Um prémio para valorizar os professores

Já estão abertas as candidaturas ao Global Teacher Prize Portugal, prémio que distingue projetos educativos com impacto.

18 de janeiro de 2019 às 08:15Um prémio para valorizar os professores

"Bons professores há em todas as salas de aula", garante Jorge Teixeira, professor de Fisico-Química e vencedor da primeira edição nacional do Global Teacher Prize (GTP). O prémio, que chegou no ano passado a Portugal, tem como objetivo valorizar o trabalho dos professores e distinguir projetos educativos com impacto nas escolas e nas comunidades. É o caso do projeto de Jorge Teixeira que lhe valeu, em 2018, o prémio de 30 mil euros.

Afonso Mendonça Reis, fundador da iniciativa Mentes Empreendedoras (promotor do GTP em Portugal) e presidente do júri da edição portuguesa do prémio, explica que a distinção tem "a ambição de um Nobel" mas que, ao mesmo tempo, é muito mais do que um prémio. O GTP foi criado em 2015 pela Fundação Varkey. Com um prémio de um milhão de dólares, o concurso tem como objetivo distinguir professores que desenvolvem um trabalho excecional e contribuir para a valorização da profissão. Na sua primeira edição, o GTP recebeu mais de cinco mil candidaturas, de 127 países.

Foi esse "processo de valorização da educação" que motivou Afonso Mendonça Reis a trazer o prémio para Portugal. Foi desafiado pela organização do prémio internacional a criar uma versão nacional e viu nisso "uma oportunidade excelente para trazer a educação pela positiva para a ordem do dia". A fraca adesão dos professores de países latinos (Portugal, Espanha, países da América Latina…) ao prémio internacional foi também um fator importante na decisão.

Para o GTP Portugal contribuem muitas entidades. Desde logo o parceiro principal, a Fundação Galp, mas também a Federação Portuguesa de Futebol, a Rádio Comercial, a TVI e o Diário de Notícias. A Delta é o patrocinador da iniciativa. Além disso, há a colaboração de entidades locais, como as câmaras municipais. Esta é uma participação importante porque, como explica Afonso Mendonça Reis, "a educação vive muito do seu contexto local".

A edição de 2019 foi lançada esta quinta-feira no Liceu Camões, em Lisboa. Todos os professores podem candidatar os seus projetos. Os alunos e colegas podem também propor docentes que admirem. As candidaturas estão abertas entre 17 de janeiro e 3 de março no site do Global Teacher Prize Award Portugal.

Projetos que fazem a diferença

Foi da Escola Secundária Dr. Júlio Martins, em Chaves, que saiu o projeto vencedor da primeira edição do GTP Portugal. Professor de Fisico-Química há 26 anos, Jorge Teixeira contou com o incentivo da família para submeter o seu projeto a concurso, no ano passado. No Clube de Ciências Experimentais, que funciona em paralelo com a sala de aula, os seus alunos desenvolvem produtos que vão ser aplicados na escola e na comunidade. Já ganharam vários prémios a nível nacional e o impacto na comunidade tem sido grande. Quanto aos alunos, Jorge Teixeira diz que dominam melhor os conteúdos e que, por isso, as notas subiram substancialmente, quer na avaliação ao longo do ano letivo, quer nos exames nacionais.

A reação dos alunos "foi fantástica, porque também foi algo que os valorizou a eles", conta o professor. Jorge Teixeira já tem planos para a parte do prémio destinada ao projeto (85% dos 30 mil euros totais): está a criar um centro de recursos de atividades laboratoriais móveis.

O vencedor de 2018 desafia outros professores a apresentar os seus projetos a concurso. Jorge Teixeira está tão confiante no sucesso das próximas edições que garante que "a segunda edição vai trazer um professor ainda melhor do que a primeira, e a terceira melhor que a segunda".

Ao desafio acederam também as professoras Maria Francisca Macedo, Dulce Gonçalves, Cristina Simões, Maria João Passos e Rosa Maria Oliveira. Foram todas finalistas no ano passado e, apesar de não terem vencido, viram os seus projetos divulgados.

Professora do 1º ciclo em Lisboa, Maria Francisca Macedo aventurou-se numa fusão entre ciência de literatura que resultou numa coleção de livros. A ideia ultrapassou as paredes da escola e hoje o "Clube dos Cientistas" já usado como ferramenta de trabalho por professores de outros estabelecimentos de ensino. A professora primária quer quer os seus alunos "pensem fora da caixa" e desenvolvam assim a sua criatividade.

Completamente diferente é o projeto da professora do ensino especial Dulce Gonçalves. O "Mentes Sorridentes" quer usar o mindfulness para prevenir problemas ao nível da saúde mental. A professora explica que não é fácil porque esta é uma área que suscita dúvidas e, por vezes, descrença. Mas, explica, "faz parte da nossa realidade […] às vezes temos de dar respostas sem que estejamos preparados para isso".

A educação especial trouxe ainda outra finalista à edição de 2018. Cristina Simões ensina em Tondela, no distrito de Viseu, e quer dar melhor qualidade vida aos alunos com necessidades educativas especiais. Construiu uma escala que mede a qualidade de vida de adultos com deficiência mental e adaptou-as aos alunos. Nesta escala, medem-se oito domínios: desenvolvimento pessoal, autodeterminação, relações interpessoais, inclusão social, bem-estar emocional, bem-estar físico, bem-estar material e direitos. Para melhorar estes indicadores, na sala de aula, Cristina Simões trabalha a independência, a participação social e o bem-estar. O projeto, explica, "pretende sacudir mentalidades" e ajudar os alunos a "serem pessoas ativas na sociedade, onde muitas vezes lhes é vedado o direito de ser diferente". A resposta tem sido boa e a professora tem dado formação sobre o tema pelo país.

Na matemática, esse "tendão de Aquiles" dos alunos, a professora Maria João Passos viu na tecnologia uma forma de incentivar os alunos a gostar dos números. No agrupamento de escolas de Freixo, Maria João criou uma aplicação para os alunos exercitarem a disciplina. Nesta plataforma, os pais podem acompanhar a evolução dos filhos. Os resultados não são rápidos mas tem alunos de sucesso. Os alunos incentivaram-na a candidatar-se, assim como os colegas e pais.

As línguas não ficaram de parte. Rosa Maria Oliveira ensina Português e Francês em Ovar. As oficinas de escrita criativa que criou na sua escola valeram-lhe um lugar entre os finalistas do GTP Portugal 2018. Aqui, os alunos criam cenários para desenvolver técnicas de concentração. O objetivo é produzir um livro.

 

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