Piloto Ângelo Felgueiras já chegou ao Polo Sul!

Ângelo Felgueiras é piloto de aviação, mas também é o aventureiro que já escalou as maiores montanhas do mundo!  No currículo estão os "Seven Summits":  o Kilimanjaro em África, o Aconcágua na América do Sul, o Elbrus na Europa, o Denali na América do Norte, o Carstensz na Oceânia, o Evereste na Ásia e o Vinson na Antártida. E agora também o Polo Sul!

O piloto torna-se, assim, o primeiro português a fazer uma expedição ao Polo Sul. São 1.200 km, muito frio… e o quentinho dos cafés Solúveis Delta, porque os Grandes desafios sabem a Delta!

Ao longo das últimas semanas, Ângelo fez os relatos do percurso nas Manhãs da Comercial e foi partilhando o seu diário de viagem connosco. 

Diário de viagem:

Dia 52

Dia 10 de Janeiro

89.09.9S 81.29,4W

Um dia de sentimentos mistos mas estou um bocadinho desapontado. Lado positivo, 89S, mais uma fatia. Estamos a 94km. Lado negativo, hoje começamos 2 hora mais cedo para fazer 7 etapas em vez de 6. Isso permitia-nos chegar ao Pólo Sul a 13 e Punta Arena a 14. Fizemos só 5 etapas e 11NM. Dois dias parados não são bons para o corpo que está habituado a 10 horas de esforço por dia. Estes descansos devem ser activos. Meio dia de trabalho e descansar à tarde. Parar 2 dias, o corpo julga que terminou a “prova”. O David e o Carl, ressentiram-se. Eu estou bem. Não sei amanhã, mas fisicamente continuo sem problemas. O meu desgosto é perder o avião de 14 e não chegar no dia de anos do meu filho Manuel.

Está mesmo muito frio. É preciso ter muito cuidado. Este frio também consome muita caloria. Na prática estou mais perto. Mesmo devagar cálculo 4 dias, mas….veremos! A fotografia mostra um Wag Bag.

A partir dos 89S estamos numa zona denominada ASMA 5. Antartic Surveilance Monitored Area nível 5. Não há cócó pelo caminho. Vai para o saco e segue connosco. No Pólo Sul vai para um contentor.

Dia 51

9 de Janeiro de 2018. As coordenadas são as mesmas.

O colega ainda não se sente bem para caminhar e ficamos parados mais um dia. Combinamos começar amanhã uma hora mais cedo e tentar terminar uma hora mais tarde.

Levantamos às 06:00 e começamos às 08:00. Terminamos pelas 18:00 h.

Dez horas de ski. No dia seguinte, se necessário, começamos às 07:00 e acabamos pelas 17:00, e vamos sempre ganhando horas, se aguentarmos todos.

Aqui não há o problema de ser dia ou fazer frio. É sempre dia e faz sempre frio...

Fotografia: A minha casa nas últimas 3 noites.

Dia 50

Hoje não avançamos. Um dos colegas não se estava a sentir bem e ficamos fechados na tenda. O dia estava bonito e sem vento.

Amanhã espero que continuamos. Estamos mesmo quase lá.

Dia 49

88.58.8S 81.42,1W

Faltam 5 dias e todos queremos andar. Faltam 5 dias de ski.

Hoje de manhã o céu estava lindo. Haviam algumas nuvens e cristais que formavam 3 halos em 3 eixos diferentes. Tirei algumas fotografias para tentar mostrar.

Legenda: 50 dias sem duche. Em princípio faltam 5. Lá ao longe já oiço a água a correr. Se não houver problemas com o vento e com nenhum de nós, chegada prevista para dia 12.

Dia 48

7 de Janeiro

88.47,4S 82.33,8W

Está quase. Mais 6 dias de ski. Hoje correu bem. Fizemos 12,8 NM. Estamos a controlar a distância. Amanhã podíamos entrar sem dificuldade no last degree, 89S, mas por razões que explicarei depois devemos acampar uns metros antes.

Sete semanas de ski numa zona muito rigorosa e extrema. Sete semanas de privações. Está muito frio, temos diariamente 10 horas de esforço físico intenso a uma altitude fisiológica de 3100 +- 100. O Paulo Conde, se puder, poderá escrever meia dúzia de palavras que expliquem o significado do esforço em altitude.

(já tomava um duche).

Basicamente sofre-se mas vale muito a pena.

No entanto todos os dias olho à minha volta e fico extasiado com o que vejo. Respirar este ar e beber desta água. Estar aqui é um enorme privilégio. Um dos locais , senão  o local mais prístino e exclusivo do Planeta Terra. Todos os dias, durante as intermináveis etapas de ski, enquanto me perco nos meus pensamentos agradeço à minha família que me apara os sonhos. À Delta e à ERA que financiaram esta expedição. À Acreditar que me abriu as portas e me deixou participar na sua missão. Ter os Barnabés como fonte de inspiração e motivação é meio caminho andado e faz com que as maiores dificuldades pareçam brincadeira.

Dia 47

6 de Janeiro

88.34,6S 82.05,1W

Está quase!

Hoje fizemos mais um dia completo, mas andamos 12,3 NM. Não estraga a média. Na primeira etapa alcançamos o Swann team, que começou noutro local, 300Km mais próximo. Perdemos meia hora de ski na conversa, mas foi interessante. Todos tinham botas iguais às minhas e com o mesmo problema. Defeito de fabrico.

Depois de amanhã chegamos aos 89S. Na realidade vamos tentar acampar um bocadinho antes. Depois dos 89, acabou-se a casa de banho na neve. Fazemos para o saco. Depois enviarei foto e explico.

