2.º dia de NOS Alive: Foo Fighters foram reis num dia muito recheado

O segundo dia de NOS Alive fica marcado pelas atuações dos Foo Fighters, no palco NOS, e das Warpaint no palco Heineken.

08 de julho de 2017 às 05:002.º dia de NOS Alive: Foo Fighters foram reis num dia muito recheado

Segundo dia de NOS Alive no Passeio Marítimo de Algés.

E começa a música com puro rock e os Killimanjaro a darem tudo no Palco NOS Clubbing; foram os primeiros acordes que se ouviram esta tarde e deram, de imediato, a sensação de estarmos prestes a inaugurar mais um grande dia de música.

Aproveitando a proximidade geográfica da entrada, destacamos o palco Heineken onde as inglesas Savages atuaram pouco antes das 19h00. Com algum público a migrar do introspetivo Tiago Bettencourt do palco NOS, as londrinas, que se juntaram em 2011, tocaram algumas músicas do álbum de estreia, "Silence Yourself", muito acarinhado pela crítica. Já "Adore Life", do ano passado, também merecedor de uma nomeação para os prémios Mercury, foi outro dos destaques da tarde.

No palco principal Tiago Bettencourt parecia ter encontro marcado com os fãs que, chegando cedo, o aplaudiram e cantarolaram os temas mais populares. Uma versão da 'Canção do Engate' de António Variações faz as maravilhas dos mais antigos antes de se ouvir o tema mais recente do cantor português 'Partimos a Pedra', cujo vídeo foi gravado no Alentejo.

Na rua EDP Fado Café há fado mas também lojas para uma pausa. E há t-shirts para todos os gostos.

As muito aclamadas Warpaint (todas miúdas americanas, todas indie), agarraram e muito bem no público a seguir. Mais uma vez, como em tantos anos aqui referimos, o palco secundário beneficia de alguma magia especial que faz com que muitos dos concertos que aqui vemos, embora não ocupem lugar no pódio dos "melhores", estão, tantas vezes, entre os "inesquecíveis". Por certo este voltou a ser o caso com a vibrante atuação de Emily Kokal, Theresa Wayman, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa. Não será injusto dizer que o sucesso das canções mais antigas tem um pouco a mão do antigo guitarrista dos Red Hot Chili Peppers, John Frusciante, que masterizou o seu EP de estreia, "Exquisite Corpse" de 2008. Art rock ou rock psicadélico é ao que soam músicas como 'New Song', do ano passado, a penúltima a tocar neste concerto. 'So Good', 'The Stall' e 'Beetles' também constaram do alinhamento.

Ainda na marca indie rock passaram por ali os Wild Beasts. Com um sotaque britânico que não passa despercebido, trouxeram um cheirinho de cada um dos cinco álbuns. De recordar que "Two Dancers" foi nomeado para um Mercury Prize.

Seguiram-se os Courteeners. A crítica inglesa diz que o grupo faz álbuns "metade" muito bem feitos. No NOS Alive deram um concerto bem interessante e very british. O semblante mais carregado nota-se em músicas como 'No One Will Ever Replace Us'. Ainda se ouviram 'Summer' e 'Bide Your Time' todas escritas pelo líder Liam Fray; todas reflexo das suas experiências pessoais.

Os Cult... ah os Cult... escusado será dizer que a cada acorde que começavam a tocar se esperava que viesse o icónico tema 'She Sells Sanctuary' (lembram-se do genérico do "Portugal Radical"?). E veio, claro que sim, debaixo de uma vibrante chuva de aplausos mas todo o concerto daí para a rente foi fortíssimo em rock com 'Phoenix', 'Lil Devil' e 'Goat'. 'Fire Woman' já se ouve com o público definitivamente conquistado, muito por conta da entrega de Billy Duffy.

Formados em 1983, os Cult separaram-se por alguns anos no final da década de 90. Voltaram em 99 com uma formação renovada e ganharam novo fôlego do qual pudemos ver uma boa amostra neste final de tarde de sexta-feira, a segunda de NOS Alive. No seu 34.º ano de atividade, o grupo já passou por várias fases, desde uma influência mais gótica, a uma onda mais eletrónica e, finalmente, mais hard rock.

