Santa Maria encaminha abortos para clínica privada por falta de enfermeiros

Instituição diz que recorre, sempre que necessário, a unidades privadas, para poder dar resposta atempada.

12 de janeiro de 2018 às 15:36Santa Maria encaminha abortos para clínica privada por falta de enfermeiros

O Hospital Santa Maria, em Lisboa, está a encaminhar para uma clínica privada as mulheres que precisam de uma interrupção da gravidez, a custo da instituição que se depara com falta de enfermeiros especializados. 

O DN escreve hoje que "o Hospital de Santa Maria suspendeu, no início do ano, a consulta de interrupção de gravidez, alegando diminuição no número de enfermeiros especialistas". 

"Os três médicos responsáveis pela consulta tentaram impedir o encerramento da mesma que está 'suspensa por tempo indeterminado', enviando uma carta para a direção clínica em que propunham encarregar-se, por agora, das tarefas antes asseguradas pelos enfermeiros especialistas", lê-se hoje no diário.

Em comunicado, a administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), a que pertence o Santa Maria, referiu que, por proposta da direção do departamento de obstetrícia, ginecologia e medicina de reprodução, decidiu "recorrer, sempre que necessário, a unidades privadas, certificadas pelo Ministério da Saúde, para poder dar resposta atempada e com qualidade às grávidas que procuram" os serviços para um aborto.

Na origem desta medida estará o movimento de enfermeiros especialistas em obstetrícia que, alegando não serem pagos para o efeito, se recusaram a exercer funções na área da especialidade, assim como a saída de duas enfermeiras afetas ao departamento para o setor privado.

O CHLN garante que "o principal objetivo desta medida é naturalmente garantir a segurança, assegurar uma resposta em tempo útil e com qualidade e evitar colocar a grávida em situações de risco, não esquecendo também a natural proteção aos profissionais".

O departamento conta com uma enfermeira dedicada exclusivamente a esta consulta, a qual se encontra em licença de parto, estando prevista a saída de mais duas enfermeiras. 

O CHLN assegura que está a promover "o recrutamento de profissionais especialistas nesta área, esperando resolver a situação com a maior brevidade possível, com o apoio da tutela".

Em 2016, o Hospital Santa Maria realizou 467 interrupções da gravidez, todas por opção da mulher, segundo o Relatório dos Registos das Interrupções da Gravidez, elaborado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

No ano anterior, este hospital tinha realizado 454 abortos, pelo mesmo motivo, de acordo com os dados da DGS.
 

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