A fotografia de hoje pode ter esta legenda: Ontem em minha casa comeu-se Alcatra numa festa de família. Eu comi o 48º balde de ração. Combustível para o dia seguinte. Já estou saturado mas faz parte do pacote. Sabia ao que vinha, não obstante, farta.

Faltam 7 dias de ski. Se não houver paragens forçadas na sexta-feira dia 12 chegamos. Continuo a sentir-me forte de corpo e alma. Força Barnabés.

Dia 46

5 de Janeiro

88.22,3S 82.27,2W

Hoje fizemos um dia completo. Aproximámo-nos do last degree. Se não houver imprevistos estou a uma semana do fim.

Esta fotografia é do meu trenó. Tem em cima a tenda que uso há 47 noites consecutivas. É o meu quarto, cozinha, escritório e em dias de tempestade, caSa de banho. Lá dentro está o meu sleeping system. Colchões 3. Dois de espuma e um de ar e o saco cama . Toda a roupa que é pouca, mas com várias configurações, designadamente máscaras, óculos e várias luvas para diferentes situações. O meu material electrónico. Um telefone satélite e um modem também satélite que uso para enviar estas fotografias e mensagens. A minha farmácia e kit de higiene.Telefone com música e respectivos carregadores. A minha comida, que com exceção do pequeno almoço é combustível. Basicamente o meu material pessoal e como material comum a tenda e a 8 refeições do camarada que transporta o combustível.

Ponto prévio: NÃO SEI COMO VOU ESTAR AMANHÃ .

Até aqui sinto-me muito bem e mais forte fisicamente a cada dia que passa. Psicologicamente, depois da primeira parte, que levantava dúvidas sobre a continuidade, sinto-me extremamente motivado. Cada dia olho à minha volta e não me esqueço de onde estou e do privilégio que é estar aqui. Cansaço? Lembro-me dos Barnabés e passa logo.

Porque é que me sinto bem fisicamente? Porque sigo o plano de treinos do Paulo Conde. Obrigado Paulo. Amanhã posso quebrar mas até aqui foi sempre a somar. O que é que isto tem que ver com o meu trenó? É que lá dentro já vão mais 8kg de combustível e um repair kit. Um saco de 2kg com tudo o que se possa imaginar para reparar os nossos equipamentos. Um dos camaradas está muito cansado (não tem Paulo Conde). Eu tenho um casaco com os emblemas da ERA e da Delta, que patrocinam esta expedição, mas também tem a Barretina do Colégio Militar. Quando um camarada precisa de ajuda, primeiro dá-se a mão depois logo se vê. Entranhou-se-me este espírito durante aqueles anos. Um por todos e todos por um. Estou mais pesado uns quilos mas estamos a andar. Quando eu quebrar outro avança por mim.

Faltam, se não formos obrigados a parar por mau tempo, 8 dias.

NÃO SEI COMO VOU ESTAR AMANHÃ mas para já sinto-me forte e confiante. O vosso apoio e mensagens de incentivo têm sido muito importantes.

Dia 44

3 de Janeiro
88.02,8S 83.04,2W

Por este lado tudo a andar. A fotografia é do sastrugi. É necessário contornar e torna a progressão mais difícil. Fizemos mais 13 NM e atingimos os 88 S. Mais uma fatia. Estamos a 2650m. Só podemos subir mais 150. Por vezes há subidas e descidas. Acredito que vamos voltar a andar um bocadinho mais. Ainda falta, mas já começa a cheirar.
Eu continuo a sentir-me muito bem, mas posso sempre ter um dia mau. Ainda não chegou mas pode chegar. Quanto mais tarde melhor.

Dia 43

2 de Janeiro
87.49,7S 83.02,4W
S?empre a subir lá fizemos mais 25.?5, ?13.?7 NM. Se ninguém adoecer e se o tempo deixar chegaremos a 12 de Janeiro. Estamos quase na altitude máxima. Faltam 300m e 230km. As subidas devem estar a acalmar. Espero que sim.?

Como estamos altos, está cada vez mais frio. Hoje começamos a andar com -36º?. Muito cuidado para não nos magoarmos. ?Nove? a dez horas? fora da tenda com este frio requer em? cuidados. Hoje com o vento e o frio, a concentração aumenta. O dia passou mais depressa. O céu estava lindo. Um enorme alo à volta do sol.

Dia 42

1 de Janeiro 2018

87.36,0S 82.59,0W

Feliz Ano Novo!!!! Aqui vai a fotografia do momento em que o Twin Otter faz uma passagem baixa, junto do nosso acampamento, e deita um pacote com umas botas, um pão e um bolo. Miminhos.

Hoje fizemos mais 13NM. Temos andado mais devagar porque estamos sempre a subir e numa zona de sastrugi. Aqui já fazem projeções optimistas, eu continuo a dividir a distância por 12 e dá-me 12 de Janeiro. Quando melhorar aviso.

Dia 41

31 de Dezembro

87.23,1S 83.30,0W

Adivinhem, é assim há 43 dias!!!!! Hoje só fizemos 13km. Fizemos 4 etapas porque perdemos a visibilidade e no sastrugi não se consegue navegar por rumo por causa dos obstáculos, os pináculos de gelo. Paramos 3 horas mais cedo. Comer, beber e descansar. Mesmo assim estamos a 157 NM do Pólo Sul. A dividir por 12NM/dia dá 13. Não é uma estimativa optimista, é conservadora se tivermos em atenção as distâncias que temos percorrido desde Thiels. Continuo a estimar 12 de Janeiro.

Estamos já a 2422 metros. Os dias estão muito mais frios. Hoje que não há sol estão 5º dentro da tenda. Estou a escrever dentro do meu saco cama.

