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'Às vezes há um bocadinho esta ideia de que os padres se pudessem casar casariam todos, não!'

O Padre Nuno Rosário Fernandes, prior em Benfica esteve à conversa com o Rui Maria Pêgo e a Ana Martins.

Nuno Rosário Fernandes estudou ciências da comunicação, passou pela rádio Antena Jovem e Antena 1, mas o chamamento foi mais alto: em 2010, depois de quatro anos no seminário, foi ordenado padre. É também diretor da Voz da Verdade, o jornal que está sempre à entrada das igrejas. 

É prior em Benfica, uma paróquia que alargou fronteiras durante a pandemia: transmissões online diárias, um podcast e até uma procissão transmitida em direto. Chegou a colocar cadeiras do lado de fora da igreja e ecrãs no exterior para chegar a mais pessoas. 

Questionado se se casaria caso o celibato deixasse de ser obrigatório, o Padre Nuno diz que “não! Às vezes há um bocadinho esta ideia de que os padres se pudessem casar casariam todos, não! Porque isto de facto, é uma questão vocacional. Eu ou me sinto chamado ou não para isso”. 

Sobre a pandemia, o Padre Paulo conta que muitas vezes o questionam “diante de todas estas situações, tanta gente a morrer, tantos problemas, onde é que está Deus?”. Responde que “Deus está naqueles que estão ali próximos a ajudar, Deus está ali naqueles que estão preparados para acolher, para salvar, para curar, para abraçar, para cuidar. Deus faz-se presente e faz-se presente de muitas formas”. 

Deus está naqueles que estão ali próximos a ajudar, Deus está ali naqueles que estão preparados para acolher, para salvar, para curar, para abraçar, para cuidar. Deus faz-se presente e faz-se presente de muitas formas.

Nuno diz que muitas vezes, “nós queremos decidir tudo por nós, decidir a nossa vida, mas depois vamos percebendo que de facto as coisas não estão totalmente nas nossas mãos”. Às vezes acontece que “aqueles sonhos que eu fui programando, que eu fui fazendo, que eu fui realizando depois se calhar não acontecem”. 

É nessas alturas em que a vida não corre como programamos que é “importante percebermos de facto que precisamos de estar abertos, ter um coração aberto, um coração disponível, humilde para aceitar aquilo que depois é a vontade desta entidade superior que nós chamamos Deus”.

Pode ouvir a conversa aqui!