Os músicos que perdemos em 2018

Avicii, Dolores O'Riordan, Aretha Franklin ou Charles Aznavour deixaram-nos este ano.

26 de dezembro de 2018 às 16:19Os músicos que perdemos em 2018

No ano em que morreu a primeira vencedora de sempre do Festival da Eurovisão, a suiça Lys Assia (1924-2018), houve várias perdas de vulto de figuras portuguesas ligadas ao Festival da Canção. A cantora Madalena Iglésias (1939-2018), que se eternizou com a música de 1966 'Ele e Ela', morreu numa clínica em Barcelona, depois de várias décadas afastada das luzes da ribalta. Este também foi o ano em que faleceu Maria Guinot (1945-2018), pianista que vencera o Festival da Canção, em 1984, com 'Silêncio e Tanta Gente'.

 

O fado perdeu a grande Celeste Rodrigues (1923-2018), lembrada como conselheira fundamental para cantores de gerações mais novas. A morte da irmã de Amália Rodrigues nem sequer passou ao lado da Rainha da Pop, Madonna, que manifestara o seu pesar no Instagram - a artista norte-americana tinha protagonizado uma cavaqueira musical com Celeste Rodrigues poucos meses antes do seu óbito.

 

O rock nacional teve uma baixa de peso com o falecimento de Ricardo Camacho, aos 64 anos, na Bélgica, devido a cancro no pulmão. Teclista dos Sétima Legião, foi também produtor, tendo trabalhado em estúdio no máxi-single que lançou António Variações, 'Povo Que Lavas no Rio'/'Estou Além'. O músico madeirense era também médico especialista em virologia clínica, ligado à luta contra a sida. 'Sete Mares' era uma das canções dos Sétima Legião de que tinha mais orgulho em tocar. 


Lá fora, a morte da vocalista dos Cranberries, Dolores O'Riordan (1971-2018), apanhou o mundo de surpresa. A morte por afogamento, derivada do consumo excessivo de álcool e de medicamentação, foi tida como "acidental" sem sinais de suicídio por parte da vocalista dos Cranberries.

Outro desaparecimento com que o mundo não contava foi o DJ sueco Avicii (1989-2018), que se suicidou em Omã. Quatro meses depois, os ecos da sua morte ainda se faziam sentir no festival MEO Marés, com Rita Ora e o DJ David Guetta a fazerem, cada um à sua maneira, tributos no recinto gaiense ao produtor escandinavo.  

Este ano, a soul perdeu a sua rainha Aretha Franklin (1942-2018). Depois de uma dura luta contra um cancro no pâncreas, a cadeira do trono ficou desocupada para sempre com o silenciamento de um dos maiores vozeirões que a música norte-americana já conheceu.

 

Outro gigante que nos deixou foi Charles Aznavour (1924-2018), talvez o último grande ícone vivo da chanson française. A sua morte mereceu um funeral de Estado em Paris, com a presença do Presidente de França, Emmanuel Macron, bem como dos seus antecessores Nicolas Sarkozy e Francois Hollande, além das maiores figuras do Estado da Arménia, de onde era oriundo.

 

2018 foi um ano lúgubre para o pós-punk inglês, com os falecimentos do vocalista dos Fall, Mark E. Smith (1957-2018), de cancro nos rins e no pulmão, e de Pete Shelley (1955-2018), dos Buzzcocks, de ataque cardíaco.

 

Houve algumas mortes chocantemente prematuras, como o do rapper Mac Miller (1992-2018), de overdose de drogas, e do multi-instrumentista Richard Swift (1977-2018), por complicações ligadas ao alcoolismo - o músico ligado aos Shins e aos Black Keys deixou ainda publicado um último álbum a solo, "The Ex", que tem aparecido nalgumas listas dos melhores discos deste ano. Menos inesperado foi o falecimento do teclista Conway Savage (1960-2018), um dos Bad Seeds que acompanhava há mais tempo Nick Cave. O tumor cerebral que o afetava tinha obrigado o músico australiano a afastar-se das últimas digressões de Nick Cave. 

A música erudita chorou o desaparecimento da soprano Montserrat Caballé (1933-2018), neste ano em que se perdeu de forma abrupta o compositor de bandas sonoras islandês Jóhann Jóhannsson (1969-2018), de overdose de drogas. O experimentalismo avant-garde ficou mais pobre com as perdas do pianista de jazz Cecil Taylor (1929-2018), e do guitarrista Glenn Branca (1948-2018), fortemente ligado ao no wave e referência fundamental para os Sonic Youth. A world music tem a lamentar as mortes do franco-argelino Rachid Taha (1958-2018), que não resistiu a um ataque cardíaco, e do ativista sul-africano anti-apartheid e trombonista de jazz Hugh Masekela (1939-2018).


 

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