Reter o choro faz "mossa cá dentro"

Este é apenas um dos conselhos do psicólogo Luís Fernandes, que passou pelo Era o que Faltava.


“Não podes estar assim triste, não chores… é o contrário, a pessoa tem de estar triste e tem de chorar. E se ficar retida, ela fica a fazer mossa cá dentro”. Até porque reter o choro tem consequências físicas: “Eu quando quero reter o choro aperto a garganta, engulo ar e comprimo o peito”.

Como consequência disso, “por vezes, as pessoas chegam ao médico queixando-se de dores no peito “muitas vezes pensando ‘tenho um problema cardíaco’ e não estão! Na maioria das vezes, não estão!”.

As explicações são de Luís Fernandes, psicólogo e professor há três décadas na Universidade do Porto. É talvez o maior especialista em adições em Portugal e é também membro da Comissão de Ética da Ordem dos Psicólogos desde 2015. Além da psicologia, faz massagem terapêutica,  mesmo tendo perdido a visão aos 30 anos. Em tempo de pandemia, trouxe à rádio o ensaio "As Lentas Lições do Corpo", sobre a relação corpo e mente. Luís Fernandes veio conversar com o Rui Maria Pêgo e a Ana Martins.

 

“Se mantiver a saúde psicológica, a saúde física é mais forte!”

O nosso estado psicológico pode ser uma porta aberta à instalação da doença” mental e física, explicou o psicólogo durante esta conversa.

“A resistência psicológica previne a saúde física”, por isso, “quando tenho problemas com os quais não consigo lidar, devo arranjar maneira de conseguir equacioná-los em conversa com o meu melhor amigo ou descarregando os meus nervos da maneira que me for possível, mas nunca descurando o problema. Ou, em última análise, procurando um profissional. Porque se “se mantiver a saúde psicológica, a saúde física é mais forte!”


Vitalidade versus Depressão

O psicólogo Luís Fernandes explicou que as pequenas atividades físicas do dia a dia são importantes para evitar a depressão.

“Quando estamos motivados, a vitalidade está em alta”. Mas, “quando a vitalidade diminiu, o nosso sistema de ação fica mais inibido, nós diminuimos o nosso raio da ação, se calhar mexemo-nos menos, não saímos tanto de casa… E quando vamos ver, começa a instalar-se um sentimento de não ser muito bom acordar de manhã e, indo por aqui fora, podemos chegar à depressão”.

 

Dicas para o Confinamento

Em tempo de confinamento, a tolerância e a capacidade de relativizar aparecem no topo da lista das necessidades quando se trata de conviver muito tempo com as pessoas lá de casa.

Luís Fernandes explica que “pessoas têm de se disponibilizar a abrir-se mais com quem tem de estar confinado com elas”. Como fazer isso? “Isto implica um trabalo de cultivar em si próprio uma tolerância com o outro, perante o outro pensar diferente de nós”.

Por outro lado, há que “aproveitar o tempo sobrante para fazer coisas que não fazíamos antes como, por exemplo, descobrir o nosso corpo”. Isto pode ser feito através de “caminhadas, ir respirar para um pinhal ou para a praia, isto é, descobrir-se noutros contextos diferentes daquilo que é sempre o gabinete de trabalho”.

Durante esta conversa, Luís Fernandes ensina ainda como desenvolver a intuição: “As artes abrem-nos os canais sensoriais e abrem-nos a relação com o mundo”. E acrescenta: “Se eu me deixar fundir mais com a experiência do mundo, sou mais intuitivo”.

Ouvir conversa completa!

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