NOS Alive: guia musical para o 1º dia

Miguel Araújo, Bryan Ferry, Nine Inch Nails, Orelha Negra e, claro, os Arctic Monkeys fazem parte do itinerário para o dia de amanhã.

11 de julho de 2018 às 07:00NOS Alive: guia musical para o 1º dia

Podendo chegar cedo ao NOS Alive e evitar congestionamentos, há propostas logo pela tardinha, e à sombra da cobertura dos hangares dos palcos Sagres e NOS Clubbing, vindas da América do Sul, falamos da ex-comediante argentina Juana Molina (que entrega as suas canções às aventuras pela eletrónica) e da brasileira Bibiana Petek (mais dada à meiguice acústica). "Anda comigo ver os aviões", pedirá talvez Miguel Araújo aos festivaleiros do Alive (no Palco NOS, 18h00), naquele que é o tema dos Azeitonas que continua a tocar mais nos seus concertos em nome individual. Mais provável ainda é lembrar o golo de calcanhar do portista Madjer em '1987'. Quem percebe de anos 80 é Bryan Ferry (Palco NOS, 19h15), o veterano cantor vindo dos Roxy Music, que vai perfumar o Passeio Marítimo de Algés com a sua elegância pop e com um aparato de músicos e de coros femininos que lhe é querido. Tens os trunfos todos para lançar as cartadas e vencer: 'Don't Stop the Dance', 'Slave to Love' ou, dos tempos dos Roxy Music, 'Avalon' e 'Love Is the Drug' fazem parte do naipe.

 

Quem ainda não tiver fome para jantar e tiver curiosidade em ver o que é uma banda de rock a valer dos tempos de hoje, é dirigir-se às 20h15 ao Palco Sagres, na outra ponta do recinto, e espreitar os ingleses Wolf Alice que têm muito mais que uma vocalista loira e bonita. Provam ainda que o mero uso dos recorrentes baixo, guitarras e bateria pode ter resultados longe da redundância. Quem se sentir desconfortável com este estilo suado, há uma alternativa nacional à mesma hora (20h15, NOS Clubbing) por parte da dupla D'Alva e com o que eles chamam acertadamente de fluid alt-pop. Não devem faltar algumas das canções novas que fazem parte do próximo álbum, que sai em outubro, incluindo a já conhecida 'Verdade sem Consequência'.

 

A partir das 20h55, começa a ser difícil não ligar ao que se passa no palco maior, o Palco NOS, quando os gigantes do rock industrial Nine Inch Nails aparecerem diante de nós, com o seu som maquinal avassalador, com um nível de decibéis que vai desestabilizar alguns moradores de Algés, excepto a balada 'Hurt' com que a banda de Trent Reznor costuma fechar os concertos. Mais dados à festa, os indietrónicos Friendly Fires (Palco Sagres, 21h40) estão mortinhos por mostrar as novas canções ao fim de tantos anos de interregno - apesar da tenra idade, 'Love Like Waves' parece já um clássico.

 

Numa rua pombalina perto de si, isto é na rua EDP, por trás dos palcos NOS Clubbing e Sagres, António Zambujo passa (às 21h55) pelo Fado Café para servir um combinado muito especial e indistinto entre cante alentejano, bossa nova e fado, bem ao gosto do bejense. Aparecerá por lá Miguel Araújo?

 

À medida que a noite avança, a multidão vai-se concentrando cada vez mais junto ao Palco NOS, à espera das estrelas da noite: Snow Patrol (às 22h20), dirão alguns, Arctic Monkeys (reservados para a 0h05), dirão muitos mais. A banda de Alex Turner continua a acertar o passo pesado do seu garage-rock com êxitos radiofónicos, o último dos quais o bamboleante 'Four Out of Five', que deve abrir o concerto. Mas a turba dos seguidores dos Arctic Monkeys vai ter muito mais que cantar.   

 

Para os mais boémios que aguentam a pedalada da madrugada, ou que dormiram a sesta e por isso estão mais frescos, Sampha (Palco Sagres, 1h35) deve preferir a fogosidade de pé à intimidade mais formal de um piano de cauda que o obrigue a estar sentado. Em cerca de uma hora, vai poder mostrar que o seu Mercury Prize ganho no ano passado pelo álbum de estreia "Process" não é obra do acaso, é sim graças a uma obra catártica. Quase à mesma hora (à 1h45, no NOS Clubbing), há também quem tenha um entendimento singular do que é a soul, os nacionais Orelha Negra, mas tendo no hip hop instrumental a rampa de lançamento para as suas viagens sensoriais.


 

 

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