2018: as polémicas

Acusações de plágio, plano de rapto, polémica de assédio, detenções e vaias marcaram o ano musical.

19 de dezembro de 2018 às 11:142018: as polémicas

Quando tudo apontava para Diogo Piçarra ganhar o Festival da Canção, depois de ter sido o mais votado das duas meias-finais, estala na net a polémica da excessiva semelhança entre a sua 'Canção do Fim' e uma balada de 1979 da Igreja Universal do Reino de Deus, 'Abre Os Meus Olhos'. Apesar da negação do plágio, Diogo Piçarra opta por desistir da participação na final. "Não pretendo alimentar mais esta nuvem. Tudo isto que se criou em torno da minha participação já não é música", foi assim que o cantor algarvio fechou o assunto.

 

Quem passou da posição de acusado a acusador neste assunto do plágio foi Ed Sheeran que reclamou uma indemnização pelo dinheiro gasto com o processo e pelo tempo perdido, na resposta a uma ação interposta pela editora da cantora Jasmine Rae que afirmava que 'The Rest of Our Life' tinha sido copiada em alguns pontos pelo cantor britânico. Mas por vezes, os músicos também vencem processos de plágio, foi o que aconteceu com os U2, num duelo em tribunal com o músico inglês Paulo Rose que chamava a atenção para as similitudes excessivas entre o tema da banda irlandesa de 1991, 'The Fly', e a sua música 'Nae Slappin'. Já a contenda entre os Radiohead e Lana Del Rey pela reclamação dos créditos autorais a 'Get Free', por plágio parcial a 'Creep', não chegou à barra do tribunal. As partes desavindas preferiram sentar-se a uma mesa.

Mas nem todas as controvérsias judiciais se reduzem ao tema do plágio. Seal, por exemplo, viu-se perante a acusação de assédio sexual pela sua vizinha Tracey Birdsall, supostamente por ter tentado beijar a atriz. Caso mais sério e policial foi o que envolveu a tentativa de rapto de Lana Del Rey em Orlando, na Florida, por um perseguidor cadastrado de 43 anos. O caso deixou impacto na atuação posterior ao incidente de Lana Del Rey que não conseguiu esconder as lágrimas. 

 

Azealia Banks desabafou no Instagram que tinha acabado de ser abusada sexualmente e que se sentia "suja", depois de ter sido drogada. O post seria apagado. Através da mesma plataforma, a norte-americana partilhou uma série de vídeos em que fala a chorar e a pedir o auxílio dos amigos. Quem não se portou nada bem foi o bispo evangélico que presidia as cerimónias fúnebres de Aretha Franklin, ao apalpar a cantora Ariana Grande durante as exéquias. #RespectAriana foi a hashtag que se impôs no mundo das redes sociais.

 

Peter Murphy, durante a digressão comemorativa da obra dos Bauhaus, ficou a conhecer a força musculada do staff de segurança sueca em Estocolmo, quando começou a atirar garrafas de cerveja à multidão e depois tentou agredir um dos seguranças. Acabou expulso do próprio concerto e numa cena triste, atirado ao chão e algemado no meio da rua. A rapper Cardi B não envolveu o seu corpo em nenhuma rixa mas é acusada de ter metido outros ao barulho, com uma alegada ordem de ataque contra duas empregadas de um bar de strip de Nova Iorque, que envolveu lançamento de cadeiras e garrafas contra as bartenders. A rapper teve que se entregar a uma esquadra nova-iorquina.  

É comum a manifestação panfletária de alguns músicos nos seus concertos. Mas quando as causas dos artistas não são bem as mesmas do público para quem se está a tocar, pode haver complicações. Foi o que aconteceu com o panfletário Roger Waters quando acusou o candidato presidencial Bolsonaro de fascista em pleno clima eleitoral, num grande espaço ao ar livre de São Paulo como o Allianz Park. Dividiu o público e não se livrou de uma monumental vaia que se tornou difícil de controlar para o baixista ex-Pink Floyd. A hashtag #elenao exibida nos ecrãs só foi aceite pelos que percebem que o tema 'The Wall' não é propriamente sobre construção civil. O cantor inglês Morrissey também não se deu bem na Escócia, quando deu azo ao seu habitual sarcasmo corrosivo, ao mandar uma tirada à Primeira-Ministra da Escócia, Nicola Sturgeon: "estou curioso. Alguns de vocês gostam realmente da Nicola Sturgeon? Aquelas mãos podem ir parar a qualquer bolso". O público de Glasgow não se ficou pelos assobios, houve mesmo debandada a meio.

 

A vitória de Israel no Festival da Eurovisão, em Lisboa, através da cantora Netta Barzilai, lançou automaticamente a questão polémica se o grande evento continental se devia realizar no país hebraico, tendo em conta a ocupação militar na Palestina. Mas a tradição vai manter-se: o país vencedor organiza a edição do ano seguinte. 

Por falar em Eurovisão, o anterior vencedor, o nosso Salvador Sobral, continua de língua solta depois do transplante cardíaco, e causa fricções mesmo quando brinca. Durante uma entrevista a uma televisão espanhola, justifica a sua energia em palco com o consumo de cocaína. Quem levou mais à letra, não achou muita piada a esta intervenção de Sobral. 

Há dramas naturais, influenciados pelas mudanças climáticas, que não escaparam a alguns músicos, como os grandes incêndios na Califórnia que levaram a que Neil Young, Robin Thicke e Miley Cyrus perdessem as suas casas nos fogos, e obrigaram várias celebridades a serem evacuadas como Lady Gaga ou o casal Kim Kardashian & Kanye West.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Our home is just to the left! Praying

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Este ano voltou a haver bonecos de cera cujas réplicas correram mal. E desta vez foi mesmo no museu mais famoso de todos dentro do género, o londrino Madame Tussauds, uma das réplicas mais desastradas. As cópias das tatuagens de Justin Bieber estão perfeitas, tão perfeitas que se esqueceram do rosto, subitamente mais afeminado. 

 

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