Viagem à Coreia do Sul: do k-pop à tecnologia

Pequenos mas aguerridos, os sul-coreanos têm uma missão muito difícil no Grupo F.

12 de junho de 2018 às 16:36Viagem à Coreia do Sul: do k-pop à tecnologia

Gigantes da tecnologia e inventores do taekwondo, a seleção do país do Gangnam Style não vai à Rússia só para passear. Mas parece ser a equipa mais frágil do grupo da Alemanha, Suécia e México.

 

Futebol Atual

Provavelmente, foi o apuramento mais difícil dos nove consecutivos que a Coreia do Sul alcançou. O passaporte para a Rússia foi quase ao photo-finish com a Síria, num percurso marcado por três derrotas e três empates em dez jogos, e num grupo que teve o Irão como vencedor inequívoco. A dificuldade de apuramento foi tal que a Federação decidiu  prescindir dos serviços de Uli Stielike a poucos jogos do final, entregando o comando técnico a Shin Tae-Yong, que com dois empates a zero (Irão e Uzbequistão) selou o já tradicional apuramento.

Superar a fase de grupos, como aconteceu em 2002 (melhor classificação de sempre - 4º lugar) e 2010, é o grande objetivo dos coreanos, contando para tal com a estrela da companhia Heung-Min Son. Aos 25 anos, o médio ofensivo do Tottenham - sete golos na fase de qualificação - vai fazer a estreia em Mundiais. Num onze pouco mediático, a outra figura da seleção é o avançado Ki Sung-Yueng, do Swansea. 

 

 

O único semi-finalista asiático

A Coreia do Sul tornou-se na primeira seleção asiática a alcançar as meias-finais de um Mundial, precisamente aquele que co-organizou com o Japão em 2002. Com muita polémica à mistura, incluindo no jogo que eliminou Portugal - o tal em que João Veira Pinto foi expulso por uma entrada dura -, a Coreia do Sul entusiasmou-se com a fase de eliminatórias de um Mundial, depois de repetidas eliminações na primeira fase. Em 2010, conseguiu alcançar os oitavos-de-final.

Apesar da afirmação continental indubitável, a Coreia do Sul não é campeã asiática desde 1960. Depois dos dois títulos asiáticos – em 1956 e 1960 – os "Guerreiros de Taegeuk" perderam as quatro finais seguidas da competição. Há um avançado sul-coreano, fora das contas para o Mundial, que deixou boa memória em vários clubes portugueses, em especial no Vitória de Setúbal, em 2015-16: tramo-lo por Suk, que é mais fácil de dizer do que o seu nome complexo: Suk Hyun-jun.


K-pop

Um sul-coreano, Psy, pôs o mundo a dançar em 'Gangnam Style'. O videoclipe bateu o recorde de visualizações, ultrapassando o bilião. Psy, de fato, ténis e uns óculos escuros, popularizou uma forma excêntrica de dançar. Nunca se falou tanto em k-pop, um subgénero nascido na Coreia do Sul e que se enraíza no Extremo Oriente, onde no meio de uma abundância de géneros ocidentais - pop, r&b, funk - se dá um toque mais tradicional e exótico, que não se deve apenas ao emprego da língua coreana. Curiosamente, os refrães costumam ser em inglês, tal como em 'Gangnam Style'.


Kinchi

As normas de etiqueta são muito importantes no modo de comer sul-coreano. Em muitos rituais, o chá desempenha um papel essencial, acompanhados muitas vezes, por bolos de arroz, os redondinhos tteok. A cozinha, como é típica no Oriente, é muito à base de carnes e, claro, de arroz e peixe. Se se estiver em Seul, também se pode comer com os olhos nos mercados de rua como o Namdaemun, em Seul, onde podemos ver vários fritos e grelhados como as espetadas dak-kkochi, de carne de frango. O mercado de peixe de Noryangjin, também em Seul, é outro espetáculo visual, com bancas de 700 vendedores. À hora de aurora, há até leilões para o peixe mais requerido.

É impossível falar de comida sul-coreana e não mencionar os kimchis, uma conserva de pickles de couve, cenoura e nabo que se podem comer num novo restaurante asiático, o Soão, em Lisboa (no bairro de Alvalade), que tem outros pratos coreanos como o dakgangjeong - asas de frango crocantes com molho e sementes de sésamo - ou o galbijjim - costela de vaca marinada e cozida a baixa temperatura. Mais predominantemente coreano é o Xin, em Odivelas, com vários pratos picantes, incluindo sopas, e forte nos noodles e nos acompanhamentos - como é hábito no país.


T de tecnologia, T de taekwondo

Tal como o Japão, também a Coreia do Sul é uma potência tecnológica, cada mais focada nas energias alternativas. Nessa linha, é perceptível que muitas das marcas mais internacionalizadas do país estejam ligadas ao ramo de produtos eletrónicos como a Samsung (famosa pelos telemóveis) ou a LG (reconhecida não só pelos telemóveis como por eletrodomésticos como frigorificos ou micro-ondas). A indústria automóvel é igualmente uma boa exportadora, basta pensarmos nas viaturas da Hyundai ou da Kia, ambas presentes nas nossas ruas e parques de estacionamento.


Embora não muito falada por cá, a capital Seul é uma das cidades asiáticas com mais atrações, onde não faltam aqueles palácios e templos esmagadoramente orientais, como de Gyeongbokgung e de Bongeunsa, torres altas como a N Seoul Tower (com 236 metros de altura) ou vilarejos típicos como o Bukchon Hanok. Os montanhosos parque naturais de Bukhansan e de Seoraksan, com milhares de diferentes espécies vegetais diferentes, são a prova viva da biodiversidade sul-coreana.

Tal como no Japão, há uma grande paixão dos sul-coreanos por desportos americanos, como o basebol ou o basquetebol. No andebol, a seleção feminina tem dado bom nome ao país do Extremo Oriente, já campeã olímpica em 1988 e em 1992 e campeã do mundo em 1995. Como será de esperar, atendendo à região geográfica, o país também tem as suas próprias artes marciais, a mais expandida em todo o mundo é o taekwondo, já modalidade olímpica desde 2000. Se virem redes altas espalhadas em vários pátios e parques, não estranhem, tratam-se de courts de badminton, alguns deles improvisados: o desporto é muito praticado na Coreia do Sul: foi nas Olimpíadas de Seul 1988 que se tornou olímpica.

 

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