descobri-lo por duas pessoas tão capazes e criativas, como o Spike Lee e o David Byrne, pode ser uma experiência sensorial de confronto com ideias muito importante", afirma Dario Oliveira.   


 
Uma das grandes novidades desta edição é o Prémio Cinema Falado para o melhor filme em língua portuguesa, com um prémio monetário de três mil euros. Nesta secção de Cinema Falado, Dario Oliveira chama a atenção para um filme fora de competição: "O Movimento das Coisas", de Manuela Serra, de 1985. "É um documentário belíssimo. Só em 2020 é que vai ser mostrado em Portugal. Tem sido mostrado de uma forma quase escondida, numa cópia antiga. É um filme que foi restaurado e digitalizado e que poderá ser redescoberto ou descoberto pelas gerações mais novas e que é um retrato político e não um filme antropológico. É um filme poético que retrata aquilo que era o pós-25 de Abril no norte de Portugal. É um filme de uma realizadora que abandonou o cinema", e que continua hoje viva e recolhida.   


 
As restrições impostas pelo estado de emergência têm um impacto direto nesta edição do Porto/Post/Doc, que terá de prescindir, para já, da exibição dos filmes em salas neste fim-de-semana de 21 e 22 de novembro. 
 
"Mais do que um plano B", o festival teve que recorrer "a um plano C", tal como nos diz Dario Oliveira. "O festival tem uma dupla existência este ano: a presencial nas salas com limitação de horários e o recolher obrigatório, em que tudo acontece mais cedo; e o online, com um período mais alargado de duas semanas, podendo acompanhar as masterclass, o Fórum do Real. Desta vez, com este novo paradigma do que é um festival de cinema, têm esta opção de acompanharem [pela via] online".  


 
O festival Porto/Post/Doc termina no fim-de-semana dos dias 28 e 29, com a exibição dos filmes premiados no Passos Manuel e no Rivoli. 
 
Para mais informações, podem consultar o site oficial do festival Porto/Post/Doc.