Dia 40

30 de Dezembro

87.14.6S 81.48,3W

Hoje andamos muito mas muito às voltas. 

Entre os 86 e 88 há uma zona de sastrugi. São formações de neve que gelam com o vento. Chegam a ter 2 metros. Ainda não vi dessas. Torna o ski mais técnico, mais difícil e péssimo para as costas. O trenó prende e solta constantemente. É com o andássemos com um corda à cintura e alguém sempre a dar sacões, Mesmo assim fizemos mais de 13 NM, por isso na minha previsão conservadora, ainda estimo 12 de Janeiro. 14 dias. 2 semanas. Normalmente 2 semanas de férias é fantástico. Aqui, a sensação é que estamos a chegar ao fim. A previsão para amanhã, 31, não é famosa, mas têm sido pessimistas. Só de manhã é que decidimos se saímos ou não.

Dia 39

29 de Dezembro

87.01,3S. 81.44,8W

40 dias sem duche.

Passamos os 87S. Mais uma fatia. Não sei quanto tempo vai durar, mas sinto-me cada dia mais forte. É bom enquanto dura,Chego obviamente cansado, mas menos do que ficava ao princípio. Já estamos a 2250m, mas a respirar a 2500. Saímos da tenda pelas 08:30. Desmontar, arrumar os trenós e esquiar 8:30. Parámos pelas 17:30. Às 18:00 estou no batido de proteínas. É claro que cansa. Não acabou ainda, mas é a minha expedição mais exigente do ponto de vista físico e mental. É muito tempo e podem acontecer muitas coisas. Éramos 7 estamos 4.

3 graus são 180 NM. Para já 12 de Janeiro parece possível mesmo com contratempos, mas Antártica!????

Quanto às botas, estão-se a partir no sítio que prendem aos skis. Vai passar um avião nos próximos dias com umas que arranjaram em Union Glaciar e deixam-nas cair juntamente com uns encaixes que deixei ficar também em UG. Em princípio o problema fica resolvido. Até lá estou com umas fitas que ajudam a prender a bota ao ski. É o que se arranja. Se for preciso vou a andar enquanto não chegam via aérea.

Dia 38

28 de Dezembro

86.46,8S 81.42,5W

Mais um dia que passou e andamos bem. 

Fizemos menos uma milha. Catorze hoje. Mesmo assim avançamos um dia. A uma média de 12/dia faltam 16.

A razão pela qual andamos menos é que hoje tivemos uma subida com muita inclinação e a média baixou. A fotografia dos meus skis, mostra porque razão conseguimos subir. Um de frente com a aplicação para as botas e a parte de baixo do outro, com uma aplicação de pele sintética, que simula o efeito da pele de foca. Desliza para a frente e segura quando fazemos força para andar.

Dia 37

27 de Dezembro

86.17,8S  81.38,8W

Hoje fizemos mais 15NM. Estamos a andar bem. Vamos ver por quanto tempo. Estamos numa fase dura. Sempre a subir até atingirmos o grande planalto Antártico. 2800m. Estamos a 1755, mas a nossa altitude de pressão, ou seja a fisiológica já é de 2060m. Continuo a sentir-me bem. Passei o dia a pensar no que estaria a fazer se estivesse aí.

A fotografia, que deu trabalho a produzir, mostra a minha ementa de Natal e dos 36 dias anteriores e dos que faltam. Aqui é sempre Natal. Da esquerda para a direita: Café Delta e flocos com a granola, feita pela Isabel, para o pequeno-almoço. Uma fatia do bolo que também me fez a Isabel, que corto cada vez mais fina para durar.

Durante os brakes: fruto secos, barras, chocolate, gomas energéticas, e dentro do saco está carne seca, queijo e salame, que são os enchidos de quem não sabe fazer chouriços e paios. Batata frita. Chegando à tenda: imediatamente um batido de proteínas, crakers com salami, e manteiga de amendoim. Lavo os pés e a cara na neve e troco de roupa para o jantar: Sopa chinesa de massa, ou puré de batata, em qualquer dos casos com muito queijo. Segue-se o prato principal, refeição desidratada. Chocolate quente com bolachas ou o resto do chocolate do dia.

Dia 36

26 de Dezembro

86.02,8S 81.35,6W

A minha prenda de Natal foram duas fatias do bolo da Isabel, que corto cada vez mais fininhas para durar. Hoje tive que oferecer... Natal.

A outra fatia foi de elefante. Mais um grau. Passámos os 86S.

Numa previsão que contempla alguns contratempos, chegamos a 13. Grau a grau, irei actualizando o dia da chegada. Espero que encolha, mas Antártica? Nunca se sabe.

Estamos a subir bastante. Temos que chegar aos 2800m. Estamos a 1670. Hoje senti-me sempre bem fisicamente, mas não parava de pensar nas várias consoadas que estava a faltar.

Vou dormir, para ver se amanhã aguento mais 15NM.

Falo na Rádio Comercial hoje!

Dia 35

25 de Dezembro

85.47,5S 82.31,6W

Montar acampamento e começamos a beber e a comer o mais depressa possível. Ao mesmo tempo que vamos comendo, vamos trocando de botas e roupa, sempre um de cada vez enquanto o outro controla o fogão. Além de termos fome, temos mesmo que comer, para começar a reposição de energia. Não me sinto mais magro, mas hoje tive que apertar o arnés.