Com a tarefa nada fácil de servirem de "primeira parte" aos Foo Fighters, os Kills, banda de indie rock liderada pela cantora americana Alison Mosshart, subiram ao palco NOS pouco depois das 22h00. Com cinco álbuns na bagagem, "Keep On Your Mean Side", "No Wow", "Midnight Boom" e "Blood Pressures", todos a figurarem em lugares cimeiros da Billboard, os rapazes cumpriram o papel... e claro que não esqueceram o registo do ano passado, "Ash & Ice". Depois da pneumonia que os obrigou a pararem com a digressão europeia, Mosshart já está em plena atividade rockeira. 'Baby Says' e 'Echo Home' são ouvidas com muita atenção e 'Doing It to Death', mais dançável, conquistou muitos aplausos, provando que o público português conhece bem o trabalho do grupo e está atento às mais novas. O guitarrista dos Kills e Kate Moss já foram um casal, o que explica algumas t-shirts entre o público com o nome da supermodelo. Surpresa ou não, os Kills não perderam a faísca que atrai os fãs. Com a noite instalada, o recinto começa a ficar overcrowded.

Finalmente, o momento tão esperado pelos milhares de fãs que vieram hoje ao Alive... as luzes acendem, uma forte batida, os yeahs e huhus da plateia e... eis que chegam os gigantes Foo Fighters! Americanos, de Seattle, já lá vão 23 anos desde que Dave Grohl pegou no que restava de si e da sua alma musical findos os Nirvana e voltou a trazer espetacularidade a um grunge / rock que, quando nada o fazia prever, tem milhões de fãs por esse mundo fora. Depois de já terem estado no Alive em 2011, com Grohl, na altura, a tecer duras críticas ao som não analógico, os Foos voltaram a mostrar que mesmo quarentões, ninguém os segura. E tanto assim é que logo na parte inicial do concerto o vocalista e guitarrista partiu uma corda da guitarra.

Fortes personagens rock, inspiradas pelos Knack, Bay City Rollers, Beatles e até pelos ABBA, os Foo Fighters não ignoram as combinações mais rítmicas que estão presentes, sobretudo, nos seus temas mais antigos. E esta noite foi bem repleta de viagens pelos anos 90: com o público todo a vibrar e a aplaudir ouve-se 'Times Like These' do álbum "One by One" e, antes da 1h00, 'Walk', de 1994; o público fica louco com as mais antigas e se dúvidas houvesse, os Foo Fighters são uma das maiores bandas rock de todos os tempos. Pelo meio ficaram 'Learn To Fly', de 1999, o primeiro single a sair do terceiro álbum dos Foos e 'The Pretender' de 2007. A seguir dave Grohl brinca e diz que nos vai apresentar as suas "várias esposas". É a banda, claro está, onde é mais que notória a verdadeira paixão e irmandade que os une.

Ainda antes da música nova, quando a vocalista dos Kills é chamada ao palco, ainda ouvimos 'My Hero', uma canção que já leva 20 anos na bagagem; é do álbum "The Colour and the Shape".

Para setembro deste ano está previsto o lançamento do novo álbum, "Concrete and Gold", de onde já conhecemos temas como 'Run', que tivemos direito a ouvir no Alive.

De assinalar que os Foo Fighters são agora meia-dúzia com o teclista Rami Jaffee a juntar-se este ano oficialmente à banda, depois de já ter alinhado em digressões desde 2005, o ano de "In Your Honor". Jaffee toca um Mellotron; um teclado que remete para as sonoridades vintage dos anos 70 (é uma réplica). Os sons que reproduz fazem lembrar Beatles.

A banda toca os êxitos dos primeiros tempos com uma atitude bem feroz que acaba por se desvanecer um pouco mais para a frente (afinal foram mais de duas horas de concerto). O concerto terminou com 'Everlong'. Longe vão os tempos em que as fãs se descabelavam todas de cada vez que o vocalista abria a boca. Quer dizer, ainda é um bocadinho assim mas o lugar de banda consagrada já impõe um certo respeito e já não há tanta necessidade de os seguranças da frente de palco estarem tão alerta. Do lado de lá, o entusiasmo deles é tão absurdamente grande e envolvente que continuam a parecer um bando de miúdos deslumbrados por estarem a dar o primeiro grande concerto fora da garagem. O baterista Taylor Hawkins é simplesmente brilhante (em sentido literal). De cada vez que a câmara o foca tanto se vêem as baquetas a voar como as pingas do seu suor. Com ele não há meias medidas.

Grohl... criaste um "monstro"; agora tens de mantê-lo grande e gordo.

 

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