Recordar pode ser palavra-chave para detetar Alzheimer

Relembrar episódios da vida pessoal pode ser uma nova forma de combater a doença de Alzheimer.

05 de setembro de 2018 às 13:10Recordar pode ser palavra-chave para detetar Alzheimer

Um estudo científico lançado pela universidade de Arizona, nos Estados Unidos da América (EUA), avança uma nova forma de detectar e prevenir a doença de Alzheimer.

O estudo, dado a conhecer perto do final de agosto, foi realizado através da análise de 35 adultos saudáveis, dos quais metade carregam a variante do gene APOE e4 - um fator de risco genético associado ao desenvolvimento da doença de Alzheimer.

O estudo foi feito através de entrevistas autobiográficas a pessoas com idades entre os 50 e 80 anos, que tiveram de recordar memórias recentes, de quando eram crianças e enquanto adultos com o máximo de detalhes possível.

Os entrevistadores não sabiam quais os adultos que possuiam mais ou menos riscos de padecer de Alzheimer, enquanto resgistaram e pontuaram as respostas dadas pelos entrevistados.

Apesar de todos as pessoas analisadas terem um comportamento normal ao longo da entrevista, alguns adultos associados ao gene deram respostas mais vagas, com poucos pormenores. O investigador participante no estudo, Matthew Grilli, afirma que as pessoas do grupo que mostram mais dificuldade em recordar "estão num estágio pré-clinico da doença de Alzheimer".

No estudo foi concluido que nem todos os que possuem a variante do gene APOE e4, presente em cerca de 25% da população, chegam a desenvolver a doença, assim como, nem todos os que desenvolvem Alzheimer possuem esse gene.

A doença de Alzheimer é difícil de ser detectada, embora as mudanças no cérebro que lhe estão associadas possam surgir anos, ou até décadas antes que o indivíduo apresente dificuldades de memória.

Os investigadores defendem que este método poderá ser utilizado para ajudar nos ensaios clínicos, uma vez que, a dificuldade de recordar detalhes autobiográficos pode ser sinónimo de uma perda cognitiva associada ao Alzheimer.

A evolução do estudo pode gerar um modelo mais prático e económico de exame clínico para a deteção da doença.

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