Agora vamos fazer umas contas. Estamos a andar bem. Não sei durante quanto tempo. É bom enquanto dura. Estamos a fazer 15 NM (milhas náuticas) por dia. Cada milha é um minuto de latitude. Cada grau são 60 minutos ou milhas. Não acredito numa média de 15NM/dia. Dava 1 grau a cada 4 dias, durante 20 dias. Muito ambicioso. As minhas contas para uma hipotética média são feitas a 12/dia. Um grau a cada 5 dias. Se fizermos menos melhor. Amanhã, a não ser que o dia corra super mal, chegamos aos 86 graus. A 12/ dia faltam 20. Na realidade estamos na Antártica e isto é imprevisível, mas é impossível não fazer contas ao fim de 35 dias.

No dia de hoje, a 12NM/dia, sem descanso, chegamos ao Pólo Sul a 13 de Janeiro. Um dia de cada vez. Boas Festas para todos, com muita força para os Barnabés que não podem ir à casa.

Dia 34

24 de Dezembro

85.32,2S 81.14,9W

Caros amigos e seguidores desta expedição através desta página, hoje vou dedicar toda esta publicação à Acreditar.

A fotografia é de um lenço que a Margarida Cruz, Presidente da Acreditar, me entregou na véspera da minha partida. Está com um aspecto amarrotado e algo marcado. É a única peça que nunca saiu do bolso esquerdo das minhas calças de peitilho, o mais perto do coração. Está assinado por vários Barnabés. Esta expedição não teve um início fácil. Dos sete iniciais estamos 4. Um desistiu e outro, com dores nas costas deu um salto de 400km em direção ao Pólo Sul, e levou um dos guias. Ficamos 4 para o percurso completo. Várias vezes pensei que íamos ficar a meio do percurso por não termos tempo suficiente para terminar. Foi angustiante. Não chegar ao fim por causas externas. Em todos estes momentos lembrei-me sempre de vocês. Têm sido, a par da minha família, uma inspiração para mim. Com vocês tudo fica mais fácil. Como diz o lenço, “juntos somos mais fortes". Já passamos metade do percurso e continuamos o nosso caminho.

Para os que acompanham a página e não são Barnabés vou contar a história que a Alexandra contou na RTP.

Uma mãe, no Funchal, vai com o filho ao médico. Dizem-lhe que tem que ir no próprio dia para Lisboa, porque o filho tem um problema grave. No mesmo dia entra em oncologia, em Lisboa. Temos uma família separado pelo mar, um dos pais com o outro filho lá e a mãe com o filho doente em Lisboa, perdida. Felizmente em frente à oncologia, está uma casa da Acreditar para a receber e dar apoio logístico e psicológico. Isto também acontece no Natal. Ontem na Madeira, hoje noutra ponta do País, e amanhã a qualquer um de nós. Mesmo que seja 25 de Dezembro, a nossas prioridades mudam num segundo. Sei que somos mais de 11.000. Sei que estão muito atarefados com os preparativos da Consoada. Sejam generosos e façam um donativo para a Acreditar continuar a poder receber e ajudar quem precisa tanto deste apoio. Imaginem -se no lugar das famílias afectadas.

Para os Barnabés um abraço especial e obrigado pela vossa força. Juntos somos mais fortes.

Feliz Natal dos 85,5 Sul.

Dia 33

22 Dezembro

85.16,6S. 80.57,9W

Hoje, apesar de não parecer, andamos muito bem. Como tivemos muito trabalho ontem, a reorganizar a alimentação e ajustar várias coisas, ainda sobrou trabalho para hoje. Só saímos às 11h em vez de 09h. Onze milhas e meia, com menos uma etapa e meia, foi muito bom. Acresce que os trenós estão outra vez muito pesados. Veremos quanto andamos, só os 4, num dia completo. Os breakes foram de 10 minutos. Normalmente eram maiores para permitir que a Liz se reagrupasse...

A despedida foi dura. Ficaram 2 para trás. A Liz e o Christien.

Continuo a sentir-me muito bem. Não sei até quando, mas enquanto dura é muito bom. Hoje à saída de Thiel Ice Field, que era um objetivo muito importante, senti-me como se estivesse a sair de um campo base para o cume. Até aqui foi aclimatar, agora é para cumprir o objetivo. Só por curiosidade, hoje o meu pequeno almoço foram ovos mexidos com salmão. Estavam congelados, em sacos herméticos vindo de Union Glaciar com o resto das coisas.

Dia 32

21 de Dezembro

85.05,1S 80.46,6W

Thiel Ice Fueld ( internacional airport)

É aqui que os aviões param para abastecer nos voos para e do Pólo.

Mais uma fatia. Agora, está garantido, vamos continuar a expedição.  Estamos a metade do caminho e gastamos mais de metade dos dias, naquele início infernal, que levou à desistência de um elemento e provocou um grande desgaste em todos nós. Também já é oficial, a Liz abandona aqui a expedição. Tem sofrido imenso para nos tentar acompanhar, sem nunca se queixar, mas na realidade estávamos a andar mais devagar. Descansa aqui uns dois dias e depois, com o Christien, 2º guia, apanha um avião para os 89 S e fazem o last degre. Poupam 400km e mais de 20 dias. É uma grande mulher. Aguentou muito.

A expedição sofre assim mais uma baixa directa e uma indireta. Dos 7 iniciais estamos 4. Espero que agora comece a correr melhor,

A chegada aqui foi muito importante do ponto de vista psicológico. É um marco muito importante e também a garantia de continuidade que esteve em causa.

Hoje, não só por termos chegado aqui e ultrapassarmos metade da distância, foi um dia fantástico -5 graus e zero vento. Andei o dia todo só com óculos e sem máscara. Também foi uma sorte porque podemos organizar o reabastecimento e preparar o saco de regresso com o que já não usamos, fora da tenda. Parecia Verão.

