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'A rádio ocupava o tempo todo das pessoas'

Fernando Correia, jornalista e uma grande voz da rádio portuguesa esteve no Era o Que Faltava.

85 anos, 65 de carreira, Fernando Correia é jornalista, voz maior da rádio portuguesa, nome grande do desporto e da televisão, e acaba de lançar novo livro: "Diário de Um Corpo Sem Memória". É um livro sobre a doença de Alzheimer de que a mãe das suas filhas é vítima.

Quando Fernando Correia começou a fazer rádio na Emissora Nacional, “não havia televisão”. Por isso, “a rádio ocupava o tempo todo das pessoas e tinha folhetins através da rádio, tinha teatro radiofónico, tinha variedades (...) tudo aquilo que a televisão fez depois”. Naquela altura, “todas as pessoas só tinham a rádio como referência”. 

O jornalista considera que “a rádio é um mistério”, para além disso, “é o único meio que eu conheço onde o imediatismo é possível, porque com o telefone eu posso fazer rádio, com uma chamada simples eu posso fazer rádio”. Fernando recorda o tempo em que fazia a reportagem da Volta a Portugal em Bicicleta “e as reportagens eram feitas pelo telefone”. 

Não era um telefone qualquer, era um telefone de manivela. Para entrar em direto na rádio era preciso “chamar a operadora da região e a operadora punha-me em contacto com a Emissora Nacional, para eu fazer a reportagem pelo telefone”. Fernando diz com carinho, “A rádio é a rádio e não há volta a dar!”. 

A mulher de Fernando Correia sofre da doença de Alzheimer e foi por isso que lançou o livro "Diário de Um Corpo Sem Memória". Sobre a mulher diz que “ela está há bastante tempo noutro plano, ou noutros planos. Ela não está ao pé de mim, não está no mesmo plano que eu”, acrescenta que “ela está para além de mim”. Sobre o olhar mulher diz que “olhar dela está nalgum lado, ela está a ver coisas que eu não consigo ver, é verdade isto, só pode ser verdade, porque senão não faz sentido”.