"Em comédia, as coisas boas do passado não nos desculpam o presente"

Foi na Comercial que nasceram algumas das suas personagens mais populares: de Maximiana a José Estebes. Herman recorda os programas que fez na Comercial, numa conversa com Nuno Markl.

Herman José faz parte da minha formação enquanto autor de humor, antes de fazer parte da minha carreira como autor de humor. Uma formação que não passou só pela explosão de novidade d’ O Tal Canal, na televisão, quando eu tinha apenas 11 anos, mas também pelos programas que Herman assinou aqui na Comercial - tais como A Flor do Éter e Rebéubéu Pardais ao Ninho, onde se incluía a lendária radionovela O Regresso de Fedora (“Na casa de camp... da actriz Fedora Fedoreva...”).

Os meus sonhos radiofónicos passaram por estas experiências, das quais era ouvinte fervoroso, e que demoliram os limites daquilo que se pensava ser a Rádio, abrindo uma espécie de horizonte infinito de aventuras. Em 1995, longe desses sonhos, dei por mim a escrever para o Herman em plena Rádio Comercial, na rubrica As Músicas do Herman, o início de uma colaboração que duraria anos e que passaria por vários programas de televisão como Herman Enciclopédia.

Apesar de todo esse trabalho com o Herman, só quando nos sentámos para esta conversa sobre os 40 anos da Rádio Comercial é que tive ocasião de saciar a curiosidade sobre os bastidores desses programas de rádio com que cresci. O Herman contou tudo em detalhe sobre a sua relação com a rádio, a começar pelas emissões que fazia dentro de um armário, em casa, passando pelo dia em que Marques Vidal apresentou A Canção do Beijinho aos microfones da Comercial (ou, pelo menos, os segundos finais d’ A Canção do Beijinho!) e por todas as loucas experiências radiofónicas com um elenco épico que incluía Vítor de Sousa, Lídia Franco e Ana Bola, no estúdio onde hoje, 30 e vários anos depois, fazemos as Manhãs da Comercial.

E ainda deu para recordar os tempos em que trabalhámos juntos e em que, nas Produções Fictícias, o Nuno Artur Silva e eu lhe confeccionámos um texto que ficaria histórico: A Última Ceia. A primeira vez que passou, era o ouvinte que tinha de criar as imagens na sua cabeça: foi aos microfones da nossa Rádio Comercial.

Por Nuno Markl

 

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