Amanhã ainda temos umas coisas para terminar. Normalmente fazemos aqui um dia de descanso, mas nós já não temos dias para descansar sem motivo. Se voltarmos a parar, ou é por mau tempo ou porque algum de nós precisa muito,

Faltam 5 fatias

Dia 29

18 de Dezembro

84.25,3S 80.20,7W

Dia 28

16 de Dezembro

84.11,2S 80.14,1W

84S, mais uma fatia. Para terem uma ideia, nos últimos 4 dias andamos o mesmo que nos primeiros 10. Hoje ultrapassamos os 500km. Faltam 6 fatias e este elefante é duro de roer. Ainda tenho apetite para o bicho. Não quero fazer promessas porque tenho medo do que não controlo. Quase de certeza que continuamos depois de Thiels. Não vamos ter nenhum dia de descanso programado. Não há tempo. Só paramos por mau tempo ou por alguém precisar muito. A mim ainda não me tocou, mas pode acontecer.

Dia 27

15 de Dezembro

83.57,1S 80.07,7W

Por aqui tudo a andar. O dia começou bem, mas agora está bastante vento. Dentro da tenda não custa nada. Amanhã também vai estar ventoso mas skiavel. Hoje aconteceu uma coisa que estava totalmente fora do que eu imaginava possível. Cruzamo-nos com dois jipes de uma empresa Islandesa. Ártico Truks, com uns milionários Chineses claro, a fazerem um safari Antártico. 3 horas antes tinham estado onde nós devemos chegar em 5 dias. Paramos todos a tirar fotografias uns aos outros. Faz hoje 30 dias que saímos de Punta Arenas e aterramos na Antártica. Ainda me sinto forte. Quero é chegar depressa a Thiels para confirmar que continuamos. Um dia de cada vez.

Dia 26

14 de Dezembro

83.43,1S 80.05,9W

Hoje o tempo piorou. O vento aumentou e a temperatura baixou. O windchill factor dá abaixo de -50, mas depois de ontem não notei mais frio. Por segurança só fizemos 2 etapas. Passei a tarde a comer beber e descansar. São 20:00 estou no saco cama e o vento parou. Com o sol até está quente na tenda. Sabe bem. Se amanhã estiver assim podemos ter uma boa progressão.

A fotografia de hoje é de um bastão que tem no topo uns pogies. Uma cobertura em primaloft para proteger as mãos. É muito eficaz. Pôr vezes, com vento calmo só uso as luvas finas que estão à direita. Hoje com vento de 40km//h e rajadas fortes usei essas 4 camadas. Pogies, duas camadas de luvas sem dedos  e ainda as luvas finas. Nunca tive frios aliaás só nas transições, mas depois aquecia.

Dia 25

13 de Dezembro

83.39,5S 80.05,7W

Dia mau, estava nos limites.  Como já tínhamos perdido alguns dias resolvemos continuar. Estavam 47ºC negativos com vento de 40 km/h.

Com estas condições prejudiciais e difíceis foi um desafio montar as tendas.  Comemos um puré de batata para ter energia. Este desafio fez-nos perceber que podíamos andar e estar quentes. 

É preciso muito cuidado com os intervalos para nunca arrefecermos

Dia 23

12 de Dezembro

83.12,3S 80.23,8W

Mais uma fatia. 83S. Faltam 7. Finalmente estamos a andar alguns dias bem. Espero que dure. Hoje foi o dia que andamos mais. Ultrapassámos os 24km. O importante é o 83.

Sinto-me bem. Forte e animado. Já era tempo de começar a correr bem.

A fotografia mostra a minha cozinha, na qual íamos tendo um incidente grave. À esquerda vê-se a garrafa de combustível. No topo está a bomba para pressurizar o combustível. Segue para o fogão que tem um injector que precisa do combustível aquecido. Quando se liga o fogão, enche-se uma campânula que está em baixo para aquecer o primeiro combustível. A garrafa tinha um fuga de combustível e quando acendemos o fogo espalhou-se por onde havia combustível. Fogão tenda fora. Trocamos a bomba de pressão e consertámos esse fio que se vê na foto. O fogão e a garrafa estão acentos num tabuleiro de um isolante térmico forrado a folha de alumínio. Assim reflecte o calor para a panela e não derrete a neve por baixo, entornando o sistema. A outra folha de alumínio coloca-se à volta do fogão e da panela para aproveitar a energia.

A viagem continua a caminho do Pólo Sul.

Dia 22

11 de Dezembro

2.59,3S 80.19,0W

Finalmente um dia bom. Bom tempo. A neve um bocadinho melhor. Senti-me bem todo o dia.

Dia 21

10 de Dezembro

82.46,9S 80.17,0W

A legenda desta fotografia pode ser:

20 dias sem tomar banho. Só de neve e toalhetes,,, a banheira fica para depois.

Dia 19

7 de Dezembro

82.29,1S 80.26,6W

Hoje foi um dia que começou muito bem. Forte durante as primeiras 6 horas de ski. A última hora "focinho" sempre a sofrer. Faz parte do pacote. Só sonhava com uma banheira cheia de água quente. Vai ter que esperar. Nas etapas anteriores sonhava com arroz de pato. Vai ter que esperar. Cheguei à tenda e bebi o meu batido de proteínas, bolachas com manteiga de amendoim. Passei para umas noodles e directamente para o jantar. Mais uma delícia desidratada. Combustível. Chocolate quente com uns quadrados de chocolate preto e cama, de onde escrevo. Vou ter que esperar. Estamos obviamente atrasados por causa do mau tempo. Não consigo ainda fazer previsões. O próximo marco muito importante é Thiels ice field. Aparece no mapa como Thiel Montains. É o segundo e mais importante reabastecimento. É o posto intermédio de combustível para os aviões que voam por aqui. É a meio do caminho. Ê onde se desiste ou não. NÃO.

