Ana Moura e as atuações nos coliseus: "o medo faz-me buscar forças"

Entrevista à fadista nas vésperas dos concertos em Lisboa e Porto.

João Correia
12 de outubro de 2017 às 15:10Ana Moura e as atuações nos coliseus: "o medo faz-me buscar forças"

Em entrevista à Rádio Comercial, Ana Moura afirmou que os espetáculos nos coliseus de Lisboa (sábado, 14) e Porto (dia 28) vão ter um formato diferente do habitual. "Nestes concertos vou cantar temas que não interpreto há muito tempo. Quem é seguidor do meu trabalho vai ficar surpreendido, porque os temas vão ser cantados de uma outra forma, e interpretados de outra forma pelos músicos".

Ana Moura vai ser acompanhada pela sua banda habitual: Mário Costa na bateria, André Moreira no baixo, Ângelo Freire na guitarra portuguesa, Pedro Soares na guitarra clássica e João Gomes nos teclados. "Por toda a parte por onde temos passado, temos sido extremamente bem recebidos. As pessoas têm gostado muito deste disco e os coliseus são especiais porque celebram tudo isto", resume Ana Moura.

Sobre o nervoso miudinho que costuma acontecer nestes momentos, Ana Moura acha-o "importante. Quando deixar de haver essa faísca dos nervos, torna-se tudo muito desinteressante. Acho que faz parte haver esse medo que nos leva a ir buscar forças e a dar mais intensidade à coisa".

Ana Moura vai voltar ao Coliseu dos Recreios no dia 11 de novembro, mas como convidada do concerto de Miguel Araújo: "Vou cantar 'E Tu Gostavas de Mim', que foi uma música que o Miguel escreveu para o meu disco ["Desfado", de 2012]. É muito engraçado porque estou habituada a cantar essa música acompanhada pelos meus músicos. É uma versão completamente diferente do Miguel. Acho que vai ser bonito. Partilhar o palco vai ser bonito, gosto muito dele".

Ana Moura é hoje uma artistas nacionais com maior agenda internacional ao vivo. Há mais de dez anos que o seu passaporte leva carimbos dos quatro cantos do mundo. "O país que mais me surpreendeu foi a China que terá sido a cultura mais distante da nossa e que mais me surpreendeu". Mas há ainda nações por descobrir, onde Ana Moura ainda não atuou. "Atuei muitas vezes na Austrália e há um festival muito bonito que é o WOMAD, que é feito na Nova Zelândia. Eu adorava ir a esse festival e à Nova Zelândia", precisamente o país mais distante de Portugal.

O Ribatejo é há muito um viveiro de fadistas, incluindo a coruchense Ana Moura. Pode haver uma explicação. "Sinto que aquelas tertúlias onde eu cantava quando eu era pequenina foram fundamentais para me despertar o gosto pelo fado. Ouvia-se e cantava-se muito fado nessas tertúlias ribatejanas que são muito comuns".

Até ao final do ano, além dos concertos nos coliseus, Ana Moura atua em Elvas (a 21 de outubro), em Coimbra (a 3 e 4 de novembro), em Évora (18 de novembro), na Póvoa de Varzim (24 de novembro), em Torres Novas (9 de dezembro) e em Almada (22 de dezembro). Segue-se em 2018 um concerto em Paris a 3 de março e uma digressão pelos Estados Unidos em abril.

 

 

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