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No filme 'Vale Abraão' fez rir até os japoneses

Miguel Guilherme é ator e esteve no Era o Que Faltava onde contou muitas histórias que viveu ao longo da carreira.

Miguel Guilherme tem 62 anos e é um dos grandes atores da nossa praça. Entrou em vários filmes de Maonel de Oliveira, mas também no “Herman Enciclopédia”, no “Último a Saír” e em várias peças de teatro. Esteve à conversa com o Rui Maria Pêgo e com a Ana Martins. 

Entrou em alguns filmes do realizador português Manoel de Oliveira e destaca “gostei imenso de fazer “A Divina Comédia”, onde eu era protagonista”. Fez uma pequena participação no filme “Vale Abraão” e confessa “que é o filme que eu mais gosto dele”. A personagem de Miguel Guilherme em “Vale Abraão” era um carteiro e foi aí que recebeu um dos melhores elogios da carreira. A mulher de Manoel Oliveira disse-lhe “Miguel, olhe que até no Japão eles se riam assim que você entrava, incrível!”

Apesar da longa carreira, a paixão pelo cinema vem desde criança, “pensava assim, isto era fixe fazer, eu adorava cinema! Lembro-me de ser miúdo e contar os filmes que tinha visto pelos dedos da mão”. O primeiro filme que viu, foi o “Nove Rapazes e um Cão”, “eu tinha para aí 6 anos, o meu pai guardou os bilhetes de cinema”. Recorda que um dos miúdos que entrava no filme “era o João Mota que mais tarde dirigiu a Comuna e foi meu professor”. 

Sobre o teatro, Miguel Guilherme conta que antigamente, as pessoas “gritavam muito, atiravam muitas cadeiras, atiravam muitas travessas de comida umas às outras”. Diz que “agora as pessoas zangam-se friamente, tornámo-nos mais europeus nesse aspeto”. Acrescenta que, naquela altura, “as pessoas extravasavam mesmo fisicamente, andava-se muito à pancada, mas ao menos ficava logo tudo resolvido”.