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A ficção ajuda a 'encontrar um caminho ou uma ordem onde ela não existe'

Tiago R. Santos, o argumentista de 'Call Girl' e 'Conta-me como Foi' esteve no Era o Que Faltava.

Um mês depois do 11 de setembro foi viver para Nova Iorque, comprou o guião do Pulp Fiction por 1 euro na rua enquanto servia às mesas e descobriu o que queria fazer: escrever guiões. “Call Girl”, “A Bela e o Paparazzo”, “Liberdade 21”, “Conta-me como Foi”, “Filhos do Rock”, “Os Gatos Não Têm Vertigens”, “Leão Da Estrela”, “Parque Mayer” e agora, na RTP, a série que ajudou a escrever, “Até que a vida nos separe”. Tiago R. Santos esteve à conversa com o Rui Maria Pêgo e a Ana Martins. 

Tiago considera que “o mundo é um lugar muito confuso, acho que é anárquico, é o caos”, nesse sentido, “a ficção ajuda-nos por vezes a encontrar um caminho ou uma ordem onde ela não existe, e isso ajuda-nos a estar vivos”. O argumentista diz que “é para isso que a ficção serve, e para me sentir menos sozinho também. É encontrar laços comuns com pessoas que me são distantes ou pessoas que eu não conheço, pessoas que nunca me cruzei”.

Sobre os orçamentos da ficção em Portugal, Tiago diz que “aquilo que se gastava por episódio, no total, em Portugal é o que se pagava a um argumentista para escrever um episódio em Inglaterra”. O argumentista acrescenta que “o que nós conseguimos fazer com o tempo que temos e com o dinheiro que não temos, é absolutamente incrível”. 

O melhor elogio que recebeu enquanto argumentista foi na sequência do filme “Os Gatos não Têm Vertigens”. Recebeu “mensagens de pessoas que são de realidades completamente diferentes da minha e de pessoas que eu nunca conheci”. Pessoas que diziam que “parece que escreveste sobre mim, sobre a minha avó, sobre mim e sobre a minha mãe, foi uma experiência muito muito bonita”. Tiago diz que é fantástico quando “tu percebes que escreveste algo e que há alguém que vê e pensa: “Uau, isto podia ser eu!””. 

Pode ouvir a conversa aqui!