'Uma Aventura no Deserto' foi um pedido de uma menina de S. Tomé e Príncipe

Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada são ícones para muitas crianças que leem as míticas histórias de 'Uma Aventura', as escritoras estiveram à conversa com Rui Maria Pêgo e Ana Martins.

São uma entidade única e são heroínas de muitas infâncias. Ana Maria Magalhães, 74 anos, e Isabel Alçada, 70, levaram-nos n’”Uma Aventura” pela parceria mais longa na história da literatura. O primeiro foi lançado em 1982. Juntas, já publicaram perto de 120 livros.
No Dia da Mulher, a dupla lança mais um livro: “O Longo Caminho para a Igualdade – Mulheres e Homens no século XXI”, sobre uma menina que quer ser piloto de aviões.

Ana Maria Magalhães conta que o livro “Uma Aventura no Deserto” foi um pedido de “uma criança de S. Tomé e Príncipe”, a Solange. A autora conta que a menina, “tinha lido lá um livro nosso, e pedia expressamente Uma Aventura que se passasse no deserto, mas a única coisa que ela pedia era que entrassem camelos”. As autoras aceitaram o desafio e foram até ao deserto do Sahara. Foram em agosto e lamentam, “maldita a hora em que fomos em agosto, o deserto do Saara em agosto, digo-lhes que é um petisco”. 

Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada escrevem juntas desde 1982, Ana Maria Magalhães conta como é que se mantem uma parceria durante tanto tempo. A escritora conta que “além de termos vindo de famílias semelhantes e de termos ideias semelhantes sobre o que fazer com crianças ou para crianças, ambas somos irmãs mais velhas”, sempre se habituaram a “a ajudar os mais novos a encontra a paz quando se pegavam, e portanto nós não rivalizamos”.

Para além de serem de meios parecidos, Ana diz que “não alimentamos conflitos, encontramo-nos para trabalhar e se temos uma ideia diferente, debate-se, mas sem zanga e só assim é que se pode manter uma equipa tantos anos”. A escritora conta “quando estamos juntas e a escrever é ótimo, mas não se esgota aí a nossa vida, temos muitas outras coisas com que nos preocupar”. 

No Dia da Mulher, as autoras vão laçar o livro “O Longo Caminho para a Igualdade – Mulheres e Homens no século XXI”. Sobre a desigualdade de género, Isabel Alçada diz que “os salários não são iguais, é incrível, mas é a verdade (...) há diferença tanto na função pública, como no privado, no nosso país não é igual, noutros países também não”. 

Sobre o acesso das mulheres a posições de liderança, Isabel diz que “há sempre duas formas de ver a questão”. Por um lado, a autora diz que quem faz a seleção, é “muitas vezes influenciado pela visão de que os homens estão mais apetrechados para exercer essas funções”. Por outro lado, as mulheres “assumem na sua intimidade, a ideia de que são as primeiras responsáveis pela família e muitas vezes optam por não aceitar certos cargos porque sentem que estão a faltar à família e portanto, há sempre um conflito interno, uma culpa”.

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