Fotografia:

Cold pit É um buraco com aproximadamente 50 ou 60 cm de profundidade a quase toda a largura da tenda. Serva para nós podermos sentar com os pés numa posição mais cômoda enquanto cozinhamos e comemos, ou lavamos os dentes, ou cortamos as unhas dos pés. Enfim tudo o que se faz numa cozinha. Com a tenda vazia mas antes de desmontar, em dias de muito vento também serve de casa de banho.

Dia 18

6 de Dezembro

83.16,7S 80.16,9W

Mais um dia que correu bem. Estamos atrasados mas não há nada a fazer. A neve não ajudou. Agora está a melhorar. Um dia de cada vez. Ainda me sinto forte.

Dia 17

5 de Dezembro

82.04.5 S 80.25,2W

Se ontem estava down e escrevi, hoje que foi um dia muito bom também tinha que escrever.

Passámos o primeiro reabastecimento. Temos comida e combustível mais do que suficiente para chegar ao próximo. Mais ou menos 15 dias. A única parte negativa é que neste levamos tudo e não podemos deixar nada. Isto significa que como já não somos 7, mas sim 6, consumimos menos combustível, mais peso, e recebemos reabastecimento a contar com 7. Além do nosso peso, distribuímos o peso do sétimo por todos. Estamos de novo com mais de 60kg numa neve ainda mole. Vamos também começar a subir. Vêm dias duros, mas sinto-me forte. É como o Diário dos Barnabés, uns dias de angústia em que tudo parece correr mal e outros de alegria e esperança em que tudo corra bem.

A parte mais importante é que se vê na fotografia é que ultrapassámos os 82 graus de latitude sul. Objectivamente é a segunda de 10 fatias. Venham as outras, se possível com digestão mais rápida.

Dia 16

4 de Dezembro

81.54.1S 80.09,8W

Hoje foi o meu dia mais duro. Tinha que chegar. Muito frio. Comecei bem mas depois da minha etapa senti-me cansado.. Fui recuperando ao longo do dia. Tive tantas saudades e ainda falta tanto. É aqui que a cabeça trabalha. Ao final do dia já me sentia melhor. Faz parte.

A fotografia de hoje é um sleeping system. Um grande saco com aproximadamente 2m por 50cm. Lá dentro tenho 2 colchões de espuma e um de ar. É importante para o isolamento térmico. Saco cama para -40ºC. As boties, pijama dentro do saco cama, o barrete que o meu filho Francisco me deu, venda para os olhos e esse frasco para o xixi.

Está sempre montado. Poupa-se muito tempo. Vai fechado dentro do trenó. É só abrir o fecho e está pronto. De manhã fecha-se e já está.

Só faltam 9 horas de ski e volta-se para o quentinho.

Dia 15

3 de Dezembro

81.42,6S 80.12,0W

Tenho muitas saudades e ainda falta tanto. Sabia que ia ser duro. Não está a desapontar nessa matéria. Gostei de saber do João Neto. Vamos à fotografia de hoje. Está incompleta, não tem aromas. Talvez num futuro próximo seja possível enviar fotografias com aromas e sabores. É das primeiras coisas que faço quando terminamos o dia de trabalho e entramos na tenda. Assim que o fogão está a trabalhar, enquanto a água aquece, descalço uma bota de ski. Já tenho preparadas as boties, com as meias dormir, previamente polvilharas por dentro com pó de talco. Esfrego bem o pé na neve e limpo a parte de cima do pé também com neve. Seco e calço-me. Repete-se a manobra para o outro pé. Assim inspeciono os pés todos os dias para não haver surpresas. É muito tempo e fazem-me falta. Segue-se a cara e outras partes do corpo. Afinal, não é todos os dias, e no meu caso está a ser, que nos lavamos com a água mais pura do mundo, alguma com milhões de anos. O dia de hoje correu bem. Já percorremos uma distância razoável. Estou obviamente cansado, mas no ritmo. Agora é manter-me são e aguentar um dia a seguir ao outro. É ainda muito cedo para previsões. A neve está a assentar. Ainda não está como é normal, nas muito melhor.

Dia 14

Dia 2 de Dezembro

81.29,8S 80.08,6W

Hoje andamos um bocadinho mais. Ultrapassamos os 20Km, mas continuamos lentos. Hoje foi também o dia que me cansei mais. Voltei a liderar duas etapas em 6 e a segunda foi a que andamos mais. Hoje desgastei-me. Amanhã protejo-me. Só abro caminho numa etapa. Abrir caminho é extremamente desgastante.

Dia 13

1 de Dezembro

81.18,5S   79.59,5W

Como se deve perceber pelas coordenadas estamos a andar devagar. É o pior ano de ski dos últimos 10 anos. Diz quem tem 10 épocas de Antártica. As minhas esperanças de chegar antes do horário vão-se esfumando.

A neve está pesadíssima. Parece que estou a correr uma maratona na lama e a puxar uma charrua. Ainda são as consequências dos dias maus. Lado positivo. Como se vê pela fotografia, o dia esteve lindo. Muito frio mas uma visibilidade fantástica.

Como se vê pela outra fotografia, recebemos a visita de um avião. Veio buscar um dos nossos camaradas. Já tinha dito que ia embora, depois repensou e hoje partiu. Passámos a 6. Fica sempre no ar que se acontece a um norueguês experiente, também nos pode tocar. Esperemos que não.

