"Nunca paguei para entrar em equipas"

Miguel Oliveira em entrevista após a estreia no campeonato do mundo de MotoGP.

EPA
14 de março de 2019 às 12:12"Nunca paguei para entrar em equipas"

Miguel Oliveira (KTM) estreou-se no passado fim de semana em MotoGP, categoria rainha do Mundial de motociclismo de velocidade. E na sua primeira corrida oficial, no circuito de Losail em Doha, no Qatar, o piloto português ficou a apenas 1,284 segundos de pontuar.

Ao longo das 22 voltas da corrida, Miguel Oliveira mostrou ter ritmo para lutar por um lugar perto dos dez primeiros classificados, mas acabou na  17ª posição, a mesma da qual partiu, a 16,377 segundos do vencedor, o italiano Andrea Dovizioso (Ducati). 

Os problemas sentidos nas últimas voltas ao nível do pneu traseiro acabaram por prejudicar a classificação de Oliveira, mas nem por isso o piloto deixa de se sentir feliz com a sua estreia. "Foi uma corrida a nível técnico com algumas dificuldades, sobretudo na parte final com o meu pneu traseiro, mas uma estreia em grande onde demonstrei grande potencial para estar constantemente nos pontos" contou Miguel Oliveira que, de regresso a casa, passou pelos nossos estúdios. 

Uma primeira corrida entre os tubarões da modalidade que já dá para tirar algumas ilações de como vai decorrer o campeonato. Oliveira acredita que "poderá ser muito parecido com o do ano passado, com os habituais pilotos e marcas na frente, e resta-nos a nós podermos meter-nos ali um bocadinho no meio destas lutas."

O piloto de Almada mostra-se consciente das dificuldades que terá de enfrentar para ser bem sucedido a este nível, pois "neste momento a minha realidade é outra, vou para fazer o melhor que posso com aquilo que tenho e para chegar a um patamar mais elevado", diz. Por isso, aos que o seguem e apoiam avisa que "com esta mota dará para lutar entre o décimo e o décimo quinto lugar, não mais que isso a não ser que um adversário caia ou tenha problemas. Agora podem esperar que eu dê sempre o meu máximo". E por falar em máximos, o piloto português atingiu o máximo de velocidade como piloto este fim de semana: 348 km/h nos treinos.

Já quanto ao futuro, o objetivo está bem definido: "ser campeão! as coisas vão passo a passo". Para trás ficam as "dificuldades naturais para chegar a este nível, há sempre falta de apoios, sobretudo no início das carreiras. Mas, felizmente, sempre consegui subir na carreira sem pagar para entrar nas equipas."

Passo a passo, Miguel Oliveira vai também avançando no curso de Medicina Dentária. "Não tenho tempo, a verdade é essa, mas ainda não desisti e é algo que eu quero completar. Se vou exercer ou não só o futuro o dirá." 

Para já, segue-se a segunda prova do Campeonato do Mundo de motociclismo de velocidade, o Grande Prémio da Argentina, que se realiza em 31 de março.

Oiça a entrevista:

 

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