TAP pode ser nacionalizada. "TAP é demasiado importante para o país para a deixarmos cair", diz ministro

Expresso avança que não há acordo entre Estado e privados. Pedro Nuno Santos diz que negociações ainda decorrem.

Agência Lusa
30 junho 2020, 11:09

O ministro das Infraestruturas disse hoje que a TAP é "demasiado importante" para o país para que se deixe "cair", depois de questionado sobre uma eventual falta de acordo entre acionistas e a opção pela nacionalização da companhia.

"A TAP é demasiado importante para o país para a deixarmos cair", disse o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, depois de questionado pelo deputado do PSD Cristóvão Norte sobre uma notícia de hoje do Expresso, que avança que a TAP vai ser nacionalizada por falta de acordo entre Estado e os acionistas privados.

Antes disso, o governante prescindiu da intervenção inicial na comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação.

"Quando nós estamos a falar sobre a TAP nós temos de perceber que não podemos ficar limitados ao resultado da TAP enquanto empresa, porque estamos a falar daquela que é uma das maiores transportadoras nacionais. [...] Quase 90% dos nossos turistas chegam por via aérea, metade chegam pela TAP. [...] É um instrumento de desenvolvimento nacional, de promoção de emprego", acrescentou.

O ministro das Infraestruturas disse ainda que a proposta do Estado com as condições para um empréstimo de até 1.200 milhões de euros à TAP foi chumbada pelo Conselho de Administração, e admite "uma intervenção mais assertiva na empresa". 

"A proposta que o Estado fez neste momento foi chumbada no Conselho de Administração" numa reunião na segunda-feira, disse o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos.

De acordo com o governante, a proposta de contrato para o empréstimo vai ser submetida ao sócio privado, a Atlantic Gateway, dos empresários David Neeleman e Humberto Pedrosa, cujos representantes estão no Conselho de Administração. 

Caso essa proposta não seja aceite, Pedro Nuno Santos garantiu que o Estado fará "uma intervenção mais assertiva na empresa".

"Não cederemos na negociação com o privado. Não lhe chamamos braço de ferro, chamamos defesa intransigente e firme do interesse nacional", acrescentou o ministro.