Lado positivo. Trouxeram pão caseiro fresco e bom e um pacote de vinho tinto. Marca Gato. De pacote nas bom. Os meus amigos Afonso e os dois Pedros do treking no Torres del Paine sabem que não é mau.

Dia 12

30 Novembro

81.10,0S 80.03,2W

A mensagem da Teresa deixou-me muito comovido.

O dia de hoje, como se vê na fotografia foi uma tontura. Não se vê além dos skis. Não se sabe se tem lomba ou repressão. A neve está horrível para esquiar. A progressão é lenta e desgastante. Como temos um elemento em recuperação, continuo a liderar duas etapas por dia. Sinto-me bem. Começo a sentir aquele peso que tinha a mais a desaparecer...

Sabia que esta era a minha aventura mais dura. Está a ser, mas até ver, o programa de treino do Paulo Conde está a produzir efeitos.

Lado positivo, só pode melhorar.

Não é engano. Foi o que vimos todo o dia de hoje

Dia 11

29 dez Novembro

80.00,1S 80.04,5W

Hoje finalmente fizemos mais de 20k. A neve ainda está muito mole e enterramo-nos. Consequência do mau tempo.

Mais importante chegamos aos 81S. Esta sim é uma fatia objectiva.

Faltam 9 graus, 9 fatias. Sinto-me bem. Uma pequena bolha no dedão do pé esquerdo, mas está controlada.

A melhor refeição é sempre o pequeno almoço. Café Delta, evidentemente, mas sobretudo os flocos de aveia com a granola da Isabel. Sempre é um cheirinho de casa. O jantar é sempre desidratado. Calórico e completo mas para mim é combustível. Só gostei de uma massa pesto com salmão.

Dia 10

28 de Novembro

80.49,0S 80.04,5W

Finalmente andamos. É bem. Fizemos 7 etapas de uma hora com 10 minutos de intervalo entre cada uma.

O dia acordou sem vento mas também sem visibilidade. É mais difícil navegar. Sempre de bússola. O da frente não vê bem o terreno porque não há profundidade. Liderei duas etapas. Sentia-me bem por isso abri caminho duas horas. Durante a minha primeira etapa a visibilidade abriu e finalmente vi o horizonte de 369 graus de neve sem fim. Pela primeira vez senti-me no planalto Antártico.

A neve é que estava muito pesada por causa dos dias de mau tempo. Os trenós em vez de deslizarem arrastam-se. Parece que estou em Carcavelos. Hoje estou cansado nas satisfeito.

Finalmente vi o que esperava. 360• de horizonte branco

Dia 9

27 de Novembro

Isto por aqui não está fácil. A noite que passou foi, não direi assustadora, mas de vento muito forte. Por noite entenda-se da 21:00 às 07:00, porque na realidade é sempre dia. Dentro da tenda o vento faz muito barulho. De olhos fechados parece que estou a dormir na praia em noite de marés vivas. O vento não é constante e tem rajadas, por isso faz lembrar a inconsistência das ondas.

O Carl, nosso guia principal tem 18 meses de Antártica e nunca teve tão mau tempo. No último ano, em 48 dias teve parado um por mau tempo. Levamos 3 em 9 dias. Estamos a 8 dias de distância do primeiro reabastecimento de combustível e comida. Amanhã ou andamos ou começamos a fazer contas. Temos 5500 cal/dia e quando estamos parados não comemos tudo. Não sendo, ainda, uma preocupação, todos sabemos fazer contas. Parte boa: Só pode melhorar. De certeza que vêm aí melhores fatias.

A fotografia ilustra o estado do tempo.

A minha tenda duas horas depois de a ter limpo. A esquerda um dos trenós e em frente, mal se vê o meu.

Dia 8

26 de Novembro

Hoje finalmente andamos. Pouco nas andamos, Foi um dia muito duro. Mesmo nos limites. Muito frio e muito vento, -22 e com vento de 30k/h. Visibilidade quase zero. Desmontar o acampamento é uma dificuldade. Sempre muito cuidado.

Começamos a esquiar e senti-me bem. Estive sempre quente. Até agora tenho conseguido gerir bem essa parte, que é das mais preocupantes. Tentei tirar uma foto com telefone nas, apesar de ter 100% carga quando começamos, perdeu toda com o frio. Fica esta que dá uma ideia de como está o tempo.

Só fizemos 3 etapas. O vento aumentou e tivemos que acampar.

Enquanto esquiámos só conseguia ver um ou dois à minha frente. A visibilidade não dava para mais. Tinha a sensação de estar numa aresta de montanha porque não há contraste para os lados nem profundidade. Não há horizonte. Navegamos por bússola e GPS.

Agora estou a partilhar tenda com o Ali e vamos aquecer água para mais um jantar.

Espero que amanhã melhore. Temos que ver o lado positivo. Estou bem adaptado aos piores dias.

Dia 7

25 de Novembro

Isto por aqui não está fácil. Mesmo sítio. Uma coisa é andar devagar outra é não andar de todo. A Liz está muito melhor mas o tempo está muito mau. Vento de 45km/h. Não dá para andar. É muito perigoso. Fazemos uma queimadura de frio num flash.Safety first. A espera é uma das partes mais duras de uma expedição. É quando a cabeça tem que ser forte. Estar a esquiar, por muito duro que seja, é o que nos traz cá. Mesmo devagar estamos a aproximar do objetivo. Estar parado não é bom para a moral. Não obstante, ainda sei quem sou e o que estou aqui a fazer, As previsões não são favoráveis hoje e amanhã, mas como a meteorologia é uma ciência imprecisa, tenho esperança que amanhã esteja melhor. Se não estiver há que ser forte e aguentar. Sabia ao que vinha.,,

Não sei nada do mundo!

