Catherine Deneuve: homens devem poder "atirar-se" às mulheres

100 mulheres, incluindo a atriz francesa, escrevem carta que ataca o movimento #MeToo.

GETTY IMAGES
10 de janeiro de 2018 às 12:11Catherine Deneuve: homens devem poder "atirar-se" às mulheres

A atriz francesa Catherine Deneuve manifestou-se contra aquilo que considera ser uma vaga de "puritanismo" levada a cabo pelas denúncias do movimento "#MeToo".

O movimento foi criado no ano passado e pretende denunciar casos de assédio sexual e violação a mulheres. A revista Time considerou o "#MeToo" como "Figura do Ano 2017".

Na carta pode ler-se que "a violação é um crime, mas tentar seduzir alguém, mesmo que de forma persistente, não o é".

O documento publicado na terça-feira pelo jornal Le Monde foi escrito e assinado por 100 artistas, escritoras e académicas francesas.

Para além de Deneuve, fazem parte da lista as atrizes Ingrid Caven e Christine Boisson, a escritora e editora de revistas Catherine Millet, a jornalista Élisabeth Lévy e Brigitte Lahaie, uma atriz pornográfica dos anos 70 que hoje é apresentadora de um "talk-show".

São repudiadas, ao longo do texto, as denúncias públicas feitas após a polémica que envolve o produtor de Hollywood Harvey Weinstein. Ainda assim, as signatárias do documento reconhecem a legitimidade da onda de consciencialização da violência sexual contra as mulheres, "particularmente no local de trabalho, onde alguns homens abusam do poder", lê-se na carta.

As autoras da carta defendem que a "caça às bruxas", a que alegadamente têm assistido, constitui uma ameaça à liberdade sexual e chegam a afirmar que os homens devem poder "atirar-se" às mulheres.

Segundo a BBC News, a carta refere também que "os homens têm sido punidos, despedidos dos seus empregos, quando tudo o que fizeram foi tocar no joelho de alguém ou "roubar" um beijo". As mulheres que assinaram a carta afirmam que o nome destes homens é "arrastado pela lama, por falarem sobre temas de natureza íntima em situações profissionais, ou por mandarem mensagens sexuais a mulheres que não retribuem as suas atenções".

É também possível ler-se que "aquilo que começou como uma possibilidade de libertação para as mulheres tornou-se no seu contrário: intimidamos as pessoas para que falem "corretamente", calamos aqueles que não seguem estas novas regras, e às mulheres que as recusam apelidamos de traidoras ou cúmplices", prossegue o documento.

Segundo o Observador, as autoras lamentam que os homens denunciados não tenham tido "oportunidade de responder ou se defenderem".

Através do texto, estas mulheres dizem estar a defender a liberdade sexual para a qual é essencial a "liberdade de seduzir e importunar".

A carta acaba com o conjunto das 100 mulheres a declarar não se reconhecer naquele feminismo que "para além de denunciar abusos de poder mostra um ódio pelos homens e pela sexualidade".

Desde 1957, a famosa atriz Catherine Deneuve já marcou presença em mais de 100 filmes.

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