NOS Alive: The Weeknd foi rei

Resumo do primeiro dia, marcado pelas excelentes actuações de Ryan Adams e The xx.

07 de julho de 2017 às 04:35NOS Alive: The Weeknd foi rei

Perante muito público (que soube dispersar-se pelos vários palcos), coube a The Weeknd fechar o Palco NOS do NOS Alive, com uma atuação marcada pela entrada de rompante com dois dos seus áses: o melhor trunfo logo para começar, 'Starboy', e a seguir outra cartada forte com 'Party Monster'.

Mas The Weeknd aguentou a fasquia alta, cruzando dois temas num só, enquanto percorria o palco com assertividade e muitos gestos. A sua qualidade de cantor r&b fica à vista. Acima de The Weeknd, está um palanque bem alto, onde se arrumam discretamente os seus instrumentistas. Que fique bem entendido, o palco é para The Weeknd.

Antes do encore, The Weeknd canta o popular 'I Feel It Coming' que grande parte do público soube cantar. Era tal a euforia dos espetadores ao longo do concerto, que até deu para ver um vendedor ambulante de cervejas a cantar de cor e emocionado uma das músicas, enquanto era interpelado para servir mais um copo. O fecho é com o aparato da entrada, só que ao som de 'The Hills', com chamas tanto em palco, como em imagens no ecrã atrás.

A lindíssima atuação dos xx no Palco NOS termina em tons românticos, com a dedicatória da vocalista e guitarrista Romy Madley Croft em 'Angels' à sua noiva, que comemorava neste dia o seu aniversário. Para uma banda de atmosfera austera, as emoções estiveram à flor da pele. O outro vocalista, o baixista Oliver Sim, fez por exemplo uma homenagem sentida a um membro do entourage do grupo que teve ser hospitalizado em Lisboa.

E a banda demonstrou por várias vezes, e de forma sentida, o quão especial era tocar em Portugal, eles que chegaram a organizar um festival à sua conta em Lisboa, nos Jardins da Torre de Belém, em 2013.

Um dos momentos altos aconteceu com o transformado 'Shelter' a provocar um big bang de beats por parte do super-homem Jamie xx, e muitos pulos a Romy (com o seu ar de Robert Smith dos Cure), a dar a via aberta a um tema a solo de Jamie xx, 'Loud Places' e a 'On Hold'... Já estávamos na hora da boémia e da rave de Jamie xx.

O minimalismo do trio é bem mais mexido do que a melancolia deixa entender. De um lado, temos uma maneira de cantar e tocar vagarosa por parte dos dois vocalistas; do lado do arsenal de beats eletrónicos de Jamie xx, há em instantes vários uma velocidade alucinante. Um charme enigmático dá teimosamente a tal sombra às canções. Por outro lado, a cumplicidade entre os três parece cada vez maior, como se fossem irmãos gémeos, sobretudo os dois vocalistas. Ao fim de três álbuns, é que se vê melhor o valor de uma banda. E, agora, passado o hype de já anos em torno dos xx, está mais transparente que os xx são uma banda de verdade.

Antes, também no Palco NOS, os Phoenix deram um concerto muito visual, graças a um ecrã atrás, a projetar imagens, convertivel em tudo: num logo dos Phoenix a faiscar, num cinema ou num teto de planetário. Sim, tocaram a sua música mais orelhuda, 'Entertainment', num espetáculo rock com vontade de dançar na discoteca e mesmo no disco-sound, repleto de efeitos eletrónicos e luminosos.

Os britânicos Alt-J voltaram a medir a força do álbum de estreia "An Awesome Wave", que ainda soa tão fresco, apesar de estarem atarefados com a promoção ao terceiro e recente longo, "Relaxer". Este pop-rock eletrónico tem qualquer coisa de canto gregoriano, nos coros do guitarrista Joe Newman e do teclista e programador Unger-Hamilton.

É impressionante como um trio consegue projetar uma música com tantas camadas e até alguma erudição, graças a um baterista polirrítmico, um guitarrista de arranhar principesco e um teclista que encontra o universo na sua panóplia teclada. Mais uma vez, voltaram a convencer neste regresso ao Alive.

A abrir o Palco NOS estiveram os lisboetas You Can't Win, Charlie Brown, quando o sol ainda batia com força. A cantarem num inglês mais acabrunhado, fizeram valer a maior artilharia eletrónica do álbum "Marrow", com um indie folk mais fluido e elétrico, típico desta recente colheita cancioneira.


Ryan Adams fez uma coisa no Palco Heineken que o seu ídolo Bruce Springsteen gosta de tentar: 'mandar a casa abaixo'. Com um rock e um visual à The Boss, com o seu casaco de ganga, sempre de olho atento ao country, Ryan Adams cria grandes malhas de guitarra como quem respira.

Usando uma franja cuidadosamente despenteada que lhe tapa os olhos, o cantor norte-americano não teve problemas em tocar alguns dos maiores temas dos anos mais recentes como 'Do You Still Love Me' ou Gimme Something Good'. E aqueceu de tal forma o hangar do Palco Heineken que não resistiu a um grande elogio ao ambiente do espaço - 'This place rules'.

Antes, a atmosfera do Palco Heineken foi perfumada pelo r&b eletrónico de Rhye, sobretudo pela voz de Milosh que faz iludir, quem ouve, tratar-se de uma mulher. A dupla foi complementada por mais quatro músicos, incluindo um violinista e uma violoncelista que ornamentaram ainda aquele downtempo tão próximo do trip-hop. Para alegria dos presentes, ouviu-se 'The Fall', um dos temas mais reconhecíveis da dupla.

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