Dia 6

24 de Novembro

80.34,4S 80.11,7W

São também as coordenadas de hoje. A Luz não melhorou e antecipamos para hoje o primeiro dia de descanso. É uma viagem longa e não há stress. Ainda estamos a entrar no ritmo. Se fosse eu, também gostava que me dessem a oportunidade de melhoria. Sei que também vou ter dias maus. Quanto mais tarde melhor.

Isto é duro, mas um exercício de disciplina. Não facilitar com o frio. Uma distração ou um momento de aflição para apertar um fecho sem luvas. Bum! Já está frostbite. Depois é tudo mais complicado. Prevenir é o melhor. Hoje relaxo, como e sobretudo, bebo muito.

Estar aqui é como um Evereste mas maior. Estava a pensar como estabelecer uma analogia entre as montanhas e os Polos e o que me ocorreu é que estou numa enorme montanha horizontal.

Creio que já disse ontem, mas o Jon vai ficar, pelo menos para já.

Novidades do mundo?

Dia 5

23 de Novembro

80.34,4S 80.11,7W

Hoje foi um dia bom. A Liz está com tosse e por isso andamos mais devagar. O Jon sentiu-se melhor e como ainda não o tinham vindo buscar, cancelou o regresso. Vai ficar enquanto aguentar. Para já continuamos todos.

Hoje foi o dia mais frio. -20, com vento de 36km/h dá um factor de -36. Muito frio com vento mas senti-me muito bem. Ainda estamos a andar devagar. É assim ao princípio.. Estou a entrar bem nas rotinas e a demorar menos tempo nas tarefas. Também me sinto mais à vontade com as combinações de máscaras para a cara e luvas.

Este elefante deve ter umas dez fatias é uma já lá vai...

Dia 4

22 de Novembro

Hoje foi um dia típico da Antartica. Frio, baixa visibilidade, vento.

Comecei desconfortável mas acabou em bom, para mim. Liderei a 4a etapa. Ficar à frente é cansativo, toda entre todos e fazemos sempre a mesma etapa. Ajuda a navegar pela nossa sombra, quando há sol. É impressionante!

Sinto-me bem. Tenho medo do frio, mas tenho tido muito cuidado. Muitos dias com temperaturas muito baixas. Os treinos da Noruega e da Islândia foram importantes.

Hoje no final do dia fomos informados da 1a baixa. O Norueguês Jon Erik vai abandonar a expedição. Não se estava a sentir bem. Ainda não sei os detalhes. Agoras vai andar mais uns dias connosco até haver visibilidade para aterrar um avião.

A foto de hoje podia ser qualquer um, mas sou eu no final dr um dia de trabalho...

Dia 3

21 de Novembro

80.17,8S 80.44,5W

Andamos 17km quase plano. Um desnível de 40m. A nossa média já foi de 3km/h. Vai melhorar. Fizemos 7 etapas e as 3 primeiras de 50mi. Aquecer os motores. O corpinho também começa a sentir. Depois de duas semanas de engorda, isto é o recomeço. Tudo bem. Não sei quantos dias vamos demorar. É muito cedo para previsões, mas já faltam menos 3.

Dia 2

Dia 20 de Novembro

Hoje já fizemos 7 etapas em vez de 6. Ainda estamos a aquecer. Vai ser assim até entrarmos no ritmo. Hoje fez frio e vento. É melhor andar do que estar parado, mas temos que parar para comer e beber. O fecho da minha saia estragou-se e já improvisei um cinto.

Estamos em 80.08,7S 80.33,5W.

Primeiro é latitude e é o que conta. Aumentar até dos 90•. Hoje é 80 graus e 8 minutos vírgula 7. A cada 60 minutos ganhamos um grau. Tinha 10,5 graus para andar, agora faltam 9 graus e 52 minutos. Andamos 14,3km.

Fica a foto da primeira bebida quente, ( nada melhor que um café ??Delta solúvel) depois de montar a tenda,

Estas três noites partilhei tenda com o Christien. Amanhã rodamos..

Ângelo

A caminho do Pólo Sul

Dia 1

18 de Novembro

79.9832S  79.7119W

Voámos  hoje para Hercules Inlet. Estou a dormir em cima de água.

Ronnie Ice Shelf. Mais ou menos uma espessura de 200 m de gelo antes da água. Amanhã chegamos à linha de costa. Não se nota. Na prática este é o caminho mais curto desde a “linha de costa” até ao Pólo Sul. Hoje se derretesse estávamos na água. A partir de amanhã já estamos em terra. O voo foi muito curto, 20 minutos.

Filmei o avião a descolar e partir para Union Glaciar. É uma sensação única. Somos 7 nesta imensidão. O que ficou para trás não tem retorno. Agora só no reabastecimento bem mais para a frente.

Hoje não esquiamos. Montamos acampamento e organizamos o campo. Nos próximos 3 dias partilho tenda com o Christien. Um dos guias Norueguês.

Estar dentro da tenda, e vir cá fora e ver isto é único.

AVENTURA SOLIDÁRIA

Escalar Denali, na América do Norte, foi o ponto de partida para transformar uma aventura numa ação solidária! Se há quem faça caminhadas solidárias, porque não fazer o mesmo com montanhas? A partir daí… os metros de montanha que faz são vendidos e o dinheiro angariado reverte para uma causa social.

No caso desta expedição ao Polo Sul o objectivo solidário é angariar 75 mil euros para a associação ACREDITAR – Associção de Pais e Amigos de Crianças com Cancro. Saiba mais na página de Facebook da expedição.

A preparação para este grande desafio já começou, como a Luísa Barbosa conseguiu perceber numa manhã fria na praia de Carcavelos.

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