2018 em concertos

O ano em que o Festival da Eurovisão aconteceu pela primeira vez em Portugal.

21 de dezembro de 2018 às 14:502018 em concertos

O sonho que durou décadas concretizou-se em 2018: pela primeira vez, o Festival da Eurovisão aconteceu em Portugal. Lisboa foi a cidade anfitriã deste grande evento televisivo, com as duas meias-finais e a grande final a decorrerem na Altice Arena, sem grandes sobressaltos. Mais um grande evento para o palmarés, depois da Expo 98 e do Euro 2004. O final sorriu a Israel, e a Netta, que levou o troféu.


  
A Altice Arena foi um desfile de veteranos este ano. Enquanto sósias de Bob Dylan recriavam à frente do Centro Comercial Vasco da Gama as versões, de harmónica junto aos beiços, iguais às dos anos 60, o verdadeiro e velhinho Dylan (de 76 anos) reinventou-se em palco com interpretações bem diferentes dos originais. O panfletário Roger Waters simulou um teatro de guerra, fazendo do pavilhão lisboeta uma espécie de Faixa de Gaza, num espetáculo que foi um tributo aos Pink Floyd. Os Queen, ou melhor o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor, voltaram a Lisboa para encher o Altice Arena, na companhia do cantor Adam Lambert. E oito anos depois, os U2 voltaram a palcos nacionais para um espetáculo duplo naquela grande sala, com muitas emoções à solta e um grande agradecimento de Bono à sua banda e à sua mulher de sempre, Ali Hewson 

 

Um dos momentos mais insólitos no Altice Arena aconteceu durante o concerto dos Metallica, quando o guitarrista Kirk Hammett e o baixista Robert Trujillo cantaram com o público o tema popularizado pelos Xutos & Pontapés, 'A Minha Casinha', numa grande homenagem ao falecido guitarrista Zé Pedro.

 

Houve enguiços que se quebraram, para alegria dos metaleiros nacionais da velha guarda. Ozzy Osbourne finalmente estreou-se em palcos nacionais, ao fim de 50 anos de carreira e de várias tentativas goradas. Trouxe consigo um número poupadinho de temas dos Black Sabbath, entre os quais 'War Pigs' e 'Paranoid'. Quase já residentes em Portugal são os Iron Maiden que estão a fazer do Altice Arena a sua sala de espetáculos, o que acontecia décadas atrás no já derrubado Pavilhão Dramático de Cascais, o antigo local de peregrinação dos fãs da banda de Bruce Dickinson, entre 1984 e 1998. 

Houve outro batismo ao vivo no Altice Arena, o do supergrupo brasileiro Tribalistas, de Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes - a que se seguiu outro concerto no Coliseu do Porto, dois dias depois. O público português pôde finalmente cantar 'Já Sei Namorar' frente aos seus autores


 
Sam Smith estreou-se em nome próprio em Lisboa, também na Altice Arena, pavilhão que voltou a receber a colombiana Shakira ou a banda do ator Jared Leto, 30 Seconds to Mars. Quem subiu a parada e arriscou um concerto na Altice Arena foi a grande estrela nacional de reggae e dancehall Richie Campbell, tendo atraído mais de dez mil pessoas ao seu espetáculo.

NOS Alive é cada vez mais o maior festival de verão português. A procura não pára de aumentar de ano para ano e em 2018 ficou esgotado a um mês do seu início. O nome mais mediático era sem dúvida dos Pearl Jam, que viajaram sem pudores aos seus anos 90, num longo concerto que contou no encore com outras das estrelas do cartaz, o ex-líder dos White Stripes, Jack White. Neste poderoso recheio da programação do Alive, fizeram parte Bryan Ferry, o filme-concerto dos industriais Nine Inch Nails, o grunge dos Alice In Chains, o eletropsicadelismo dos MGMT, o rock turbo dos Queens of the Stone Age, os românticos The National e os mal compreendidos Arctic Monkeys, onde Alex Turner deu azo à sua persona de estrela rock & roll estilosa. O radar do Alive continua bem ligado nos palcos secundários: os Wolf Alice voltaram ao coberto Palco Sagres (antes chamado de Heineken) onde atuaram também Sampha e os regressados e furibundos indie-rockers At the Drive-In.


Ano par é ano de Rock in Rio Lisboa, com a suspeita do costume Ivete Sangalo, e um cartaz alavancado por cabeças-de-cartaz como Katy Perry, The Killers, Bruno Mars ou os repetentes Muse, numa edição marcada pela justa homenagem a Zé Pedro dos Xutos & Pontapés, com a presença em palco do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Primeiro-ministro, António Costa.


O festival gaiense Marés Vivas continua o seu crescimento, num recinto maior, junto ao mar, mesmo na foz do rio Douro. Houve muitas lágrimas em palco, caídas dos olhos de Rita Ora e de Carolina Deslandes. O DJ francês David Guetta atraiu uma enchente; outra nave espacial foi a dos funkys Jamiroquai, com um Jay Kay mais gordinho, mas ainda fiel ao seu fato de treino e ao seu capacete luminoso.

O NOS Primavera Sound, no Porto, assistiu à intempérie musical de Nick Cave e dos seus Bad Seeds debaixo de uma chuva com toque biblíco, enquanto trovejavam imagens de um temporal no tema 'Tupelo' e o público sentia as gotas caídas do céu. O concerto terminou com uma invasão de palco. O motim punk dos Idles, a pop pertinente de Lorde, o futurismo coreografado da artista eletrónica Fever Ray e o banho de multidão ao rapper ASAP Rocky ajudaram a fazer esta edição do Primavera tão especial quanto as anteriores.


O festival Vilar de Mouros voltou a viver nos anos 80, com Peter Murphy, Pretenders, os Public Image Limited (ou PiL) ou os Human League. Os James e os dEUS trataram das memórias dos anos 90 (e não só). 

Os coliseus de Lisboa e do Porto voltaram a ser casas onde David Fonseca foi feliz, com o seu espetáculo comemorativo dos vinte anos de carreira, em que também participaram Sofia Lisboa (ex-Silence 4), Bruno Nogueira, Manuela Azevedo e Camané. Os Diabo na Cruz estrearam-se nas históricas salas. O Coliseu dos Recreios foi também animado pela noite dupla dos LCD Soundsystem, pelos Jesus & Mary Chain e por Hozier, no ano em que finalmente os Beach House trocam clubes pequenos sobrelotados pela mais desafogada sala centenária da capital. Há também os eternos regressados como as lendas brasileiras Caetano Veloso (quase um habitante dos coliseus) e Chico Buarque, num lote a que se pode juntar a canadiana Feist.    

"Nunca se deve regressar a um local onde se foi feliz" é uma frase recorrente que não deve chegar ao Canadá. Os Arcade Fire voltaram a Paredes de Coura 13 anos depois daquela memorável atuação ao pôr-de-sol, quando ainda não tinha sequer roadies. Na primavera, já tinham saboreado o calor do nosso público no Campo Pequeno, em Lisboa, onde quase ocuparam o centro da arena.


 

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