"Chovia Lume" no pior dia do ano

Fizemos uma viagem à terra queimada. Um mês depois dos trágicos incêndios, revelamos, nesta reportagem multimédia, histórias dos que sobreviveram à destruição das chamas em Oliveira do Hospital.

NC
15 de novembro de 2017 às 06:00"Chovia Lume" no pior dia do ano

Depois dos trágicos incêndios que atingiram o país a 15 de outubro, atravessámos o IP3, rumo a Oliveira do Hospital (Coimbra), e chegámos a um dos locais mais afetados pelas chamas. 

Neste concelho, morreram 12 pessoas. Em todo o país, os incêndios fizeram 45 vítimas mortais em outubro.

“Chovia Lume” no pior dia do ano é uma reportagem multimédia que começa a caminho de Oliveira do Hospital, na Estrada da Beira, e que retrata que o cheiro a fumo e a paisagem preta, mesmo com um cenário de céu azul carregado, não escondem, um mês depois, a destruição que o fogo fez. 

Os que escaparam às chamas, estão hoje a recuperar casas e anexos que serviam para a prática agrícola.

Estão a cuidar dos poucos animais que sobreviveram e a tentar, ainda, lidar com as memórias de um dia que garantem: vai ficar marcado para o resto da vida.

Só neste concelho arderam 170 casas de primeira habitação, segundo o mais recente balanço avançado pela autarquia. Vão ser necessários, pelo menos, 10 milhões de euros para reconstruir todas as casas atingidas.

Pelo menos 85 empresas foram atingidas com prejuízos que rondam os 100 milhões de euros. Os maiores fogos do dia 15 de outubro começaram na Lousã e em Oliveira do Hospital.

No fogo associado a Oliveira do Hospital arderam 43 mil hectares. No concelho as chamas destruíram 22 mil hectares, numa altura em que está apurada 97% da área ardida. 

Nesta viagem à terra queimada, ouvimos o relato de Vítor Rodrigues, criador de ovelhas bordaleiras há mais de 30 anos, uma raça utilizada para a produção de queijo da serra e que perdeu pelo menos 20 animais naquele domingo. 

Carlos Martins, que fazia restauro e pintura de carros, sobretudo clássicos, revelou-nos como é que as chamas destruíram totalmente a oficina que construiu ao longo de 35 anos.

Ficou-nos na memória o testemunho de Maria Emília Carvalho, uma mãe com 76 anos que perdeu todos os terrenos que tinha, mas que “salvou a casa do filho” que estava fora da aldeia, destacado em Lisboa a trabalhar. 

Terminámos o dia no principal ponto de recolha dos bens que, nas primeiras horas após as chamas, começaram a chegar. O parque de estacionamento subterrâneo junto ao edifício da autarquia foi transformado num centro de entrega e triagem das doações destinadas às vítimas dos incêndios. 

Agradecimento especial : Céu Tomé, pelo empenho na receção e separação dos bens doados pelos funcionários da Media Capital Rádios e Associação Abraço de Águia – Lisboa que chegaram às vitimas destes incêndios no dia em que foi realizada esta reportagem.

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